Com a aproximação de Campanha a secretária de saúde alerta sobre a importância da vacinação
Recentemente tem se falado muito na imprensa sobre a poliomielite e o sarampo, doenças que há tempos não causavam preocupação no Brasil. Porém esta situação parece estar mudando e o Ministério da Saúde está em alerta quanto aos possíveis riscos do surgimento da doença. A poliomielite está erradicada há mais de vinte anos, mas o que causa temor é o fato da cobertura vacinal estar diminuindo, significando que muitas pessoas deixaram de imunizar seus filhos. O cenário é grave, pois a poliomielite, ou paralisia infantil, deixa sequelas para o resto da vida. Outra doença que pouco se ouvia falar é o sarampo, mas a baixa procura pela vacina fez com que a doença reaparecesse no cenário nacional. O alerta agora é que pais e adultos se atentem para que o país não sofra um surto de doenças tão graves. A campanha Nacional das vacinas é de 6 a 25 de agosto nas Unidades de Saúde de todo o Brasil.
A secretária de Saúde de Campos Novos, Sandra Maria Rosar Bressola, diz que a situação é preocupante e ressalta a importância da vacinação para a imunização e prevenção de doenças. O município não registra nenhum caso das doenças, mas a secretaria alerta para a criação de uma barreira de proteção para ficarem livres de surtos perigosos. “Os casos estão avançando, já aconteceu mais de 300 casos, se não vacinarmos as crianças é possível que a doença chegue até nós. A doença estava erradicada no Brasil e na América, mas agora está voltando”, relata. A ideia de que a doença está erradicada pode ter influenciados as pessoas a acreditar que não havia mais necessidade de prevenção por meio da vacina, por isso a cobertura vacinal foi diminuindo aos poucos, e hoje causa um cenário de alerta e preocupação. “Não viam nenhum caso da doença, para que vacinar? Não havia risco, pensavam”, reflete Sandra sobre os índices de vacinação atuais do Brasil que decairam grandemente.
O temor do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde é relevante em virtude da gravidade dessas enfermidades. O sarampo e a poliomielite não são doenças simples e de fácil tratamento e podem deixar muitas sequelas, além de poderem levar a óbito em alguns casos. O sarampo deixa muitas sequelas, uma delas é a surdez, mas em crianças pequenas o risco de morte é bem elevado, além de ser extremamente contagiosa. A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, provoca a paralisia dos membros inferiores prejudicando a pessoa pelo resto da vida. A secretária de saúde afirma que nos 32 anos em que trabalha na saúde pública viu poucos casos da doença e as campanhas de erradicação davam certo. “Vamos ter que começar tudo de novo, não deveria acontecer se as pessoas tivessem levado a sério e não deixassem de vacinar”, pondera. “A volta dessas doenças causa desconforto para as famílias e mais custos para o estado”.
A recomendação do Ministério da Saúde é que pelo menos 95% da população esteja imunizada para que a doença não se espalhe. De acordo com o Departamento de Vigilância Sanitária de Santa Catarina, o estado não registrou nenhum caso desde o ano de 2013. No Brasil a região Norte registra vários casos, no estado de Roraima já são 200 casos 2 duas mortes, e no Amazonas são 263 casos sem registro de morte. Também há notificações no estado do Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.
O apelo feito aos pais é que todos se conscientizem da importância da vacina e levem seus filhos para vacinar contra o sarampo e poliomielite. Crianças a partir dos 12 meses de idade, adolescentes e adultos até 49 anos de idade. Para crianças é administrada aos 12 meses com a vacina tríplice e aos 15 meses de idade deve receber uma segunda dose com a vacina tetraviral. Se não foram vacinados anteriormente, adolescentes e adultos até 29 anos de idade devem receber duas doses da vacina tríplice viral. A partir de 30 até 49 anos de idade, se não vacinados anteriormente, devem receber uma dose. Profissionais de saúde, independente da faixa etária, devem receber duas doses. Para agilizar o atendimento é importante que as pessoas tragam a carteirinha de vacinação e o cartão do sus.
“Os antivacinas”
Muitos pais deixaram de vacinar seus filhos por descuido, mas outros decidiram conscientemente não imuniza-los. Este é o chamado movimento antivacina, movido por pais que acreditam que as vacinas podem em longo prazo trazer prejuízos aos filhos. Este grupo de pais preocupa o Ministério da Saúde, pois a resistência contra a vacinação abre uma brecha para a entrada de vírus trazendo riscos para toda a população. “Não há motivo para temer, não há comprovação científica que a vacinação traga algum mal para as crianças, pelo contrário”, afirma Sandra. A ação desses pais só irá dificultar que doenças infecciosas sejam eliminadas por completo.
O movimento antivacina ganhou força após a publicação de um artigo científico em uma importante publicação de saúde no ano de 1998, em que um médico associou o aumento do número de crianças autistas com a vacina tríplice viral. Divulgado tal publicação, muitos pais assustados com a notícia deixaram de vacinar os filhos. Mas, anos depois, foi descoberto que o médico autor da publicação recebia pagamento de advogados em processo por compensação de danos vacinais.
Esclarecendo dúvidas
Quem não pode receber a vacina?
Há 2 contraindicações mais importantes: gestantes e pessoas que tenham quaisquer tipos de imunossupressão. Quem está com febre ou com um quadro infeccioso agudo, convém esperar melhorar para receber a vacina.
Quais os efeitos colaterais da vacina?
Esta vacina pode dar, até uns 14 dias após a aplicação, um quadro de febre, mal estar e podem surgir pintinhas vermelhas pelo corpo. É um quadro benigno, que evolui espontaneamente para melhora. É uma vacina bastante segura. Vacinem-se. Essa é, de longe, a melhor forma de proteção que podemos ter contra muitas doenças.
O que fazer se perder o prazo?
Sem pânico. Essas vacinas fazem parte do calendário nacional de vacinação e estão disponíveis nos postos durante o ano todo. A Campanha é apenas uma forma de chamar a atenção dos pais e responsáveis para que não se esqueçam de proteger seus filhos.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1539 de 26 de Julho de 2018.







