Forte e pesada a capa do jornal ‘O Celeiro’ desta semana, não acha? Se esta foi sua conclusão, você está certo. Fortes e pesadas também são as pancadas e palavras sentidas por muitas mulheres no Brasil e no mundo. Chegamos a um nível tão alarmante que muitos homens se dão o direito de tirar a vida das mulheres. Chega de esconder esta realidade. O mundo precisa falar mais sobre esse tema para que mais mulheres se livrem dessa condição e deixem de ser reféns do medo.
Seria tão bom afirmar que Campos Novos está fora deste retrato que assola e degrada as famílias e as mulheres. Mas não, lamentavelmente recebemos notícias diárias de ocorrências contra as mulheres. Que realidade triste. O jornal O Celeiro está engajado na luta contra a injustiça e opressão. Não fazemos vista grossa para os fatos. Há anos registramos, tanto nas nossas capas, quanto nas páginas do jornal a importância desta luta e o dever de combater este ato. Ações paliativas podem ser úteis na luta contra a violência contra a mulher, mas muito mais está envolvido na solução deste mal. Um dos métodos indicados é trabalhar o problema na base.
O respeito pela mulher deve ser incentivado desde cedo. As crianças precisam ser ensinadas que os homens não são superiores às mulheres. Mulheres não devem tratar homens como reis, eles não são. O discurso de igualdade precisa ser construído primeiramente no seio familiar. São pequenos detalhes vividos cotidianamente há anos que nos levam a pensar, mesmo inconscientemente, que as mulheres são as servas do lar, empregadas domésticas por amor à família. Parece inofensivo esta atitude, mas acaba gerando uma imagem negativa. Crianças que crescem vendo a mãe e as irmãs agindo como empregadas da casa podem crescer com a ideia de que a função da mulher nada mais é do que servir ao homem. Não é apenas em palavras que se educa, é principalmente pelo exemplo. Chega disso!
Quando o problema for atingido na raiz é possível notar mudanças significativas tanto nas mulheres, que reconhecerão seu merecimento, quanto nos homens que vão crescer percebendo que a mulher não está ali para satisfazê-lo. Enquanto a base familiar não for desconstruída através de uma atitude de igualdade, possivelmente continuaremos a ter um problema sistêmico. Cortemos o mal pela raiz!
Por: Priscila Nascimento, Jornalista
*Editorial, publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1673 de 22 de abril de 2021.






