Dive muda calendário de vacina para reforçar combate a Febre Amarela

Foi confirmado um caso de febre amarelo no estado, e situação deve redobrar a atenção e os cuidados.

Os primeiros meses do ano se apresentaram com uma péssima notícia: a confirmação de um paciente no estado com a Febre Amarela. A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), relatou que o paciente, um homem de 47 anos, está internado no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis. Segundo as informações prestadas pelo órgão, o homem não tem registro de vacina no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI). Este fato levanta um importante alerta sobre a importância de vacinação para a prevenção. Com base neste quadro a Dive alterou o calendário de vacinas para reforçar a luta contra esta perigosa doença. A febre amarela é transmitida por mosquitos em áreas silvestres e próximas de matas. É importante ressaltar que a cobertura preconizada pelo Ministério da Saúde é de pelo menos 95% do público-alvo. Até o momento, a cobertura vacinal do Estado está em 84%, porém muitos municípios estão abaixo desse percentual.

Foram confirmadas as mortes de 7 macacos por febre amarela em 2019. Em 2020 mais de 60 macacos morreram com suspeita da doença no estado. As notificações estão concentradas nas regiões de saúde do Planalto Norte (nos municípios de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho) e Médio Vale do Itajaí (Pomerode, Blumenau e Timbó) e seguem em análise no mesmo Instituto, laboratório de referência para SC. Informações sobre macacos mortos ou doentes devem ser notificados a Secretaria Municipal de Saúde. Os macacos são os primeiros a adoecerem por febre amarela e por isso sinalizam a presença do vírus na região.

Em comunicado oficial, a chefe de imunização da DIVE/SC, Ariele Falho, aconselha a população a buscar a proteção. “Reforçamos que todas as pessoas com mais de 9 meses, que ainda não receberam a vacina, precisam procurar uma unidade de saúde para se proteger. A vacinação é essencial, sobretudo para as pessoas que residem nos locais onde estão ocorrendo as mortes dos macacos” afirma Ariele Fialho, chefe de imunização da DIVE/SC. A febre amarela é uma doença que evolui rapidamente e apresenta como sintomas febre alta de até 7 dias de duração acompanhado de dor de cabeça intensa, dor abdominal, manifestações hemorrágicas e icterícia.

Apesar desses focos se encontrarem em outras cidades, não significa que Campos Novos deve baixar a guarda e não se preocupar com a situação, pelo contrário. O enfermeiro Kleber Siqueira alerta sobre os riscos e sobre os mosquitos que podem armazenar a doença, entre eles o tão famoso Aedes Aegipty. Os mosquitos Sabethes e o Aedes Albopictus, transmissores do vírus geralmente ficam em região de mata, porém o Aedes Aegipty já se adaptou a áreas urbanas e, além disso, ele também tem se procriado em água parada e suja, sendo que antes o inseto só se procriava em águas limpas. Todo cuidado é pouco para manter o mosquito longe.

Proteger-se contra o mosquito é essencial, mas acima de tudo é importante se vacinar contra a doença. Todos os anos as vacinas tem seu calendário alterado com base no comportamento das doenças e dos microorganismos, vírus e bactérias. Kleber ressalta que é um problema que a vacinação não atinja 90% da população esperada. “Sempre há uma mistura entre cepas de vacinas e cepas selvagens, e quando se unem infectam a pessoa e formam uma cepa resistente. Por isso sempre muda o calendário de vacinação e as formulas da vacina ou a quantidade de doses para tentar imunizar as pessoas”, explica Kleber.

O município está preparado para receber a população que precisa se vacinar. As doses estão disponíveis nos Postos de Saúde que possuem sala de vacina. O calendário da Febre Amarela preconiza que crianças de nove meses a 4 anos devem tomar a vacina. Uma dose deve ser tomada com nove meses e outra dose como reforço aos 4 anos. Quem tomou a primeira dose com a idade entre 0 a 5 anos pode tomar o reforço se tiver entre 6 a 59 anos. Gestantes e idosos acima de 60 anos não devem tomar, exceto por recomendação médica.

Os riscos não podem ser minimizados, o vírus esta circulando no estado e é grande a probabilidade que se espalhe se não houver estratégias que o impeça de agir. A população e os serviços de saúde devem estar atentos a casos suspeitos da doença. É urgente a vacinação e os cuidados com o lixo, recipientes descartados que possam acumular água, e demais fatores que atraiam o mosquito transmissor da Febre Amarela e de outras doenças. Quando houver qualquer sinal da doença é preciso buscar ajuda médica o mais rápido possível. A DIVE divulgou uma imagem que detalha os sintomas.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1612 de 06 de Fevereiro de 2020.

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