Reforma Tributária: Pagaremos menos impostos?

As propostas para a reforma têm como finalidade simplificar e facilitar o sistema tributário brasileiro.

Prolixa, complexa e ultrapassada, assim alguns definem o atual Sistema Tributário Brasileiro. Desde o início da gestão do Governo Federal fala-se sobre a necessidade de reformas nos sistemas. A reforma tributária é uma das mais comentadas, gerando a expectativa de que haja mais facilidade e a cobrança de menos tributos. As Propostas de Emendas à Constituição (PEC) formuladas, pelo menos em tese, tem como objetivo simplificar e facilitar o Sistema Tributário visando o crescimento e produtividade do país. Atualmente, existem três propostas principais para a reforma tributária no Brasil. Uma é de autoria da Câmara dos Deputados (PEC 45/2019), outra é do Senado Federal (PEC 110/2019) e a última do Governo Federal (PL 3887/2020). A Câmara dos Deputados e o Senado Federal instalaram, em fevereiro de 2020, a Comissão Mista da Reforma Tributária para unificar as duas propostas do Congresso Nacional (PEC 45/2019 e PEC 110/2019).

De que forma a Reforma Tributária pretende simplificar o sistema? As proposições estão alinhadas quanto ao objetivo de racionalizar a tributação sobre a produção e a comercialização de bens e a prestação de serviços. Ambas propõem a extinção de uma série de tributos, consolidando as bases tributáveis em dois novos impostos. A ideia do Governo Federal é eliminar alguns tributos como o PIS, Confis, IPI, ICMS e ISS, onde seria cobrado apenas o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS). Com estas mudanças o governo acredita que aumentaria a competividade das empresas.

O especialista em contabilidade, Fernando Semin, comentou sobre a importância desta atualização no sistema tributário, principalmente em relação ao valor elevado de impostos que é pago. “O brasileiro paga muitos impostos. Nós pagamos em impostos até agosto mais de R$ 1,7 trilhão, o que equivale aproximadamente a 35% do PIB nacional, apenas em tributos”, afirma. Para ele faz muito sentido que o quanto antes seja aprovada esta reforma, porque além das mudanças na questão de impostos a lei deverá ser simplificada, por exemplo, hoje apenas a legislação do Pis e Confins tem mais de duas mil páginas. São leis extensas e com muitas brechas que geram muitos entendimentos, devem ser repensadas e modificadas para facilitar o dia a dia do brasileiro, seja ele empreendedor ou consumidor final.

Não será possível explanar todas as propostas, porém, uma das mais comentadas é a relacionada a tributação do Pis/Confins. O que vai mudar com a reforma? Semin explica: “Hoje o Pis/Cofins, a alíquota dos dois impostos juntos é 3,65% nas empresas de lucro presumido. Essa alíquota é muito maior do que imaginamos. É paga na indústria, na distribuição e na loja. Para o consumidor significa que ele está pagando muito mais imposto. Ele pensa que só paga 3,65%, mas na verdade é muito mais que isso. Com a Reforma Tributária eles querem diminuir o imposto, a alíquota vai aumentar, mas o imposto pago será apenas em cima do lucro. Por exemplo, um produto que o distribuidor pagou R$ 100, 00 será vendido por R$ 120,00, ou seja, o imposto de 12% pela IBS apenas será cobrado sobre os R$ 20, não sobre os R$ 120,00. Quando chegar na loja o vendedor venderá por R$ 160,00, ele vai pagar o imposto sobre os R$ 40,00, não sobre os R$ 160,00. O produto tem a taxa de 12%, mas a alíquota acaba sendo mais justa. O objetivo da reforma é simplificar essa situação propondo uma regra para todo mundo. Na logica o imposto é pago só pelo lucro, hoje o imposto de 3,65% em cima de todo o valor, se aprovada a reforma vai ser só sobre o lucro. A ideia é enxugar para que chegue ao consumidor a um preço mais acessível”. Outra importante proposta advinda da reforma é a diminuição dos tributos cobrados na folha de pagamento. “O intuito de diminuir o tributo é incentivar a geração de mais empregos. Hoje é pago cerca de cerca de 40% em cima da folha de pagamento”, afirma.

Ainda há um imbróglio envolvendo os setores políticos nesta questão, são muitas cláusulas, ramificações de leis, e assuntos dentro deste mesmo tema que precisam ser acordados, como a questão do Imposta de Renda para pessoa física, um ponto que tem sido muito questionado. Na Câmara dos Deputados alguns acordos foram firmados e o texto base foi aprovado pela maioria. Agora segue para o Senado, logo em seguida para análise e sanção do presidente. Espera-se que mais rápido possível se chegue a um acordo que beneficie a todas as classes.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1693 de 09 de Setembro de 2021.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.