Viver com limitações deve ser um verdadeiro desafio, e quando se trata de alguns dos principais sentidos do ser humano deve ser ainda mais difícil. Quem tem todos os seus sentidos intactos talvez não entenda a realidade vivida por aqueles que não podem ver ou ouvir, por exemplo.
Apesar de todas as dificuldades, que incluem as barreiras psicológicas e emocionais de quem sofre com alguma deficiência, essas pessoas são fortes e apresentam um grande potencial que precisa ser explorado e incentivado. Pessoas com deficiência não são um peso a sociedade, pelo contrário, elas são a prova viva de que é possível superar os próprios limites.
Na editoria ‘Quem conta a História’ encontramos um relato bonito da entidade que apoia os cegos e surdos da região, mas não relatamos a parte ruim, o preconceito que existe ao redor. Ainda há um pensamento retrógrado que lança os deficientes ao espaço de inválidos. Quando elas chegam, viramos as costas e ignoramos sua presença, ferindo o sentimento dessas pessoas.
Há enorme falta de conhecimento sobre essas pessoas. Por exemplo, no caso dos surdos, é comum chama-los de mudos. Faz tempo que este termo já não é usado, e os próprios surdos desaprovam esta nomenclatura, eles falam sim, mas com as mãos. Suas mãos, dedos e expressões faciais contam longas histórias, e eles amam conversar. O fato de os cegos não conseguirem ver, não quer dizer que não possam sentir nossas reações, eles são muito inteligentes, e todos os seus demais sentidos são muito aguçados. Não os subestimem.
Compreenda as limitações dos outros e os acolham. Trate-os como gostaria de ser tratados. Mesmo que não saibam libras, mesmo que esta não seja sua realidade, tenham empatia e se comuniquem com o sorriso e com a simpatia. Um sorriso pode tanto ser visto como ouvido. Talvez seja difícil para a compreensão, mas os deficientes, apesar de limitações, eles falam, ouvem e veem com o corpo e com o coração. Que o coração seja nosso ponto de encontro com o próximo.
Por: Priscila Nascimento, Jornalista
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1689 de 12 de agosto de 2021.






