Número de casos de violência contra a mulher cresce no município. Campanha ganha força nas redes sociais.
O mês de agosto ganhou mais uma cor para representar uma luta de grande importante para a sociedade. Desta vez foi escolhida a cor lilás como símbolo da campanha contra a violência doméstica. Neste ano de 2020 esta pauta ganha ainda mais força em virtude dos casos de violência domestica terem aumentado após a pandemia. Esta é uma realidade que acontece bem perto de nós. Dados da Policia Militar relatam aumento das ocorrências de violência domestica contra a mulher em Campos Novos. Mulheres e homens conscientes têm propagado informações e dando voz ao Agosto Lilás como forme de alertar e apoiar a causa. O Centro de Referencia Especializado em Assistência Social (Creas) do município também tem feito uso das mídias sociais para levantar a campanha. Suzane Dias, coordenadora da entidade lamenta esta crescente. “As mulheres que antes já sofriam com a violência passam a viver confinadas junto ao agressor, e a situação se agrava ainda mais devido a questão financeira, a convivência integral com a família e o tempo ocioso”, comentou.
A equipe do jornal O Celeiro conversou com a coordenadora sobre a importância desta campanha para as mulheres e para a sociedade. “O Agosto Lilás alerta para enfrentamento à violência contra a mulher. É alusivo a Lei Maria da Penha (Lei 11.340) que foi sancionada no dia 07 de agosto de 2006, portanto contamos com está lei a 14 anos de vigência. A campanha tem por objetivo sensibilizar a sociedade sobre a violência doméstica e conscientizar a sociedade sobre o necessário fim da violência contra a mulher, divulgar os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência e os mecanismos de denúncia existentes”, explicou. Atualmente a equipe técnica do CREAS faz os atendimentos remotos e atendimento físico com agendamento. Através do grupo ‘Flor de Lis’ no WhatsApp, elas recebem o suporte necessário.

A violência contra a mulher é uma realidade que precisa ser discutida com bastante sensibilidade e empatia, pois muitas vezes a relação entre agressor e vítima é envolta de sentimentos múltiplos que podem gerar medo e insegurança, dificultando o fim do ciclo de violência, conforme destacou Suzane. “Muitos fatores estão presentes e dificultam por diversas vezes a decisão de se libertar e denunciar o agressor. A violência psicológica que está intrínseca no contexto da violência cria obstáculos, pois uma mulher que é humilhada, xingada, que possui auto estima reduzida se sente insegura para tomar qualquer decisão, porque por muitas vezes a dependência psicoafetiva e financeira são fatores relevantes. Quando falo da dependência psicoafetiva uso como exemplo a mulher que sofre agressão e ainda se sente culpada por não ser uma boa esposa, namorada, mãe. Que dentro dessa violência ela enquanto vitima aceita a situação e assume que mereceu ser agredida”, afirma.
A coordenadora relata como funciona a dinâmica entre vitima e agressor, e que a esperança de que as coisas vão mudar também é um dos motivos para que mulheres permaneçam na relação. “O ciclo normalmente se inicia na fase da tensão, com agressões verbais. O passo seguinte costuma ser a explosão, quando ocorre a agressão física ou sexual. Após a tempestade, vem a última fase do ciclo: a reconciliação. O parceiro pede perdão e vive em lua de mel com a companheira até que novo episódio volte a tirá-lo do sério. É nesta fase que algumas vítimas desistem do registro da ocorrência policial, por alimentarem a esperança de que as coisas podem mudar”, prossegue Suzane.
As agressões contra a mulher não são apenas físicas, e uma relação agressiva se caracteriza de diversos modos e é bom ficar alerto aos sinais. Geralmente o ciclo da violência ocorre num processo gradativo, alerta-se para o Ciúme excessivo, Invasão de privacidade, afastamento de amigos e família, Chantagem emocional, Rebaixar a auto estima, Controle financeiro, Destruir patrimônio, Expor vida intima ou exigir contato sexual, Usar filhos como escudo emocional e Ameaças. A violência contra a mulher se da em sua maioria em relações conjugais, no entanto “existem outras violências que podemos citar como a violência de gênero que implica diretamente nas relações de poder, na desigualdade entre homens e mulher, no assédio sexual, moral e verbal que acontecem em outros contextos.
Não é fácil extinguir este ciclo vicioso, mas é necessário lutar e mostrar para a mulher que é possível ser respeitada e amada. Relações, não importam de que tipo seja, precisam aflorar e incentivar a mulher, jamais rebaixá-la. Suzane diz que a melhor forma de combater este mal é ficar atenta e ter coragem para denunciar o agressor. O número disponível para denuncia 180. Mulheres podem também bscar ajuda nas redes de atendimento. O CREAS Campos Novos atende mulheres vítimas de violência promovendo o fortalecimento da auto estima e o suporte para superação desse ciclo, visando a integridade física, psicológica e social, reforçando os vínculos familiares, minimizando os danos e prevenindo a continuidade do ciclo.
Fique atenta:
- Perceba qual o modo que seu parceiro fala com você;
- Fique de olho em ciúmes extremos;
- Atente-se para padrões de possessividade;
- Observe como seu parceiro trata os pais;
- Adote uma política de tolerância zero para a violência e a intimidação;
- Encerre o relacionamento assim que acreditar ser necessário;
- Ignore as desculpas.
Ações em Campos Novos
A Secretaria de Saúde e Assistência Social realizam nesta terça-feira, 11/08, o “varal solidário” para conscientização e prevenção ao Covid-19, bem como, a divulgação de canais de apoio e auxílio a mulheres vítimas de violência.As ações ocorrerão na Praça Lauro Müller, na quadra ao lado do ESF do Bairro Nossa Senhora Aparecida e no Conjunto Habitacional Integração a partir das 13h30min.
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1639 de 13 de Agosto de 2020.




