Com valorização de comodities, produtores investiram no plantio visando aumentar a rentabilidade.
Alternativa de renda e melhorias ao solo são alguns dos pontos favoráveis que induzem o produtor rural a investir nas culturas de inverno. A região Meio Oeste é privilegiada com um relevo e clima que tornam a prática ainda atrativa, sem contar com a valorização das comodities nos últimos tempos. Em Campos Novos e região muitos produtores já começaram a semeadura de cultivares de inverno, como, por exemplo, o trigo, um dos principais cereais de inverno. As cooperativas ao redor têm recomendado e dado o suporte necessário através da assistência técnica para que os produtores tenham uma produção bem sucedida.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a safra de trigo vai avançar 36% neste ciclo no país. Segundo a previsão a safra passou de passou de 6.942,1 milhões de toneladas para 8.480,2 milhões de toneladas. A área destinada ao cereal deve avançar 12,3% e somar 2.629,6 milhões de hectares. Aliado a isso a produtividade deve subir 21,1% e ficar em uma média de 3.225 kg/ha. Em Santa Catarina houve avanço significativo na semeadura do trigo. A perspectiva é de que mais de 50% dos 88,3 mil hectares previstos para o plantio da cultura tenham sido efetivamente semeados até o final de junho. Tal número indica incremento de 44,5% na área plantada em comparação a 2020. Em Campos Novos a área plantada com trigo deve ultrapassar os 10 mil hectares, contra 7 mil/ha na safra passada. Os números são expressivos, pois desde 2011, há uma redução safra após safra da área plantada com a cultura. Há dez anos atrás, por exemplo, a área plantada foi de 11 mil hectares.
Jaison Passos, Diretor-Presidente da Copermap, afirma que a cooperativa tem fomentado fortemente o investimento na cultura de inverno, e produtores associados a cooperativa já estão em fase de finalização das culturas de trigo e aveia branca e preta. “A região impede a produção de duas safras de verão no mesmo ciclo, por isso as culturas de inverno são a alternativa para os produtores. Ano após ano o produtor vem tomando consciência da importância de fazer investimento nas culturas de inverno. Percebemos a adesão de mais produtores e também o aumento de áreas de produtores que já faziam o plantio. A produção de carnes também está em expansão e isso faz com que surja a necessidade da alimentos alternativos como é o caso da aveia branca que estão utilizando em confinamentos para produção bovina. Os investimentos também vêm se ampliando até pela questão de retorno dentro do agronegócio, o produtor vem tomando consciência disso e faz com que a cadeia seja beneficiada. Este ano os produtores estão mais otimistas principalmente em virtude do preço das comodities” afirma.
O Engenheiro Agrônomo e Gerente de Assistência Técnica da Copercampos, Fabricio Hennigen, também relata o aumento de áreas destinadas ao plantio de cultivares como aveia branca, aveia preta e trigo. “Em anos anteriores nós não chegamos a 4 mil hectares de terra plantada de trigo na região. Nos últimos anos estamos ampliando está área, hoje aumentamos cerca 50% em relação aos anos anteriores. Estamos com 6 mil hectares de área. Nossa região é apta para altas produtividades de trigo, precisamos apenas que o clima colabore. Torcemos para que seja um período de chuvas equilibradas para que o trigo não perca qualidade e peso depois de pronto”, afirmou.
O plantio de inverno já começou, mas ainda não finalizou, segundo Henningen, o planejamento das culturas deve ser bem pensado para minimizar os possíveis riscos. “O plantio de inverno começa no início de junho, principalmente a aveia branca e a aveia preta. Em meados de 20 de junho começou o plantio do trigo. A semeadura é escalonada dentro do ciclo, aqui na região temos o risco de geadas tardias em setembro, então começamos em 20 de junho as cultivares mais longas, depois vamos até o final de julho plantando as culturas mais precoces. Posicionamos cada ciclo adequadamente para não coincidir com épocas de geadas tardia”, explica. O agrônomo também relata que são realizados vários testes no Campo Demonstrativo da Copercampos que permitem a seleção de cultivares que não demandam muito controle de doenças para entrar nesse nicho de mercado permitindo uma rentabilidade boa.
A ampliação das áreas e investimento feito é reflexo de uma alta demanda no mercado, indicando possibilidade de lucro, fato que não era uma realidade em tempos anteriores. “Nos últimos o plantio de inverno foi deixado de lado por alguns produtores devido a rentabilidade, o preço era baixo, o risco era grande de geadas, isso poderia fazer o produtor perder a produção. O trigo é sensível ao clima. Já houve casos de produtores perderem sua safra, ou perder a qualidade da produção. Além de atrapalhar o plantio de soja. Esses fatores levaram o produtor a desistir das culturas de inverno. Com os preços mais firmes no mercado internacional o produtor está voltando a investir no trigo”, explica.
O profissional também lista alguns dos benefícios de manter o solo trabalhando em todas as estações. “Além de esta ser uma forma de aumentar a rentabilidade, há o benefício para o solo. Nós Incentivamos o produtor a cultivar no inverno. Aquele que não tem gado ou engorda de gado nós recomendamos porque ele movimenta a propriedade. Além dos benefícios agrícolas, é uma diversificação de cultivares, é cobertura de solo permanente para fazer o plantio direto como deve ser feito. Também ajuda no controle de plantas daninhas, na rotação de mecanismos de ação de herbicidas. Promove a sustentabilidade do sistema” completa Henningen.
Qual o destino das cultivares produzidas pelas cooperativas? As produções de inverno podem ser utilizadas para diversos fins, como para alimentação animal ou alimentação humana. No caso especifico do trigo, o produto é de grande importância para alimentação de humanos. No Brasil, a demanda continua crescendo, mas a produção atende aproximadamente a metade deste mercado. Com isso, o produto vem de diferentes países produtores. O cultivo do trigo não concorre com as principais atividades nas propriedades rurais, como a soja e o milho, portanto, a atividade pode ser de grande relevância no contexto produtivo.
Que as expectativas se concretizem e os produtores obtenham a rentabilidade esperada. Apesar do bom momento vislumbrado, o mercado de comercialização antecipada das produções de inverno ainda é tímido em relação a soja e ao milho. Mas Henningen vê de forma positiva, pois os preços estão bons. “Antes da valorização das comodities, o preço era de R$ 38,00 o trigo e o custo alto. Era preciso produzir mais de 60 sacos para ter lucro, hoje a produção de cerca de 45 ou 50 sacos é suficiente”.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1685 de 25 de Julho de 2021.






