Ao ler o título desta semana você deve estar pensando que isso não têm relação com moda, não é?! Infelizmente não é verdade. O racismo esta por todas a partes, inclusive em nossa cultura de vestimenta e não há como falar em sustentabilizar nosso setor (tema que temos falado por aqui), sem tocar em assuntos como este. Portando, embora saiba que não é nem minimamente suficiente para reparar tais acontecimentos, gostaria de reconhecer estas belas mulheres e homens, manifestando abertamente repúdio a qualquer forma de racismo. E utilizando este espaço de fala, para nesta semana, não falar das roupas, mas das pessoas que as vestem e que são a verdadeira essência da moda e de tudo que construímos em sociedade.
Ainda em 2020 são comuns os casos de ofensa racial na moda, grandes cenários em que marcas ou pessoas se apropriam de uma cultura, distorcem ou fazem comparações em campanhas com dizeres como “sandálias de escravo” ou negam modelos negros, e quando os contratam, os fazem vestir estampas animais ou que de algum modo demonstrem a subvalorização deste povo, desta raça e dos seres humanos por trás deste tom de pele. Ainda, podemos lembrar de diversos momentos históricos nos quais a vestimenta serviu para separar (leia-se discriminar) os serviçais, que eram em sua grande maioria pessoas negras escravizadas, das senhoras e senhores. A roupa pode e é um exercício de fala e nós não podemos tolerar este tipo de situação em nenhuma esfera da sociedade. Assim sendo, conheça as marcas e suas atitudes, valorize produtores locais e compre de quem você confia, afinal, você é parte daquilo que você veste!
Até a próxima semana.
Por: Ana Kantovick
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*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1629 de 04 de junho de 2020.










