No editorial desta semana não foi possível destacar apenas uma matéria. Dois assuntos se complementam nesta edição e merecem atenção por parte de todos. A editoria de agronegócio fala sobre o aumento da participação da mulher nas cooperativas, um fato que deve ser comemorado e incentivado. A matéria sobre a Live do Celeiro também falou de um assunto importante que é a questão da representatividade da moda.
Mas o que uma tem a ver com a outra? As matérias retratam assuntos diferentes, mas que tocam num tema delicado que é a exclusão e o preconceito contra as mulheres. Sim, mulheres passam por isso frequentemente. No cenário do agronegócio, principalmente, muito se destaca a atuação do homem, enquanto a mulher surge como coadjuvante. Hoje as mulheres representam 40% dos associados, mas esse aumento tem sido claramente visto em outros setores, porque no agro o número ainda é pequeno. No que diz respeito as funções de liderança se veem pouquíssimas mulheres. O que falta? Existe uma gama de mulheres bem preparadas, mas falta espaço para que elas se mostrem.
A luta das mulheres é diária dentro e fora de casa. Assim como o mercado de trabalho foi um opressor para a classe feminina, o mercado de beleza, tem sido um algoz. A ditadura da beleza te faz acreditar que você só será feliz e conseguira um espaço no mundo se tiver o padrão de beleza que foi estabelecido na mídia. Que mala pesada de se carregar. Quando as mulheres precisarão ser apenas competentes? Isso não basta? Para parte da sociedade ainda não basta. A mulher precisa ser bonita, magra, branca, malhada, formada, pós graduada, viajada, falar várias línguas, e ter mais um monte de adjetivos para conseguir uma vaga inferior a suas atribuições. Mulher não é objeto.
Estamos assistindo uma evolução paulatina no mundo que dá espaço e destaque a diversidade de cores, formatos, jeitos e gêneros. Já chega de ver nas revistas e comerciais mulheres com cara de menina. Cadê a mulher de meia idade, a negra, a cadeirante, a baixa, a surda? Falta mais empatia e mais cuidado com a classe feminina, não por pena, mas porque elas merecem e tem capacidade para administrar uma casa, uma empresa, os negócios e sua própria vida. Elas estão em todo lugar, mas ninguém as veem, elas precisam ser vistas.
Por: Priscila Nascimento, Jornalista
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1633 de 02 de Julho de 2020.






