É necessária uma política federal que incentive a indústria, diz presidente da Fiesc

Mario Cezar de Aguiar

Em entrevista à coluna Pelo Estado e à Rede Catarinense de Notícias, Mario Cezar de Aguiar lamentou os entraves ao setor e propôs soluções

Em agosto, Mario Cezar de Aguiar completa um ano à frente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Apesar dos bons números catarinenses, ele está preocupado com os dificuldades do setor e os entraves que impedem maior desenvolvimento. Para aumentar a competitividade, uma de suas principais bandeiras é a infraestrutura.

Em entrevista à coluna Pelo Estado e à Rede Catarinense de Notícias, Aguiar defendeu a desburocratização, a reforma tributária e a capacitação de gestores e trabalhadores.

Pelo Estado/Rede Catarinense de Notícias – Como o setor industrial avalia o primeiro semestre de 2019?

Mario Cezar de Aguiar – Vou começar falando sobre o Brasil. Havia uma grande expectativa com a eleição do novo governo. Estava extremamente elevada desde que nós medimos o índice de confiança do empresariado e foi, se não a mais alta, uma das mais altas. Mas, em função da ausência de uma solução efetiva das reformas, que se imaginava que seriam logo implementadas, a confiança foi diminuindo. O setor produtivo como um todo esperava que a reforma da Previdência passasse rapidamente e até hoje não foi aprovada. A reforma tributária também frustrou a expectativa.

PE/RCN – Além das reformas, que outros indicativos levaram ao recuo nos planos de investimentos?

Aguiar – Havia uma previsão de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] nacional, mas o mercado já rebaixou a projeção por 17 vezes e hoje está em 0,87%. O governo também já reduziu a expectativa de crescimento por três vezes.

PE/RCN – A situação é a mesma em Santa Catarina quanto à confiança do industrial?

Aguiar – Não. Ao contrário do Brasil, Santa Catarina teve indicadores bem mais positivos no primeiro semestre. Somos o segundo estado com maior contratação de pessoas para a indústria, o de menor taxa de desemprego e a nossa economia tem aumentado bem acima da média nacional. O índice de atividade econômica de Santa Catarina até abril estava em 2% e do Brasil estava, na média, em 0,06%. Nossas exportações aumentaram 12,2% de janeiro a maio, contra um decréscimo de 0,9% do país. No caso das importações, em Santa Catarina houve incremento de 12% contra 1,8% da média nacional.

PE/RCN – O que explica tanta diferença?

Aguiar – São vários fatores. Temos uma indústria mais diversificada, uma economia mais bem distribuída e somos um estado empreendedor. Santa Catarina acaba se destacando no cenário nacional.

PE/RCN – O governo federal suprimiu o Ministério da Indústria, agora parte do Ministério da Economia. A indústria teve prejuízo com a mudança?

Aguiar – Haver ou não haver um ministério específico para o setor industrial é mero detalhe. O que tem que haver é uma política federal que incentive a indústria. O setor sempre teve uma participação importante na produção de riquezas, na geração de emprego, na arrecadação de tributos. É fato medido que onde tem indústria, o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] é elevado. Depois do sistema bancário, a indústria é a que melhor remunera. Então, uma política que fortaleça, incentive e aumente a produção industrial é essencial.

PE/RCN – A produção industrial brasileira está em queda. O que fazer para retomar a industrialização?

Aguiar – O que nós precisamos, além de uma política industrial, é de mecanismos que possibilitem a competitividade da indústria. Isso passa por uma melhor infraestrutura, precária no Brasil, por uma desburocratização e pela reforma tributária. Hoje nós exportamos impostos. A carga tributária é extremamente elevada. Mas também passa por um processo de capacitação dos nossos industriários, dos nossos gestores e dos nossos trabalhadores, até para nos adaptarmos à nova realidade mundial, de uma indústria muito mais moderna.

PE/RCN – Como o senhor avalia o cenário político-institucional do país no primeiro semestre do ano?

Aguiar – Acho que o governo federal, talvez até por inexperiência, não teve uma condução tão precisa na relação com o Congresso e houve alguns desencontros. Mas isso vai se resolver agora no segundo semestre. O entendimento com o Congresso deve fluir melhor. Embora os poderes sejam autônomos, independentes, devem exercer o diálogo constantemente para que as soluções fluam com mais celeridade.

PE/RCN – E quanto ao governo estadual?

Aguiar – O estadual também é um governo novo, sem experiência. Mas está num bom caminho, abrindo espaço para sermos atendidos, vem demonstrando interesse em melhorar a eficiência do Estado, e isso é extremamente interessante. Nós apoiamos todas as ações neste sentido. É preciso que se tenha a clara visão de que é preciso fazer investimentos na infraestrutura, fundamental para melhorar o desempenho de Santa Catarina.

Por: Andréa Leonora e Murici Balbinot

*Informações: Rede Catarinense de Notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.