O dia 1° de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, por isto o mês de dezembro é marcado pela conscientização e prevenção.
A luta pela prevenção contra as doenças precisa continuar, temos um catálogo enorme de enfermidades que afetam toda a população independente de classe, cor ou gênero. Neste ano de 2020 o foco está sendo o combate a Covid-19, mas isso não significa que devemos ignorar as demais campanhas de conscientização. Neste mês de dezembro o lema é a prevenção contra AIDS e outras DST’s. Felizmente o estado de Santa Catarina teve uma queda considerável no numero de casos de pacientes positivos. De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), em Santa Catarina, os últimos anos têm sido de estabilidade, com uma pequena tendência de queda, no registro de novos casos de infecção. No entanto, a transmissão do vírus ainda é uma realidade. Sendo assim, a prevenção, a testagem e o tratamento continuam sendo fundamentais para o controle e combate ao HIV.
No ano de 2019, foram registrados 2.066 novos casos de HIV em Santa Catarina. Em um comparativo com o ano anterior, houve uma queda de 222 casos. Com relação à Aids, também houve redução. No ano de 2019, foram notificados 1.205 casos da doença, contra 1.305 em 2018. Os homens são mais acometidos pelo vírus no estado do que as mulheres. Em 2019, foram notificados 1.428 novos casos no sexo masculino, contra 660 no sexo feminino. Já a faixa etária com mais registros de casos de HIV é a de adultos jovens, com idade entre 20 e 29 anos. Foram 750 registros em 2019, seguida dos adultos com idade entre 30 e 39 anos, com 592 novos casos no mesmo ano.
Apesar de todo o conhecimento sobre os riscos e incentivo a prevenção, ainda há relatos de pessoas que baixam a guarda para os cuidados. O enfermeiro Kleber Siqueira, comenta que alguns ainda têm o pensamento de que estão imunes ao risco. “A questão das DST’s ainda acontece devido ao déficit de auto cuidado. As pessoas têm excesso de autoconfiança e acabam tendo relações desprotegidas. Além disso, também temos o cenário do uso de drogas que traz uma vulnerabilidade na questão do compartilhamento de seringa. Muitas doenças, como hepatite C, são transmitidas por instrumentos de uso compartilhado. No município, os casos de HIV permanecem estáveis, não tivemos uma explosão de casos, temos apenas contaminações esporádicas”. O enfermeiro acredita que a diminuição de casos pode ter ocorrido devido a pandemia da Covid-19. “A prática sexual de risco esta associada a impulsividade. Com a diminuição das festas devido ao distanciamento social, pode ter contribuído para a diminuição de casos”, acrescentou.
Das doenças sexuais a mais conhecida e temida é a AIDS, transmitida pelo vírus HIV. O que é este vírus? É o vírus da imunodeficiência. Diferentemente do que acontece com alguns outros vírus, o corpo humano não é capaz de eliminar o HIV, ou seja, uma vez adquirido, o vírus permanecerá no organismo a vida toda. O HIV se espalha por meio dos fluidos corporais e afeta, principalmente, células do sistema de defesa do organismo. Com o passar do tempo, o HIV pode destruir essas células de tal forma que o organismo se torna incapaz de lutar contra infecções e doenças em geral. Quando isso acontece, é sinal de que a infecção pelo HIV levou à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a Aids.
São inúmeros os métodos e meios preventivos, muitos deles distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, como camisinhas masculinas e femininas encontradas nas Unidades de Saúde. Além disso, o MS também oferece muitos tratamentos que ajudam portadores de doenças sexuais a ter uma vida mais saudável. Mas para não arriscar, é muito melhor se ver livre de doenças e agir de forma consciente, por isso a prevenção ainda é a melhor forma de se manter seguro. Assim como a prevenção é essencial, a testagem também é importante para evitar a transmissão vertical, que passa de mãe para filho durante a gravidez, o parto e amamentação. No caso da mãe, ela deve ser testada durante o pré-natal e no momento do parto. Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento com antirretroviral e, com isso, evita-se a transmissão.
Em 2020, a Secretaria Municipal de Saúde terá somente atividades de prevenção. Em todas as unidades há preservativos femininos e masculinos nos tamanhos P, M e G. Além da conhecida camisinha, há formas de prevenção combinadas que consistem no uso simultâneo de diferentes abordagens para tratamento e prevenção.
Conheça algumas formas de prevenção
•PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV): é um método de prevenção que consiste na ingestão diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo, antes mesmo da pessoa ter contato com o vírus. É indicado para pessoas que tenham mais chance de entrar em contato com o HIV.
•PEP (Profilaxia Pós-Exposição ou PEP): medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV que consiste no uso de medicamentos, após uma possível exposição ao vírus, para reduzir o risco de infecção. Deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente, nas primeiras duas horas após a exposição e no máximo em até 72 horas. A duração da PEP é de 28 dias e a pessoa deve ser acompanhada pela equipe de saúde.
•Preservativos: a camisinha masculina ou feminina deve ser usada em todos os tipos de relação sexual. Além de ser bastante acessível, está disponível nas unidades de saúde gratuitamente e é a maneira mais eficaz para evitar a infecção pelo HIV e uma gravidez não planejada.
•Testagem: o diagnóstico da infecção pelo HIV é feito por meio de testes. O teste rápido é um deles. Em, no máximo, 30 minutos é possível ter acesso ao resultado. O teste é realizado, de graça, em unidades básicas de saúde. O diagnóstico precoce é essencial para dar início ao tratamento o quanto antes e controlar a transmissão.
•Tratamento: a infecção pelo HIV não tem cura, mas pode ser controlada com a ingestão de medicamentos antirretrovirais, o chamado coquetel. Os medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo SUS.
•Carga viral indetectável: a pessoa que vive com HIV, mas realiza o tratamento adequadamente, consegue reduzir a circulação do vírus no corpo a índices indetectáveis. Ou seja, consegue eliminar o risco de transmissão.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1655 de 03 de dezembro de 2020.






