Afogamentos aumentam no verão: Atitudes preventivas podem minimizar riscos

Difundir conhecimento é essencial para ajudar as pessoas a evitar acidentes.

O calor se inicia junto ao período das férias escolares, e para curtir o momento nada melhor do que se refrescar numa praia, rio, lago ou piscina. Nada como um corpo de água para aliviar esse calor. Porém, como tudo na vida, a diversão pede cuidado e atenção, pois um simples deslize pode transformar um momento de lazer em desastre. Como muitas pessoas afluem aos balneários e praias o número de afogamentos aumenta significativamente no verão. Anualmente morrem por afogamento cerca de 5.700 pessoas no Brasil. A maioria destas mortes ocorre em rios, lagos, ou represas, longe da prevenção ativa realizada por guarda-vidas. Estas mortes afetam predominantemente jovens do sexo masculino, geralmente por desconhecimento do risco ou por superestimar sua competência aquática.

O Corpo de Bombeiros de Campos Novos já iniciou vistorias nos ambientes da região para se certificar de que os locais ofereçam segurança para os usuários. Em entrevista ao jornal O Celeiro o tenente Nicolas Zanella falou sobre a importância do conhecimento para que as pessoas possam tomar atitudes preventivas e dessa forma os números de afogamentos diminuam. “Temos uma grande quantidade de afogamentos no litoral de pessoas que saem do interior para ir as praias e não tem o conhecimento da sinalização e nem sabem como agir de forma preventiva”, alertou o tenente.

Nicolas Zanella

Nem todos os afogamentos levam a óbito, mas o susto vivido é traumatizante, e em alguns casos há sequelas, pois no momento do afogamento o pulmão e os brônquios são muito afetados. Quando a pessoa submerge rapidamente entra água nas vias aéreas e ela já não conseguem mais fazer uma troca gasosa no pulmão, e parte dos brônquios, ou ele todo, fica preenchido com água, e após alguns minutos se perde a consciência e acontece o afogamento. No caso de o afogamento acontecer por muito tempo e não haja resgate logo acontece o óbito. O tenente Zanella comenta que o afogamento também acontece por fatores associados. “Às vezes a pessoa acredita que ela consegue nadar e perde o fundo e começa a engolir e aspirar água, até que ao desespero ela submerge e se afoga. Ou a pessoa dá um mergulho e colide com uma pedra ao fundo causando um traumatismo, perdendo a consciência e ocasionando um afogamento”, exemplifica.

O risco de afogamento inclui todas as pessoas e idades, tanto pessoas que sabem nadar quanto quem não sabe nadar. O tenente Zanella dá algumas para evitar atitudes temerárias que podem levar ao afogamento:

Crianças: No caso de pais com crianças, é importante o uso de boias, porém o mais importante é mantê-la ao alcance do seu campo visual. Deve-se escolher locais tranquilos. “Não coloque em risco seus filhos e não perca eles de vista. O afogamento em criança ocorre de maneira muito rápida e por desatenção”, alertou.

Adultos: Devem evitar tomar bebida alcoólica em demasia. Quem não sabe nadar não deve passar da linha da cintura para não correr o perigo de se desiquilibrar. Se forem mergulhar devem fazer isos num lugar que já conheçam e sabem que não vão colidir com pedras ou objetos. “É importante que os adultos não se coloquem em risco e não superestimem sua capacidade”.

O que fazer ao presenciar um afogamento?

Em caso de afogamento, a primeira coisa a fazer é tirar a vítima da água. O ideal é socorrer a pessoa que está se afogando sem entrar na água, utilizando uma boia, tábua, colete salva-vidas, corda, galho ou qualquer outro objeto que a faça flutuar ou lhe permita agarrar para não afundar. Nunca tente salvar a pessoa que está se afogando, mesmo sabendo nadar. Sem treinamento é possível que na tentativa de ajudar as duas se tornem vítimas, pois a pessoa afogada entra em desespero muito rapidamente tentando se agarrar a qualquer coisa para flutuar. No caso de conseguir realizar o resgate deite a pessoa lateralmente com o rosto virado para cima, e chame imediatamente ajuda perita.

Semana Latino-Americana de Prevenção a Afogamentos

De 24 a 30 de novembro aconteceu no estado a Semana de Prevenção Latino Americana de Prevenção a Afogamento realizada pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático – SOBRASA que contou com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. O objetivo dessa semana foi reduzir o número de afogamentos através da conscientização, além de atividades preventivas nos ambientes aquáticos. Em Campos Novos os bombeiros locais realizaram algumas palestras e iniciaram vistorias. “Propomos a comunidade a busca por conhecimento sobre prevenção e segurança para evitar afogamentos. Realizamos vistorias locais que tem uso recreativo de ambiente aquático. Em breve vamos iniciar o projeto Golfinho que é uma ação consideramos preventiva ao afogamento aquático”, afirmou o tenente.
Mais informações sobre o tema é só acessar o site: https://www.sobrasa.org/.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição, 1607 de 05 de dezembro de 2019.

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