Síndrome de Burnout: Quando o trabalho causa estresse crônico

Quando o sofrimento se torna constante é importante buscar ajuda profissional.

Ser inserido no mercado de trabalho é a busca de muitos neste mercado competitivo, porém quem já está em atividade laboral enfrenta outro tipo de preocupação: o estresse ocupacional. Sabemos que o estresse é comum a todos, e até funciona como um estimulante que leva a ação. Mas o estresse no trabalho passa a se tornar um problema sério quando ele se torna diário, excessivo e desgastante, podendo até mesmo virar uma patologia. Estar submetido a situações constantes de tensão emocional pode levar a Síndrome de Burnout, também chamada de Síndrome de Esgotamento Profissional. Se não for observada e devidamente tratada ela poderá levar ao afastamento do trabalho. Os profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno. O médico do trabalho, Clomar Francisco, relatou como reconhecer esta síndrome que tem se tornado comum na atualidade.

Clomar Francisco

Ter um dia ruim no trabalho é normal, mas é preciso estar atento aos sinais que indicam que o estresse passou dos limites da normalidade. Quando as situações desgastantes no trabalho estão no limite do insuportável, os funcionários podem sentir irritabilidade, mudanças bruscas de humor, agressividade, baixa-autoestima, perda de memória, dificuldade de concentração, isolamento, dor de cabeça, sensação de cansaço, sudoreses, palpitação e dores musculares, alguns desses sintomas podem aumentar a propensão a adquirir depressão, pressão alta, transtornos generalizado de ansiedade, síndrome do pânico, insônia e distúrbios gástricos como gastrite.
Mas o quem tem levado às pessoas a sentirem esta tensão tão grande no trabalho? São inúmeras e diferentes situações, e nem sempre está ligada apenas a um chefe chato e exigente. Em sua prática clínica, Dr. Clomar conta o que tem presenciado. “Vemos o aumento significativo das queixas em relação aos fatores geradores de ansiedade no trabalho. As causas que mais observamos é certa insatisfação no trabalho, sensação de não ter tempo para mais nada além do trabalho. Nos últimos dois anos, observamos outro fator de ansiedade que é a preocupação com a manutenção do emprego devido as incertezas econômicas que o pais atravessa. Com relação aos afastamentos laborais, observamos um aumento nos casos de doenças mentais, entre elas os distúrbios de ansiedade, como transtorno de pânico, fobias e ansiedade generalizada. Houve também um aumento significativo nos casos de depressão, que atualmente está atrás apenas dos acidentes de trabalho e dos problemas osteomusculares nos afastamentos previdenciários”, relatou.

Pessoas que se encontram em situação laboral estressante precisam buscar ajuda profissional médica para que possam exercer suas funções de trabalho de forma saudável, afinal o trabalho é uma parte importante da vida do ser humano, e é vital encontrar o equilíbrio em todos os setores da vida. Com ajuda médica será possível avaliar quais são os fatores desencadeadores do estresse e irá diferenciar quais estão relacionados ao seu trabalho e quais estão relacionados a personalidade, e a partir dai poderá propor estratégias. Em alguns casos é indicado uma mudança de estilo de vida ou mesmo tratamentos medicamentosos e terapias.

Nem sempre será possível mudar de profissão ou de empresa de uma hora para outra, mas sempre é possível fazer algo para buscar mais qualidade de vida. Para quem está insatisfeito com o trabalho, Dr. Clomar aconselha a pessoa a traçar metas para conseguir mudar de vida. No caso daqueles que amam o que fazem, mas ainda assim enfrentam situações estressantes, estes devem encontrar um tempo para momentos de lazer. Uma das alternativas para enfrentar este problema é a realização de atividades físicas regularmente, pois ajudam na produção dos hormônios do bem-estar. “

Ter planejamento para a vida faz com que que as pessoas sejam mais positivas. A mudança no estilo de vida, os cuidados com a alimentação também são importantes. É bom evitar substâncias a base de cafeína, pois causa muita ansiedade. Deve-se evitar o uso do cigarro e do álcool, pois dão um sensação do alivio do estresse, mas cumulativamente aumentam o estresse e aumentam o risco de doenças”, aconselha Dr. Clomar. Para que isso aconteça é preciso fugir das desculpas e agir de forma ativa, estabelecendo suas prioridades. “É preciso estabelecer horários para trabalhar, inclusive no final de semana. Não deixe que o trabalho o domine. A vida não pode ser resumida ao trabalho. Estabeleça limites, organize os horários para ter momentos de trabalho e de lazer. Defina suas prioridades e se coloque em primeiro lugar”, prossegue.

Quando um funcionário não resiste à pressão no ambiente de trabalho, as empresas também sofrem com isso. Os números de trabalhadores acometidos por doenças que tiveram o estresse como base devem servir de alerta para que os empresários ofereçam condições que favoreçam a saúde de seus funcionários. “Devemos incentivar as empresas a investir em prevenção e em atividades de lazer, de relaxamento e de atividades físicas nos locais de trabalho. Promover a qualidade de vida, saúde e segurança dos funcionários não é um gasto, é um investimento”, conclui Dr. Clomar.

*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1583 de 20 de junho de 2019.

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