O Bioquímico Fábio Dallanora participou do bate papo e falou sobre origem, remédio e vacina contra o novo Coronavírus.
Pandemia, prevenção, cuidados, enfrentamento ao Covid-19, isolamento e distanciamento. Estas foram as principais pautas mundiais relacionadas ao novo Coronavírus. Com foco na prevenção para evitar a contaminação em massa muito se difundiu sobre a necessidade de implantar medidas protetivas e de se cultivar hábitos mais severos de higiene. Muitos dos cuidados que devem ser tomados, como higienização constante das mãos e uso de mascaras, já estão na ponta da língua das pessoas e tornou-se uma prática obrigatória em muitas cidades no mundo, inclusive aqui em Campos Novos. Mas o que sabemos sobre a origem do vírus, uso de remédios eficazes e criação da vacina sobre o vírus? Que cenário existe hoje no combate e dissolução da doença? Em virtude de todas as transformações, caos e dúvidas causadas pelo novo Coronavirus o jornal O Celeiro promoveu uma entrevista para que a população tenha um conhecimento um pouco mais detalhado sobre o assunto.

O Dr. Fabio Dallanora, bioquímico e professor universitário, foi o convidado especial da noite que explanou o assunto de forma clara tirando muitas dúvidas dos leitores. Com a participação de vários expectadores a live alcançou mais de mil visualizações, mostrando que o tema é de interesse e que muitos desejam entender mais sobre a Covid-19. Surpreso com os acontecimentos, o bioquímico refletiu sobre o atual cenário do mundo. “Eu não imaginava jamais que com toda a tecnologia que temos iríamos passar por uma situação dessas. Vejo que os grandes culpados de tudo isso que está acontecendo somos nós mesmos como espécie humana. Há um desiquilíbrio ecológico causado pelo homem. Cada vez mais estamos adentrando a reservatórios naturais, entramos em contato com animais que abrigam agentes patogênicos para nós e eventualmente acabam acontecendo essas situações”, iniciou.
A redação do jornal O Celeiro trouxe na edição desta semana os principais tópicos apresentados na live, que aconteceu no dia 27 de maio, e as explicações apresentadas pelo profissional que facilitaram o entendimento de todos. O bioquímico falou sobre estudos, teorias e sobre o panorama de futuro relacionado a pandemia que ainda é uma incógnita até mesmo para a classe médica. Até este momento ainda não há teses conclusivas sobre a doença, mas possibilidades que estão em estudo. No entanto a expectativa é grande, principalmente por parte da população, para que logo criem um remédio e uma vacina eficaz para tratar e combater a doença.
Apesar de ser uma vírus em estudo, o Coronavírus não é um desconhecido entre a classe médica, na verdade ele se apresentou de variadas formas causando doenças em humanos, como resfriados comuns e doenças respiratórias que se transformaram ao longo dos anos. Em 2002 surgiu a Sars-Cov, ou Síndrome Respiratória Aguda, em 2012 foi a vez do Mers-Cov, ou Síndrome Respiratória do Oriente Médio, em 2019 surgiu a Sars-Cov-2, mas conhecida como Covid-19. “A doença que causou esta pandemia pode ter sido causada pela evolução e mutação do Coronavirus que surgiu há anos, fato que refuta algumas teorias apresentadas na mídia.
Que terias já surgiram sobre a origem do vírus? Veio do morcego? Foi um vírus criado em laboratório? Quanta informação desencontrada já surgiu sobre o tema. Dr. Fábio é cauteloso ao falar sobre o assunto e compartilhou algumas informações importantes. Confira alguns trechos:
Origem da Covid-19
“Culparam o morcego, a cobra e já disseram que foi criado em laboratório. Houve a afirmação de que esse vírus poderia ter sido produzido acidentalmente e acabou vazando. Mas outros estudos dizem que não, que foi uma mutação do meio ambiente. Fazer afirmações sem provas é um pouco leviano. Mas o que provavelmente aconteceu foi uma mutação. Com a mutação o vírus pode ter adquirido uma característica em que abriu uma proteína que faz interação com as células humanas”.
Por que alguns apresentam sintomas leves e outro sintomas graves?
“Em alguns casos o sistema imunológico acaba não responde tão rapidamente, se o sistema não reconhece os anticorpos o vírus continua se replicando e agravando a situação, e pode levar a casos graves e até a óbito. Em outros casos o sistema imunológico rapidamente elabora uma resposta e inicia a produção de anticorpos”.
Sequelas
“O paciente que desenvolveu a Covid-19 e apresentou uma síndrome respiratória grave e precisou de respirador pode ter uma resposta inflamatório no pulmão intensa e pode levar a algum dano físico no órgão. As sequelas dependem do grau de comprometimento causado pela doença e do sistema imunológico da pessoa. Há relatos e estudos que dizem que esse vírus pode afetar também os vasos e causar manifestações epiteliais.”
Testagem: Métodos e Diagnósticos
“São dois tipos de diagnósticos laboratoriais: O PCR, um exame que verifica a sequência genética do vírus. O outro é o teste rápido que detecta a presença de anticorpos. Qual a diferença entre os dois? O PCR não requer um tempo para atuação do vírus, no momento em que você for infectado ele detecta a presença da carga viral. O teste rápido depende da resposta do organismo, e isso leva de 7 a 14 dias. Se o teste for feito logo no inicio do contagio existe a possibilidade de falso negativo. A recomendação para realização do teste rápido é que a pessoas apresente a sintomatologia e após 10 a 14 dia o exame seja feito, tempo suficiente para que o organismo reaja ao vírus”.
Notificação de Casos
“Há a possibilidade que o número de casos notificados seja menor do que o número real de pessoas infectadas. Aproximadamente 80% das pessoas que contraíram o virus são assintomáticas ou apresentam sintomas leves, que se assemelham a resfriados. Não temos um número exato sobre os casos reais, mas é provável que sejam um número maior do que os notificados”.
Cloroquina e outros medicamentos
“Há muitas controvérsias entre o uso de vários medicamentos, como a cloroquina. Alguns estudos apontam sua eficácia e outros não. Não se chega a um consenso. A explicação que defende o uso da cloroquina é a seguinte: O virus precisa chegar próximo e encostar na célula para penetra-la. Dentro da célula ele solta seu material genético para comandar a função da célula e se replicar. Para impedir que ele se replique é interrompenda uma das fases de ação do vírus. Especula-se que a cloroquina ao se ligar a célula impede que o vírus penetre nele. Isso é o que aponta alguns estudos. Mas a medicina ainda não chegou a um consenso sobre isso”.
Vacina contra a Covid-19
“A vacina demora mesmo. É preciso primeiro fazer o mapeamento viral e isso já foi feito. Após isso é preciso detectar uma parte do vírus que não seja capaz de sofrer mutação e a partir disso se faz todos os ensaios em laboratório, com testes controlados para ver o potencial para fazer uma vacina. Em seguida os testes passam a ser feito com animais de laboratório. Depois iniciam-se os ensaios clínicos que envolvem os testes em seres humanos para verificar se a vacina é consistente, depois tem que verificar se a vacina induziu a uma resposta, e verifica-se novamente se a vacina é segura. Depois dessa fase concluída chega a etapa de produção e liberação da vacina. Os testes estão bem avançados, mas isso leva tempo”.
Enquanto isso…
“O melhor a fazer é manter os cuidados com a prevenção. O mundo está flexibilizando a rotina, mas ainda não é possível relaxar e viver como se nada estivesse acontecendo. Dr. Fabio enfatiza a necessidade de continuar evitando aglomerações e a promoção do distanciamento social para evitar o contagio. O uso de máscaras e boa higienização também são essências para evitar esta e outra doenças. O município de Campos Novos vive um momento bom com poucos casos notificados, e a maioria já curado, mas mais casos deverão acontecer. Este ainda não é o momento para viajar, promover reuniões sociais e baixar a guarda para o vírus”.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1630 de 11 de Junho de 2020.






