Janeiro Branco: Mês inicia com campanha voltada a saúde mental

Psicóloga reforça importância de cuidar da saúde física e mental.
Campanha ganha força nas redes.

Tradicionalmente o mês de janeiro marca o início de um novo ciclo. É neste momento que muitos se enchem de esperança e traçam planos e metas. Tendo em vista o significado que este mês tem para alguns, dois psicólogos brasileiros encabeçaram a campanha Janeiro Branco voltada ao incentivo à saúde mental. Os profissionais optaram por trabalhar a perspectiva em que as pessoas estão comemorando um novo ano e, geralmente estão mais predispostas a olhar para si a fim de avaliar-se, rever planos e pensar novos projetos. E por que não colocar na lista de planos a busca por saúde mental? Esta é uma ótima meta, haja vista que estar bem emocionalmente é um dos requisitos para conseguir concluir sonhos e projetos. Portanto vamos começar este ano como uma folha em branco pronta para ser bem escrita. A proposta do Janeiro Branco é que cada um faça um pacto pela saúde mental. Topa?

Atenta a necessidade desta campanha, a psicóloga Gleice Santos, que também é voluntária digital da Campanha Janeiro Branco SGB, conversou com a redação do jornal O Celeiro sobre a força que este movimento vem ganhando não só no Brasil, como no mundo, visto que as doenças emocionais têm prejudicado a vida de muitas pessoas. “O Brasil é modelo nesta nova modalidade de prevenção tendo em vista o alto número de pessoas com doenças mentais, como depressão, ansiedade, dependência química e outros. Este ano os Estados Unidos também esta abraçando esta causa em virtude de ter um número acentuado de casos. Este mês nós trabalhamos para que as pessoas olhem para si e entendam que seus problemas não são bobagens, ou um sinal de fraqueza, mas que é algo tão importante quanto a saúde física. Ter bons pensamentos, ter atitudes positivas, procurar apoio, e ajuda é muito importante para ter uma mente saudável. É preciso buscar apoio para as dificuldades emocionais, pois muitas vezes elas acabam atrapalhando a conclusão de planos e metas”, declarou a psicóloga.

Gleice Santos, psicóloga

Esta campanha se alinha muito bem com o Setembro Amarelo, que toca na prevenção ao suicídio, mas tem como pano de fundo o incentivo a saúde mental. As duas campanhas se entrelaçam e reforçam o discurso voltado ao auto cuidado. “Falamos muito no Setembro Amarelo pela questão da valorização da vida, para prevenir que situações mais drásticas aconteçam. O Janeiro Branco toca na valorização da vida, mas foca no fato de que é possível ter uma vida melhor, e isso só é possível quando cuidamos da mente. São meses que se complementam. Este não é um tema para ser tratado em um único mês. Que a gente já comece o ano falando sobre a importância de se auto-cuidar”, enfatizou.
Este tema é ainda mais essencial neste período de pandemia, que escancarou ainda mais as doenças mentais no mundo, conforme apontou a psicóloga. “A pandemia transformou emocionalmente a população mundial. Existia uma saúde mental antes da pandemia, e uma saúde mental pós-pandemia. São muitas as seqüelas para a saúde mental e emocional. O índice de pessoas com ansiedade, a dificuldade das pessoas nos relacionamentos também repercutiu”. Muitos medos surgiram: Como vamos nos defender da pandemia? Qual a gravidade dessa doença? Não quero me isolar. No início houve o medo do desconhecido. Depois disso veio a ansiedade com a vacina e a retomada da rotina. Os relacionamentos com os outros e consigo em meio ao isolamento também gerou estresse. As perdas financeiras também causaram muita ansiedade. Foram fases dentro desta pandemia em que as emoções eram de medo, insegurança e ansiedade que tiveram grande impacto na vida ida das pessoas.

Como passar por tudo isso sem repercussões mentais? É preciso dar as mãos um ao outro, pois, como diz o tema da campanha: ‘Todo cuidado Conta’ na hora de enfrentar as dificuldades. “Existe um corpo e uma mente. Não podemos cuidar só do corpo. Quanto mais eu estiver equilibrado eu consigo ser mais produtivo e posso me relacionar melhor. Viver com esse olhar de cuidado poderá ser útil para ajudar quem precisa. Será isso um sinal de fraqueza? “Não existem pessoas fracas, existem pessoas que aprenderam a lidar com as circunstâncias de forma diferente. Ninguém é depressivo ou tem ansiedade porque é fraco. Existe um histórico que fez a pessoa passar e sentir-se daquela forma. Não podemos julgar ninguém como fraco ou forte. Qualquer pessoa pode passar por alguma situação emocional que exija cuidados e ajuda. E qualquer pessoa pode superar uma situação emocional com ajuda adequada. Não podemos comparar os problemas dos outros. A comparação ate faz com que as pessoas adoeçam. Cada pessoa é singular e tem sua forma de ser e agir. Devemos trabalhar para ser melhor do que já somos. È um processo de construção e superação interna”, afirmou.

Dicas para a manutenção da saúde mental

  1. Faça pequenas pausas durante o dia e respire profundamente, dando atenção as sensações de seu corpo;
  2. Invista em atividades físicas regulares (que aliviam o estresse melhoram qualidade de vida).
  3. Alimentação equilibrada e nutritiva saudável;
  4. Tenhas momentos de lazer;
  5. Viva o aqui e agora;
  6. Invista em sua espiritualidade;
  7. Socialize-se mesmo nestes momento de pandemia entrar em contato com amigos e famílias via mídias digitais é uma forma de relacionar- se em grupo.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1660 de 21 de Janeiro de 2021.

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Jornal Celeiro
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