Festas, bebedeiras, invasão e sujeira: Que riscos esses encontros apresentam?

População se preocupa com possíveis consequências da realização de festas organizadas na madrugada. Com pouco efetivo, Policia Militar nem sempre pode atender as demandas levadas pela população.

Se divertir nunca foi crime, porém quando a diversão se torna perigosa ou desrespeitosa é preciso tomar muito cuidado. Esta é a preocupação de alguns camponovenses que procuraram os meios de comunicação e a polícia para relatar a realização de festas que estão acontecendo com frequência em propriedades rurais. Na semana passada um leitor do jornal ‘O Celeiro’, entrou em contato com a redação para comunicar a invasão de uma propriedade particular próxima a BR 282, para a realização de festas. Segundo a denúncia, os encontros geralmente ocorrem nos finais de semana, com início após a meia noite e são regados a música alta e bebida alcoólica. Em vídeo enviado a redação é possível ver imagens de pessoas recolhendo o lixo deixado pelos invasores na propriedade. Antes de procurar o jornal, o informante entrou em contato com a polícia, mas a mesma não conseguiu comparecer ao local.

A denúncia não se dá devido a aglomeração de pessoas, até porque hoje já é possível se reunir presencialmente mesmo com a pandemia, o real problema são as contravenções envolvidas nessa prática. Além disso, recebemos informações de que também ocorrem festas no interior com autorização dos proprietários, mas que acabam incomodando a vizinhança.

O que há de perigoso e errado nessas ocasiões? “O que nos preocupamos é se essas pessoas saem na BR dirigindo alcoolizados, isso pode ser fatal”. A preocupação de quem denuncia as festas é realmente válida. Quantos acidentes ocorrem no mundo e quantos acidentes fatais já ocorreram na região em Campos Novos devido ao uso indevido do álcool. É lamentável ver vidas chegarem ao fim tão precocemente. Mas, além disso, há a invasão de uma propriedade privada e também a perturbação do sossego da comunidade. “Aquelas festas são organizadas sem autorização e acumulam uma grande quantidade de lixo. Essas ‘festinhas’ ilegais também podem ser o palco para venda de drogas e encontro de traficantes o que tornaria o evento um grande perigo para a população”. Porém, até o momento o que chegou até a polícia se configura apenas como contravenção, conforme explicou o capitão da PM, Marcelo Macedo. “È uma contravenção penal, não se configura como crime. Temos dois tipos de delito: os crimes e as contravenções penais em que as penas são brandas”.

Mas, qual deve a ação da polícia para coibir tais atividades? Quando acionada pelo telefone 190 a Polícia Militar deve comparecer ao local e identificar o responsável e lavrar um Boletim de Ocorrência com Termo Circunstancial por crime de menor potencial ofensivo. No entanto, as denúncias recentes não puderam ser apuradas pelo órgão. Com um efetivo reduzido a PM fica impossibilitada de atender a todas as demandas. “Estamos apenas com uma viatura atendendo ocorrências. Normalmente essas festas são nos finais de semana. Na cidade ocorrem várias ocorrências, de violência doméstica, furto, troca de tiros, homicídios, tráfico, daí não há como atender todas as demandas. Se não tiver nenhuma ocorrência pendente nós vamos até lá”.

Para que haja uma apuração mais efetiva é importante que o denunciante repasse todos os detalhes possíveis, inclusive com apresentação de provas, como vídeos e fotos. Se houver venda de drogas e presença de traficantes é ainda mais urgente acionar a PM.
Para assegurar a proteção de suas propriedades é importante que os proprietários de terra construam uma porteira ou cerca na fazenda para impedir que o local seja invadido por desconhecidos.

Segurança Pública

Atualmente a Polícia Militar de Campos Novos conta com 27 policiais no efetivo para atender todas as ocorrências da cidade e do interior. Estão sendo aguardados novos policiais para compor a equipe e reforçar a segurança no município. Os órgãos de policia são importantes para manter a ordem e organização da cidade e conter a criminalidade. Recentemente muitos crimes estão abalando e preocupando as pessoas, como a tentativa de estupro que revoltou a cidade. A atuação da polícia foi essencial para a prisão do acusado.

Campos Novos sofreu uma queda significativa de policiais militares, e isso tem dificultado a atuação mais ativa da PM. O Capitão Macedo aponta que esta é uma situação já existente em Santa Catarina. “A falta de efetivo é um problema em todo o estado. Estamos dependemos de uma nova turma que está para se formar, são quinhentos novos alunos. Nós temos uma baixa de quase um terço do efetivo. Metade do efetivo tem mais de 20 anos em serviço.

A Polícia Civil, que também tem um trabalho fundamental para a segurança do município, conta com 12 policiais civis para trabalhar nas cidades que fazem parte da região, e apesar de cumprirem bem seu papel, o delegado Adriano Almeida, afirma que há espaço para melhora. “Nosso efetivo atual dá conta, tranquilamente, de todas as demandas, entretanto, para que nossos serviços possam ser aprimorados, precisaríamos de mais policiais civis. Existem policiais que iniciarão a academia em breve, mas não sabemos para onde serão destinados”.

A expectativa da população é de que mais policiais estejam nas ruas para zelar pela segurança da cidade e do interior. O jornal ‘O Celeiro ‘tem recebido comentários e reclamações sobre a ausência de policias nas ruas. A segurança pública é um setor que precisa de toda a atenção do Poder Público. As pessoas precisam sentir que estão seguras nas ruas e em suas casas. Recebemos diariamente boletins com registros de furtos, roubos, e violência. Nos últimos meses o jornal fez uma reportagem contando o aumento da violência domestica que teve um aumento significativo na pandemia. Sem reforço policial os crimes podem aumentar e a sociedade pode correr o risco de ficar desassistida em alguns momentos. È preciso agir de forma preventiva para evitar que os moradores fiquem sobressaltados e com medo de viver no próprio município. As zunas rurais de Campos Novos também precisam receber essa assistência. A PM faz o patrulhamento rural, mas funciona apenas durante o dia.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1652 de 12 de novembro de 2020.

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