Luiz Carlos Chiocca diz que a expectativa para 2019 é positiva, apesar dos altos custos de produção

Presidente da Copercampos vislumbra boas safras e bons negócios para o ano que se iniciou.

Luís Carlos Chiocca

Em entrevista ao jornal o Celeiro o presidente da Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos, (Copercampos), Luís Carlos Chiocca contou sobre as perspectivas para o ano de 2019. A cooperativa no ano de 2018 comemorou seu contínuo crescimento e os investimentos que foram feitos para melhorar e fomentar o agronegócio, mas o trabalho continua, apesar de estar no início do ano, espera-se que as condições políticas, cambiais e climáticas contribuam para que os produtores tenham bons resultados. “É difícil falar sobre perspectivas para esse ano porque tem muita coisa acontecendo, mas estamos otimistas com tudo que está por vir. Espero que tenhamos um bom ano”, declarou.

No ano de 2018 o Brasil enfrentou uma grande crise econômica que trouxe muitos reflexos negativos para o setor do agronegócio, mas a empresa contornou a situação e conseguiu se manter e ter resultados positivos. Muitas mudanças e modificações ainda acontecerão durante os 11 meses que se seguem, estamos preparados para se adequar as realidades que se apresentarem.

Com relação a produção de grãos existem alguns pontos negativos que os produtores estão enfrentando, como as constantes chuvas e a presença de doenças e pragas. Além disso, o que vem preocupado a cooperativa é o custo de produção que tem sido bem alto, fato que diminui o lucro para os produtores. Chiocca conta que a margem de lucro diminuiu muito, na soja se tinha uma margem de 35%, hoje a margem é de cerca de 22% e os preços de mercado estão mais baixos. Acredita-se que esta seja apenas uma fase e que as coisas melhorem nos próximos meses, apesar de todos esses fatores os principais grãos estão se desenvolvendo bem. “As perspectivas de produção na região são muito boas mesmo com as chuvas e intempéries. As doenças estão avançando bastante, o custo subindo, e a perspectiva de preço estão defasadas, mas vamos aguardar as quebras que estão sendo anunciadas. Espero que nossa região se saia bem apesar de não termos problemas de estiagem. O milho está se desenvolvendo muito bem. A soja espetacularmente bem, apesar das doenças. O feijão teve sua área diminuída com perspectivas de preços bons, e ainda é cedo pra falar. Plantamos com custo mais alto, e o dólar estava alto. Mas temos sempre que pensar que o melhor vai acontecer” relatou.

Diante das crises enfrentadas e dos altos custos de produção a empresa tenta lidar com estas questões negativas por meio de atitudes que promovem a economia e cortes de gastos desnecessários. Para tanto o presidente vem diminuído o número de contratações. A empresa nunca precisou tomar atitudes drásticas, como corte em massa de funcionários. E para Chiocca isto não precisará acontecer, pois a cooperativa tem trabalhado e investido para lidar com as intempéries. O setor da agricultura é sempre oscilante e as situações podem mudar a qualquer hora. Neste segmento é preciso trabalhar de forma dinâmica.

“No ano passado passamos por dificuldades e depois os preços reverteram. Este ano podemos seguir o mesmo caminho. No início tivemos um problema de preços e margens, mas tudo pode mudar em dois meses. Temos que esperar a safra, e ver o que vai acontecer, se ver que não dá pra passar o ano vamos tomar medidas drásticas que envolvem a diminuição de custos. Temos um planejamento estratégico que envolve o aumento de áreas de ação, e esperamos que essas áreas correspondam aos investimentos feitos e que aumentem o nosso recebimento, consequentemente vai diluir nosso custo fixo. Fizemos grandes investimentos em 2018, e estamos finalizando estas obras, novos investimentos ainda não estão sendo feitos”, ponderou.

Agricultura de Precisão

A chamada Agricultura 4.0, que é focada em tecnologia, tem sido parte das melhorias e investimentos feitos para melhorar a produtividade.

Uma das ações que fazem parte desse processo é a Agricultura de Precisão, que consiste na preparação e correção de solo para que o produtor invista menos e produza mais. A ação deixa a terra mais fértil, diminuído a utilização de insumos e, consequentemente, reduzindo os custos, fazendo com que o produtor tenha mais produtividade.

A meta do Copercampos é que todos os produtores se adequem ao este tipo de agricultura. “No início o investimento é alto, mas os resultados podem ser positivos. Já existem produtores que fizeram este investimento, mas a cooperativa quer padronizar para que todos os produtores possam se adequar. Queremos entrar com mais afinco nesse projeto através dos técnicos, e possamos atingir um maior número de produtores, para que possam acompanhar a agricultura moderna. Ao invés de investir em novas áreas é melhor ele aumentar a produtividade das áreas que ele já tem”, afirma.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1562 de 24 de Janeiro de 2019.

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