Ponto de vista realista sobre maturidade ajuda aceitar a velhice

Profissionais falam o que contribui para envelhecer com saúde e jovialidade

Nesses primeiros meses de 2019 viralizou nas redes socias a hashtag 10yearsChallenge, traduzindo, quer dizer: Desafio dos 10 anos, uma brincadeira nostálgica em que o usuário da rede postava em seu perfil uma foto própria de 10 anos atrás e uma foto atual para comparar as mudanças decorrentes da passagem do tempo. A maioria, incluindo as celebridades, aderiu à campanha, principalmente aqueles com quem o tempo foi generoso, e as postagens renderam muitas risadas e comentários. A repercussão de tudo isso e, principalmente, alguns comentários nos faz perceber a importância que as pessoas dão a aparência e a preocupação que muitos tem com a velhice e suas marcas. Todo mundo sabe que não existe formula da juventude, mas a velhice não é um bicho de sete cabeças e quando entendemos que a maturidade é inevitável, aceitamos bem a velhice e as marcas do tempo, e mesmo com as limitações é possível viver bem. Confira as dicas para chegar a terceira idade sem neuras, medos e com saúde, que é o mais importante.

Carla Fabiana Campos Pereira

“Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria”, a frase parafraseada foi usada pela psicóloga Carla Fabiana Campos Pereira, que atua na clínica Evoluir. Ao falar sobre o processo de envelhecimento, a profissional esclareceu que envelhecer não precisa ser considerada um peso, mas pode ser visto de forma positiva, pois todas as fases podem ser bem vividas quando cada um se aceita e, acima de tudo se ama. Mas o medo de envelhecer e parecer sempre jovem tem feito com que pessoas prossigam numa busca incessante pela beleza e juventude eterna, uma busca que muitas vezes leva a frustração, pois sim, os anos passam e passam rápido. A psicóloga Carla relata que isso se dá porque a sociedade prega um padrão de beleza, e infelizmente, alguns querem alcançar esse padrão, custe o que custar, com o objetivo, não de se auto satisfazer, mas, simplesmente para atender a expectativa de outros, nesse processo alguns acabam perdendo a própria essência. “A sociedade prega um padrão de beleza, mas não prega um padrão de ser humano. Cada ser é único, e por isso cada um terá sua individualidade, e, consequentemente, a beleza vem a ser além da aparência física”, ressalta.

Carla afirma que para nadar contra essa corrente pregada pela sociedade e deixar de ser escravo dos padrões estabelecidos, é essencial aprender o amor-próprio, pois, assim conseguiremos envelhecer com saúde física e mental. “O ser humano hoje está carente de amor próprio. Devemos aprender a gostar de quem somos, valorizar as conquistas, entender que tudo na vida trazem perdas e limitações, mas trazem ganhos de experiencia de vida. Cada ruga, cada linha traz uma história e essa história que nos ajudou a crescer. Valorize cada linha de expressão”, aconselha. Mas as reflexões de Carla não significam deixar de lado a vaidade, para ela o que realmente faz mal é a falta de equilíbrio que torna as pessoas constantemente insatisfeitas e opressivas consigo mesmas. “A vaidade nos leva a cuidar do corpo, da pele, e da saúde. E se eu não gosto de algo em mim eu posso fazer algo, mas, o importante é eu entender porque eu estou mudando. É por amor a mim ou em função de necessidade de me sentir aceito pela sociedade ou pelo outro? A vaidade exagerada faz com que a pessoa busque mudanças físicas, sendo que o que ela não aceita em si, talvez nem seja o físico”, alerta.

Envelhecendo com saúde

Sabemos que não é possível evitar o envelhecimento, mas cada um pode tomar atitudes para contribuir para que essa fase seja vivida com saúde e prazer. O médico Riscala Miguel Fadel conta existem dois tipos de idosos: o bem-sucedido e o malsucedido. De maneira simples ele explica que o malsucedido é aquele que não se cuidou durante a juventude, e o bem-sucedido é aquele que se preparou para a velhice e por isso chega na terceira idade em atividade. “A medida que a gente aumenta em idade as condições físicas vão diminuindo e as atividades precisam também ser diminuídas. Mas você tem que manter-se em atividade, e a parte psicológica precisa estar viva”, declara.
Riscala Miguel Fadel
Dr. Riscala explica que a expectativa de vida aumenta quando passamos a ter um estilo de vida mais saudável. Segundo ele é preciso evitar práticas que encurtam a vida, como o uso de drogas ilícitas, o uso de álcool e do cigarro. Mas além disso, é preciso investir em atividades físicas regulares, boa alimentação, com ingestão de pouco açúcar e sal, e uma vida menos estressada. E com o avanço dos anos essas atitudes se fazem ainda mais ncessárias, assim como também a ida regular ao médico para verificar como está a saúde do paciente. “Nossas decisões podem fazer com que tenhamos um bom trânsito de vida e nos aproximemos da velhice com qualidade de vida e capaz de realizar certas atividades”, afirma.
Citando-se como exemplo, Dr. Riscala diz que apesar de já estar na terceira idade, ele continua em atividade e não tem pretensão de parar ainda. Para ele isso é o resultado de uma vida regrada e saudável. Hoje ele não faz mais as mesmas coisas que fazia anteriormente, mas dentro de suas possibilidades ele leva uma vida ativa e continua trabalhando em seu escritório. “As pessoas perguntam: o senhor ainda está trabalhando? Eu respondo: enquanto a cabeça estiver boa eu vou trabalhar. Lógico que não tenho as mesmas capacidades, já não faço o que eu fazia antes, como cirurgia e parto, mas durante o dia trabalho normalmente, como se fosse um piá”, relata com bom humor.
Portanto, para viver bem, em qualquer fase da vida, é bom cuidar de si, por dentro e por fora. A saúde física e mental permitirá que todas as pessoas vivam bem dentro de suas limitações. E a regra é geral para todos: Atividades físicas e mentais, exercitar a mente por meio de uma boa leitura também é importante, e uma alimentação saudável são essenciais.

*Reportagem Publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1566 de 21 de Fevereiro de 2019.

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