Quando a burocracia trava a economia

Demora na emissão de licenças ambientais paralisa centenas de empreendimentos do agronegócio em SC com prejuízos nas exportações e na geração de empregos

José Zeferino Pedrozo

O esforço de produtores e empresários rurais para ampliar a produção de suínos e fazer girar a economia catarinense está sendo anulado pela burocracia: centenas de propriedades rurais – no grande oeste catarinense – esperam a emissão do licenciamento ambiental para alojarem e produzirem suínos destinados à exportação e ao mercado interno.

São milhões de dólares que deixam de entrar na economia e centenas de empregos que deixam de ser criados em razão da lentidão do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, organismo vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável.

Essa situação foi levantada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e levada pelo presidente José Zeferino Pedrozo,  nesta semana, ao conhecimento do presidente do IMA e à Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Rural. “A situação está ficando insustentável”, alertou o dirigente.

As licenças ambientais estão demorando até um ano para serem emitidas. O emprendedor rural necessita de licenças em várias fases: para fazer a terraplenagem, para aprovação do projeto de construção ou de ampliação e para início do alojamento. Ou seja, o empreendimento requer o chamado “licenciamento trifásico”: uma prévia, a licença de instalação e a de operação. Depois, ainda precisa obter a renovação a cada dois anos para continuar na atividade.

Pedrozo assinalou que também há problema na renovação das licenças de operação. Tornou-se praxe o produtor rural solicitar a renovação quatro meses antes do término, mas, mesmo assim, a emissão da licença tarda, demora e muitas vezes obrigando o suinocultor a suspender a atividade a espera do documento.

É uma demora longa e custosa. Os novos criatórios tem em média capacidade para 1.000 animais e custam cerca de 500 mil reais cada unidade. Em muitos casos, o produtor toma financiamento bancário para instalar o empreendimeto, mas, em face da procrastinação, as parcelas financiadas começam a vencer antes do início das atividades. Essa situação coloca o criador em apuros, pois justamente com o início da produção pecuária ele resgataria a dívida.

PERDENDO O TIMMING

As condições do mercado internacional, em face das compras maciças que a China está fazendo, abriram uma janela de oportunidades para ampliar a base produtiva no campo e na indústria e aumentar as exportações de carne suína. A burocracia estatal, porém, está inviabilizando centenas de projetos de investimentos.

O presidente exemplifica que somente a Cooperativa Central Aurora Alimentos está duplicando uma planta industrial em Chapecó e aumentando o abate diário em mais 5.000 suínos (a indústria passará a abater e processar 10.000 cabeças/dia). Para suprir essa necessidade é necessário alojar mais 420.000 suínos no campo, mas a demora no licecenciamento ameaça atrasar o cronograma de investimentos e de produção. Cenário provável: a indústria ficará pronta e faltará matéria-prima.

A Federação apurou que a situação é mais grave no extremo oeste e no meio oeste mas, de modo geral, manifesta-se em todas as microrregiões produtoras de suínos.

Tendo em vista que a raiz do problema reside na escassez de recursos humanos no âmbito do Instituto do Meio Ambiente, a Faesc propõe que seja adotada para a suinocultura a solução adotada em 2018 para a avicultura: a criação do Licenciamento por Adesão e Compromisso – LAC.

Esse modelo está previsto nas modalidades de licenciamento ambiental do Estado de Santa Catarina através da Resolução Consema nº 98 de 2017. O LAC é efetuado em meio eletrônico, em uma única etapa, por meio de declaração de adesão e compromisso do empreendedor, mediante critérios e condições estabelecidas pelo órgão ambiental licenciador, no caso o IMA. É como a declaração do Imposto de Renda, o empreendedor informa sobre sua atividade e o Estado o auditará.

José Zeferino Pedrozo observa que “ninguém investe num empreendimento agrícola sem seguir as normas técnicas e ambientais, ainda mais num setor tão fortememte vigiado e regulamentado como a pecuária intensiva”.  Por isso, acredita que o LAC seria uma excelente solução.

*Informações: MB Comunicação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.