Lixo Eletrônico: O que fazer com ele e quais seus riscos?

Avanços tecnológicos promove descarte acelerado de produtos eletrônicos

Mais uma nova categoria de lixo emergiu nos últimos anos em virtude dos avanços e modernizações tecnológicas, o lixo eletrônico, que devido o desenvolvimento de novas tecnologias faz com que aparelhos eletroeletrônicos se tornem antiquados e caiam em desuso sendo descartados por pessoas que exigem o que há de mais moderno e tecnológico. Nunca antes se produziu tanto lixo eletrônico como nos últimos anos, mas o que pode ser classificado como lixo eletrônico? Qual a diferença entre esse tipo de lixo e o lixo comum? E quais são os riscos do acumulo desse tipo de material para o ser humano e para o meio ambiente?

Alguns exemplos de lixo eletrônico são os aparelhos celulares, onde um aparelho de última geração em poucos meses de torna ultrapassado. Outro exemplo são os pequenos parelhos de Music player, da euforia do surgimento do MP3 até o MP5, por exemplo, foram 2 ou 3 meses, para logo depois surgir outro aparelho que superou todos os MPs, tornando-os obsoletos também, e assim, acompanhando essa evolução que parece não ter limites e o consumismo desenfreado, o volume de lixo eletrônico também não parece ter limites. Além destes de menor porte, tem gabinetes de computador antigos, que foram substituídos por notebooks, impressoras antigas, e demais aparelhos que foram colocados de lado e já não tem serventia para ninguém. Entram nessa lista também as pilhas usadas, controles remotos antigos e tudo que tiver uma raiz eletrônica.

A engenheira sanitarista e ambiental Deisi Borga esclarece os riscos e a situação atual desse tipo de lixo no mundo. De acordo com ela, a industrialização tem aumentado o lixo eletrônico no mundo. “A Terra tem 7,4 bilhões de habitantes e com um planeta se industrializando em ritmo acelerado, cada vez mais essa pilha de descarte é composta por eletrônicos. Desde grandes máquinas a celulares, o lixo eletrônico está crescendo. O Global E-waste monitor 2017 revelou que, em 2016, foram eliminados 3,3 milhões de toneladas de produtos com bateria ou plug, número 8% maior que o gerado em 2014”, afirma. Ela ainda acrescenta que com base neste crescimento prevê-se muitas mais sujeira eletrônica em breve um aumento de 17%, equivalente a 52,2 milhões de toneladas nos próximos 3 anos. “Vivemos em um tempo de transição para um mundo mais digital, onde automação, sensores e inteligência artificial estão transformando todas as indústrias, nosso cotidiano e nossas sociedades”, pondera. Apenas 20% do lixo eletrônico produzido em 2016 foi recolhido e reciclado. Cerca de 4% foram jogados em lixões, e 76% (ou 34,1 milhões de toneladas) acabaram incinerados, aterrados, reciclados informalmente (e, portanto, de maneira insegura) ou continuaram armazenados nos lares.

Talvez alguns achem que não há diferença entre os lixos e que tudo deve ser destinado para o mesmo lugar que o lixo comum, no entanto, Deisi explica que a diferença está na composição do lixo eletrônico, mas ressalta que os principais problemas estão relacionados ao que causam ao meio ambiente e a saúde pública. “Quando não são descartados corretamente, todos os tipos de lixo eletrônico são perigosos. Isso porque possuem elementos químicos fortíssimos para a natureza, especialmente metais pesados como chumbo, mercúrio, fosforo, arsênico ou cadmio. Essas substâncias podem contaminar o ar, solo e a água. O desuso dos eletrônicos como as pilhas, baterias e computadores em desuso não podem ser descartados sem critério porque são tóxicos e trazem riscos à saúde e ao meio ambiente”, salienta.

Neste caso, o que fazer com o lixo eletrônico que eu tenho em casa? Segundo prevê a lei, os produtos ou peças eletrônicas que não tem mais utilidade devem ser entregues nas lojas que os vendem para que sejam devolvidos aos fabricantes, que são obrigados por lei a darem destino correto aos resíduos, ou levados para centros de triagem para serem separados e reaproveitados. Parte destes produtos são destinados a reciclagem, porém isso acontece ainda em pequena escala. A maior parte dos metais é exportada para países que detêm a tecnologia para isso. As peças vão para o exterior onde as substâncias tóxicas são separadas e reaproveitadas em novos produtos, como celulares, baterias.

Há mais de 5 anos a CDL realiza um trabalho junto a Amplasc para o recebimento de lixo eletrônico. Em Campos Novos, a administração Municipal cedeu um espaço na Secretaria de Obras que abriga um contêiner para o descarte do lixo eletrônico. As pessoas que precisam descartar esse tipo de lixo podem levar ate o local nos horários de funcionamento da secretaria.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1543 23 de Agosto de 2018.

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Jornal Celeiro
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