O teste da linguinha é um exame clínico, com pontuações aplicadas, conforme os movimentos e posições em que a língua do bebê está posicionada. Ele possibilita diagnosticar e indicar o tratamento precoce das limitações dos movimentos causadas pela língua, conhecida usualmente como língua presa. Essas alterações podem comprometer as funções exercidas pela língua, e de suma importância ao bebê, como, sugar, engolir, mastigar e falar.
Frênulo ou freio pode ser definido como uma pequena prega de membrana mucosa que conecta a metade da face sublingual (ou inferior) da língua, ao assoalho da boca. Outras regiões que a encontramos seriam a porção superior do lábio, e a porção inferior do lábio. Quando o freio está muito inserido, ou muito espesso, pode causar o diastema, que são os afastamentos dos dentes nas arcadas. Ele pode possibilitar ou interferir na livre movimentação da língua da criança. Quando ele está muito inserido, é porque existem tecidos residuais de formação embrionária, ou seja, são células remanescentes de quando o bebê ainda está em formação, durante o período gestacional da mãe. A presença destes tecidos em maior quantidade, pode levar à anquiloglossia (língua presa) total ou parcial.
O protocolo de avaliação do frênulo da língua em bebês (Teste da Linguinha) foi desenvolvido e validado durante o mestrado e doutorado da Fonoaudióloga Roberta Lopes de Castro Martinelli na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, por isto leva seu nome como protocolo de Martinelli, e passou a ser previsto pela Lei: nº 13.002, DE 20 DE JUNHO DE 2014. Aonde fala que é obrigatória a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês, em todos os hospitais e maternidades, nas crianças nascidas em suas dependências, em até 72 horas após o nascimento.
A língua presa, como é conhecida, é uma anomalia oral congênita, que pode ocorrer das mais variadas formas, limitando a mobilidade de língua em graus variados e podendo interferir nas funções orais. Levando a uma série de complicações no desenvolvimento craniofacial da criança, dificuldade de mastigação, apinhamento dos dentes no momento do nascimento destes, constrição ou diminuição de crescimento das arcadas, e de maneira mais tardia, interferir também na fala e no processo de aprendizagem da criança.
De maneira imediata, problemas mais severos como frênulo curto e em porções mais anteriores da língua, podem provocar alterações no padrão de sucção do bebê durante a mamada, interferindo no aleitamento materno, onde causam um grande desconforto ou dor para as mães no momento da amamentação. Para o bebê se reflete no cansaço para sugar, causando ciclos de mamadas mais curtos, com várias paradas e consequente deficiências nutricionais. A língua presa pode levar ao aumento da frequência cardíaca do bebê, pelo grande esforço ao mamar, e diminuição da saturação de oxigênio do bebê durante o processo, levando ao grande processo de gasto calórico, então o bebê pode não ganhar peso adequado, nas primeiras semanas de vida.
Em bebês, a amamentação está diretamente relacionada com as funções de sucção e deglutição, coordenadas com a respiração. Em ambas, a participação dos movimentos da língua é fundamental. Essa dificuldade para amamentar, pode levar ao desmame precoce, comprometendo o desenvolvimento dos bebês.
Diagnosticar a anquiloglossia total não é difícil, pois ela é muito visível; mas diferenciar as variações anatômicas do frênulo requer conhecimento bastante aprofundado da anatomia da língua e do assoalho da boca para identificar se tais variações anatômicas podem comprometer a movimentação da língua e consequentemente, as funções orais.
Se perceber qualquer sinal de alerta, durante os primeiros dias de vida, ou quando a criança inicia a fala e não consegue pronunciar a letra “R”, os pais devem procurar um profissional da saúde habilitado para tal diagnóstico: o cirurgião-dentista, o fonoaudiólogo, o enfermeiro obstetra e o pediatra normalmente trabalham em conjunto, para a melhor correção deste processo. E o cirurgião dentista está habilitado para realizar a remoção, seja total ou parcial do freio.
Todas as técnicas para remoção são válidas, mas a mais atual e que promove menor desconforto ao bebê é a remoção do freio com o aparelho de laser de alta frequência. Ele é seguro, eficaz, rápido e não ocorre sangramento durante o procedimento. A criança, quando indicada recebe anestesia tópica, própria para a sua idade e então é realizado a técnica escolhida pelo profissional. Realizado o procedimento, em seguida a criança é colocada para mamar e a pega ocorre de maneira correta na mesma hora, é intuitivo e a criança é reavaliada 7 dias após o procedimento.
Como orientação, fica a conversa com o pediatra do bebê e a avaliação da necessidade de remoção do freio. A incidência em nossa região para tal procedimento é alta, mas nem toda criança necessita passar pelo procedimento, minha indicação é o monitoramento e acompanhamento ao longo dos primeiros mil dias de vida do bebê.
Por: Dra Andressa Franceschi Dallanora
Habilitada em laserterapia . IALD São Paulo
Especialista em Prótese e Ortodontia
Mestranda em biociencias, Professora Universitária
CRO SC 10797 – Contato: (49) 98419-6305
*Artigo publicado no ‘Jornal O Celeiro’, edição, 1699 de 21 de outubro de 2021.







