Importante e mais antigo prédio do município irá comemorar centenário e sediar evento nacional
O mês de maio será de grande alegria e comemoração no município, neste mês a Fundação Cultural Camponovense realizará a 17° Semana Nacional do Museu e irá celebrar os 100 anos do prédio que a abriga, o mais antigo do municipio. A programação da 17° Semana Nacional do Museu faz parte do calendário do Instituto Brasileiro de Museus – IBRAN, que acontecerá de 13 a 19 de maio e tem como tema ‘Museus Como Núcleos Culturais: O Futuro das Tradições’. No dia 13 será a abertura oficial do evento e nesta mesma data, às 9h da manhã, será realizada a comemoração do centenário do prédio que já abrigou importantes instituições administrativas do município.
Marli Becker, superintendente cultural, está a frente dos preparativos para os dias de evento, e ressalta que o tema do evento se aplica bem ao município que tem se empenhado em preservar e manter viva a tradição local. O evento conta com a participação e apoio do CTG Porteira Camponovense. “Estamos adaptando e preparando o museu para a recepção dos nossos convidados e visitantes. Vamos servir um bolo em comemoração a esse momento que é especial e no decorrer do dia teremos a programação da Semana do Museu que contará com palestras, sarau, contação de histórias e exposição histórica”, contou. Em breve o prédio deverá receber uma reforma estética para o evento.
Em sua 17° edição, a Semana Nacional do Museu trará um rico cardápio cultura que poderá ser prestigiado por toda a comunidade camponovense. Após a abertura oficial e celebração da data, a programação segue com exposições de peças históricas e arqueológicas coletadas no município e região. Nos demais dias também serão realizadas mais exposições, visitações guiadas, relatos de histórias sobre as tradições do povo camponovenses contadas por historiadores locais e sarau de músicas tradicionalistas e declamação de poesias realizados por músicos locais, alunos e professores da Fundação Cultural. O evento é aberto para comunidade, para as escolas estão sendo feitos agendamentos porque eles vêm em grupo. Desde já as escolas já podem entrar em contato com a Fundação para agendar a visitação.
Marli comemora e destaca a realização do evento e seu importante tema que promove a valorização das raízes de uma sociedade. “A necessidade de se manter as tradições é grande, porque temos que ter uma identidade, não existe um povo sem identidade. Quando valorizamos no presente aquilo que foi vivenciado pelos nossos antepassados nós estamos projetando o futuro. Eu gostaria de ver essas gerações de hoje vivendo não igual, mas sabendo que dentro de nossas raízes existe um direcionamento, uma questão moral, de educação, dos costumes, de gostos, de músicas, de danças e de culinárias, e a gente precisa manter isso. A juventude vai buscar novos objetivos de vida e novos propósitos e não podemos deixar isso morrer porque se não acaba a história. A tradição precisa ser mantida, não podemos deixar de trabalhar isso”, defende.
Como superintende da Fundação Cultural Marli encabeça um trabalho de incentivo a cultura e ao tradicionalismo da região. Os alunos da Fundação são ensinados a respeito da cultura e tradição local por meio das danças e declamações tão comuns de épocas passadas. Porém Marli comenta que muito mais poderia ser feito como forma de manter e dar a conhecer a cultura local. “Hoje não conseguimos oferecer mais oportunidade por falta de espaço, mas nossa intenção seria trabalhar a cultura de forma geral, não somente a música, a dança e a declamação, mas a culinária e o artesanato, que são muito importantes. Se um dia tivéssemos um centro de cultura com locais para desenvolver curso de culinária e de artesanato seria muito bom. Temos forte o consumo do pinhão, do feijão, e toda a produção de grãos que temos no município para fazer um prato típico e transforma-lo num patrimônio imaterial do município. Nosso artesanato é rico, hoje poucas pessoas conhecem e é pouco incentivado. Temos que resgatar o trabalho do passado e somar aos trabalhos contemporâneos. Mas O que fazemos hoje já ajuda a manter a tradição e a ensinar aos alunos que fazem parte dos trabalhos realizados da fundação”, declarou.
Um Edifício que conta histórias
Nestes quase cem anos de existência o edifício, que hoje é sede do Complexo Cultural Camponovense, já foi sede de vários órgãos administrativos de Campos Novos. Sua construção foi iniciada em 1910, tendo seu projeto desenhado pelo arquiteto Agostinho Malinverni e executado por Ricardo Veronese. Apenas em 1919 ele começou a ser utilizado para sediar a Prefeitura, anteriormente denominada de Superintendência Municipal. Com o tempo a prefeitura se mudou para outro ambiente, e o prédio abriu portas para abrigar o Fórum de Justiça do município e um tempo depois a Câmara de Vereadores. No ano de 1981 o prefeito Sebastião Correa criou o Museu Municipal no prédio, e em 1983 o prefeito Mansur Melquides Elias aproveitou a ideia do museu e criou a Casa da Cultura Coronel Gasparino Zorzi. Na administração de Romildo Titon, em 1990, foi criado o Arquivo Histórico Valdemar Rupp. Todos funcionam paralelamente no mesmo prédio e fazem parte do Complexo Cultural de Campos Novos.
Em 2015 houve a construção de mais um prédio aonde são realizadas aulas de música, construído com recursos advindos da Usina Elétrica Campos Novos, como forma de compensação. Este ambiente foi construído para ser um laboratório de Arqueologia para agregar ao Museu e ao Arquivo Histórico, mas no decorrer dos anos ele foi usado com outro objetivo. Pretende-se, em breve, utilizar o local para o seu devido fim, como laboratório arqueológico.
O espaço que hoje abriga o Complexo Cultural é de grande importância para o município, não só por seu tempo de existência, mas também por carregar o histórico de Campos Novos. Uma infinidade de arquivos se encontra sobre posse do órgão. Em breve todos esses documentos serão digitalizados. Marli comenta que uma profissional que passou no concurso público irá iniciar os trabalhos para organização das pastas, para então a Administração Municipal contratar uma empresa para digitalizar as informações. “É uma forma de respeito a história local, temos que começar o quanto antes”, conclui.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, edição 1575 de 25 de abril de 2019.










