Plano estratégico da BRF prevê a venda de unidades na Europa, Tailândia e Argentina

Conselho Administrativo da empresa aprovou manter as unidades que possuem fortes vantagens competitivas

Sempre discreta com relação à imprensa, a BRF Brasil Foods (mais conhecida como BRF) uma das maiores e mais conhecidas empresas de alimentos, com marcas como Perdigão, Sadia, Batavo e Elegê, pouco detalha os impactos decorrentes da Operação Carne Fraca, da Policia Federal, e sobre a paralisação dos caminhoneiros. Em contato com o jornal O Celeiro a única garantia que deram é que nenhuma unidade no Brasil será fechada. Mas em carta enviada a imprensa, a empresa esclarece que o Conselho Administrativo aprovou o plano de reestruturação operacional e financeira da companhia com o objetivo de melhorar sua “estrutura capital por meio da redução de sua alavancagem”, o que nos leva a entender que a empresa deve ter sofrido grandes perdas e agora tenta amenizar os prejuízos. Em decorrência dessa orientação estratégica, está prevista no plano a venda de unidades operacionais na Europa, Tailândia e Argentina. Os locais que terão suas unidades operacionais vendidas não serão impedidos de receber as exportações da empresa.

O ponto de partida desse plano é a decisão da empresa de focar suas operações no mercado doméstico brasileiro, na Ásia e no mercado muçulmano, neste último caso atendido por plantas exclusivas, que incluem os ativos de Banvit, na Turquia. São mercados onde a BRF possui fortes vantagens competitivas e está entre as posições de liderança. O plano também abrange a venda de ativos imobiliários e não operacionais, e de participações minoritárias em empresas. Outra iniciativa é a realização de operação de securitização de recebíveis. Esta última ação consiste em um processo nos quais vários ativos financeiros, ou não financeiros, são agrupados na forma de títulos, que por sua vez, podem ser negociados com investidores. “A previsão é arrecadar pelo menos R$ 5 bilhões com as medidas, fazendo com que a razão entre a dívida líquida e o EBITDA ajustado fique em torno de 4,35x em dezembro de 2018, já considerando a recente alta do dólar e os impactos referentes às restrições de exportação, e abaixo de 3,00x em dezembro de 2019”, é um trecho de parte do texto enviado pela comunicação da BRF.

Além das medidas citadas, a empresa continuará o plano de restruturação fabril que envolve férias coletivas, redução de 5% do quadro de funcionários nas operações fabris do Brasil e a readequação nas linhas de produção, que foram iniciadas desde março deste ano. Ainda de acordo com as informações, a empresa irá reforçar o caixa por meio de melhores gestões de estoques de matérias primas (congelados) e de produtos acabados. Grande parte das medidas de reestruturação já foi realizada e deve ser concluída nos próximos dias com as adequações finais em 22 das 35 unidades de produção no país. Com o objetivo de minimizar os impactos nas comunidades, a Companhia aproveitou a renovação voluntária das plantas e realocou equipes. A empresa também tem buscado o diálogo com os produtores integrados afetados a fim de esclarecer dúvidas e informar os próximos passos.

Os esforços para a otimização de custo e ampliação da rentabilidade também preveem a simplificação da estrutura organizacional com redução do número de vice-presidências de 14 para 10, divididas em três grandes áreas. Com foco em mercados serão três vice-presidências: Brasil, Halal (mercado muçulmano) e Internacional; na frente operacional serão também três vice-presidências: Operações, Planejamento Operacional (S&OP) e Qualidade; e quatro vice-presidências corporativas: Finanças e Relação com Investidores, Planejamento Estratégico e Gestão, Recursos Humanos e Serviços Compartilhados, e Institucional e Compliance. Esse conjunto de medidas é pré-condição necessária para a formulação do planejamento estratégico da Companhia, que será aprovado até o final de agosto.

Unidade de Campos Novos

A unidade da BRF Brasil Foods, em parceria com a Copercampos, foi inaugurada em Campos Novos no ano de 2011, com investimentos de R$ 145 milhões. Após a inauguração, a previsão era de que a fábrica geraria cerca de 1,8 mil empregos diretos e 450 indiretos. No entanto, o jornal O Celeiro não consegui informações sobre o número de funcionários que atuam na empresa hoje. Semanalmente a empresa também realiza entrevistas de empregos para cargos de operador, mas não fomos informados se estão sendo realizadas contratações.

A unidade de Campos Novos foi projetada para atender os principais mercados mundiais. De acordo com informações contidas no site da BRF, a planta produzirá cortes de carne in natura e fornecerá matéria-prima para ser utilizada na fabricação de produtos industrializados em outras unidades da BRF. A produção anual está estimada em 151 mil toneladas de carne suína, sendo que a maior parte desse montante será destinada à exportação.

O projeto desta planta faz parte do plano estratégica dentro do plano de crescimento e internacionalização da BRF. A unidade foi construída com avançados padrões de tecnologia e sustentabilidade, o que permitirá direcionar a produção para os mais exigentes mercados do mundo. “A planta de Campos Novos nos trará mais vantagens competitivas para atender ao potencial aumento da demanda internacional com a abertura de novos mercados”, diz José Antônio Fay, presidente da BRF.

Com a fábrica, a BRF ganhou ainda mais eficiência nos processos de suínos em Santa Catarina. Agora, a companhia contabiliza 12 unidades produtivas e dois centros de distribuição no Estado e emprega mais de 20.000 colaboradores diretos e produtores integrados. Além da proximidade com outras unidades da companhia, Campos Novos tem uma localização estratégica, pois está situada perto de rodovias que fazem ligações para os principais portos do Estado, como Navegantes e Itajaí.

A fábrica foi um grande passo para o desenvolvimento econômico de Campos Novos e região, gerando muitas oportunidades de emprego. Porém, após tantas especulações sobre a crise no setor alimentício, não tivemos informações exatas sobre número de profissionais, contratações ou demissões da unidade no município.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1539 de 26 de Julho de 2018.

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