Mais informação e conhecimento podem ajudar a classe feminina a prevenir doenças.
Espaço, proteção, cuidado. Estamos assistindo uma evolução lenta, mas real, do quanto a mulher vem sendo protagonista e atuante na sociedade. Este passo é de extrema importância para valorizá-las. Sociedade, Poder Público, Famílias e as próprias mulheres precisam ter consciência de seu valor para que se empoderem e cuidem de si da melhor forma. Este cuidado tem de ser de dentro para fora. Mas essa transformação só é possível com aumento da informação e do conhecimento que deve ser praticado no dia a dia. Com a mente bem preparada a mulher vai saber proteger seu corpo e sua saúde.
Desmistificar discursos e quebrar comportamentos preconceituosos podem mudar a realidade de muitas mulheres, e isso deve começar desde cedo, com a colaboração dos pais. O diálogo é a primeira e principal ferramenta para criar filhos conscientes e auto responsáveis. Quando a criança do sexo feminino é ensinada e treinada para se conhecer e saber das mudanças que seu corpo e sua mente sofrerá ao logo da vida é mais provável que ela se cuide e venha a agir de forma preventiva. O primeiro campo a ser trabalhado é a mente, que devem ser alimentada com informações verdadeiras e esclarecedores que dissipem dúvidas e orientem os jovens sobre as posturas, principalmente relacionadas ao sexo, pois podem desencadear sérias consequências, incluindo muitas doenças.
A Ginecologista e Obstetra, Juliana Lemos Lucena, conversou com a reportagem do jornal ‘O Celeiro’ e comentou que mesmo com as informações disponibilizadas pela mídia, ainda é possível encontrar pessoas que padecem por falta de conhecimento. “Eu vejo isso na prática do meu trabalho. A falta de informação é grande e precisamos mudar essa situação”, recomenda a médica.
Dra. Juliana acredita que a primeira orientação deve vir dos pais que devem quebrar tabus ao conversar sobre sexo com os filhos. A.P, hoje com 35 anos, comenta que foi com amigos que conheceu muitas coisas relacionadas ao sexo, mas espera não cometer o mesmo erro com os filhos. “Sexo e sexualidade nunca foram temas de conversa em casa nem mesmo sobre menstruação me foi explicada. E se eu ou meus irmãos perguntássemos alguma coisa levávamos bronca. Parecia ser um assunto vergonhoso a se falar. Hoje tenho dois filhos e não quero criar barreiras quanto a nenhum tipo de assunto, quero orientá-los da forma correta”, conta.

No caso de meninas, além da orientação familiar, é muito importante que no início da menarca, os pais incentivem e a acompanhem ao ginecologista, criando o hábito de se cuidarem e se prevenir, zelando pela saúde. “Antigamente havia um preconceito de que uma menina de onze a doze anos não podia ir ao ginecologista. Hoje essa situação está desmistificada. A fase para começar a ir ao ginecologista é no período da primeira menstruação porque ela terá a orientação sobre o que acontece no corpo e na mente dela. A mente de uma adolescente é diferente da mente de um adulto. È importante que a mãe procure um ginecologista para que a jovem entenda a repercussão que este evento vai ter sobre ela”, aconselhou Dra. Juliana. Atualmente as adolescentes iniciam a vida sexual mais cedo, o que tem levado a gravidez precoce e indesejada na maioria das vezes. “A maternidade na adolescência tem se tornado comum. Já fiz parto de meninas de onze anos. É importante orientá-las nessa fase sobre as consequências da vida sexual. Nesta fase da vida o corpo da mulher não esta preparado para uma gravidez, elas precisam entender a necessidade de se prevenir”, completou.
Os cuidados e a prevenção devem começar cedo, e com o incentivo e apoio dos pais, mas esse é um caminho que deve ser continuo, pois em todas as fases da vida é importante se cuidar, conforme afirma a médica. “Depois de atingir a maturidade a mulher deve continuar se cuidando. Ela deve ter a auto responsabilidade. Mulheres entre os 20 e 40 anos devem fazer os exames de rotina e o preventivo anualmente”. Com o passar dos anos, mais problemas podem surgir, por isso é preciso ir ao médico constantemente.
Porém, ir ao médico é apenas uma das ações, ter uma rotina equilibrada e uma boa higiene também são essenciais para manter a saúde e prevenir doenças. “Seja frio ou calor a higienização tem que ser feita todo dia, de preferência utilizando um sabonete especifico para a região intima que tenham um pH neutro. A falta de higiene pode causar infecção, odor vaginal e fungos. Eu oriento meus pacientes a ter essa rotina de cuidados e higiene. Depois da relação é muito importante primeiro urinar para eliminar as bactérias e depois a higienização íntima”, aconselhou a ginecologista.
Com a entrada do mês de outubro o jornal ‘O Celeiro’, apoia o Outubro Rosa e promove matérias que incentivem e reforcem o auto cuidado como meio de prevenção. “O Outubro Rosa é uma campanha extremamente importante que veio para levantar a bandeira da prevenção do câncer de mama. Fatores de riscos devem deixar as mulheres ainda mais atentas, como parentes de primeiro grau que já tiveram a doença. O câncer mata atinge pessoas de todas as idades, classes e raças”, destacou Dra. Juliana.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1646 de 01 de outubro de 2020.


