Cerca de 2,70% vive em situação de pobreza, e 0,99% em situação de
extrema pobreza no município. Números abaixo da média tornam possível uma mudança efetiva?
A pobreza é um problema que assola o mundo inteiro. No Brasil a situação é alarmante, aproximadamente 2,8 milhões de famílias vivem em pobreza, segundo dados do Governo Federal, fato que se agravou ainda mais com a pandemia. A pobreza é considerada um crime contra os Direitos Humanos, e já causou a morte de muitas pessoas. Diante de tanta preocupação com este tema, a Organização das Nações Unidas estabeleceu o dia Internacional para Erradicação da Pobreza celebrado em outubro.
Felizmente Campos Novos não possui números altos relacionados a pobreza e extrema pobreza, porém, mesmo sendo baixo ainda existem pessoas que sobrevivem em situação de grande dificuldade. Cerca de 346 famílias vivem em situação de extrema pobreza, representando 0,99% da população, e 994 em situação de pobreza, representando 2,70%, segundo os dados do Ministério da Cidadania. Diante desta realidade, será possível erradicar a pobreza no município?

A secretária municipal de Assistente Social, Marta Ramos, se mostrou positiva quanto ao fim deste problema. Porém, mesmo com um número inexpressivo ainda causa espanto que o município tenha tais registros, principalmente pelo fato de apresentar um Índice de Desenvolvimento Humano alto. Mas afinal o que configura a extrema pobreza e pobreza? “As pessoas em extrema pobreza são aquelas que não conseguem os subsídios para ter o mínimo de qualidade de vida. A pobreza é a situação de quem não tem as condições básicas para garantir a sobrevivência com qualidade de vida e dignidade tendo esta carência de bens e serviços essências para a vida humana, como alimentação, vestuário, acesso a saúde e moradia”, explica Marta.
Quais são os planos a curto e longo prazo da Administração Municipal para minimizar ou mesmo erradicar o problema? Marta diz que a Secretaria tem feito ações pontuais e há projetos maiores para apoiar e ajudar essas famílias a sair desta situação. A população mais carente tem disponível o auxílio eventual para para compra de alimentos no valor de R$183,00. “Ação social não é política de assistência. Ações sociais como campanha de arrecadação com a comunidade para repassar aos vulneráveis, mas nós fazemos isso nesse momento para diminuir o impacto dessas famílias. É um valor que é repassado apenas em momentos atípicos. Algumas famílias até recebem algum outro tipo de auxilio, mas conseguem o benefício eventual porque o gasto com medicação é alto”, acrescenta a secretária.
Disponibilizar valores para estas famílias é uma forma paliativa de ajuda-las, mas não soluciona o problema de forma efetiva. É preciso trabalhar o problema na raiz para que as pessoas possam ter suporte para mudar sua realidade.
Dar o peixe, ou ensinar a pescar?
A pobreza não será erradicada se apenas houver ações de caridade em favor dos desfavorecidos. É preciso um plano maior para que as famílias sejam autônomas em se sustentar. Trabalhar é uma das maneiras de conseguir suprir as necessidades básicas da família. Campos Novos tem muitos empregos disponíveis, o que falta é mão de obra, pessoas que se encaixem nos requisitos exigidos. Visto que as pessoas de baixa renda tem pouca escolaridade e lhes falta experiência, fica praticamente impossível que elas sejam inseridas no mercado de trabalho.
A proposta da Administração Municipal é a implantação do projeto ‘Construindo Pontes’, ainda em fase de construção. “Estamos desenvolvendo um projeto interno como política pública para auxiliar uma parte dessas famílias e encaminha-las ao mercado de trabalho. Temos como parceiros o Senai, o Sebrae, o Senac, a Secretaria de Industria e Comércio e o CDL. Queremos incentivar e dar o suporte para que o cidadão consiga ter a formação mínima e a experiência para o mercado. Temos vaga no Sine, mas se ele não se enquadra, ele não preenche a vaga. O ‘Construindo Pontes’ é um projeto piloto que vamos desenvolver ao longo dos anos. Vamos construir uma rede de apoio para diminuir o impacto da pobreza e fomentarmos as políticas públicas para que a qualidade de vida deles melhorem. No mais tardar no início do próximo ano vamos colocar o projeto em prática”, conta a secretária.
Questões culturais
Sair deste lugar ou permanecer onde está? Diversos fatores levam ao caminho da pobreza, mas independentemente dos motivos, o que importa é a vontade e o esforço que se faz para sair dela. É possível que ao longo do tempo, com todas as ajudas governamentais disponíveis, alguns tenham se acostumado e até achem que é obrigação do Poder Público sustenta-las. A cultura do assistencialismo pode gerar um comportamento negligente e estático que as faz permanecer neste lugar de necessitados, mas a secretária acredita que no município a situação seja diferente. “Em alguns casos há um vício de longa data de achar que o Poder Público tem a obrigação de mantê-las. A maioria não tem essa cultura, muitas que nos procuram em busca de ajuda estão cientes que precisam sair dessa situação. Eles só precisam de oportunidade. A Política de assistência não é ação social, nossa política tem a intenção de tirar o cidadão desta realidade. Esta situação já mudou, houve um tempo em que havia um número maior de ajuda”, afirma.
Crianças em idade escolar
Em algumas dessas famílias que vivem em pobreza ou extrema pobreza é comum haver crianças e adolescentes em idade escolar, mas que ainda não frequentam o ensino regular, fato que a médio e longo prazo impede o ingresso no mercado de trabalho. Sobre esta situação, Marta diz que a Secretaria tem feito uma busca ativa para identificar a situação. “Implantamos esse ano uma política diferente. Trabalhamos por agendamento, por exemplo, se a família precisa do auxilio e o solicita, uma assistente social vai até a casa da pessoa. Ela fará uma triagem, onde verificará a quantidade de idosos, situação de maus tratos, e se as crianças estão na escola. Nós queremos visitá-lás para ter uma visão de como estão e para pensar algo maior”.
Por fim, avaliando a situação existente em Campos Novos, será possível realmente erradicar a pobreza? “Sim, basta que todos ajudem. Isso depende de parcerias com a Administração Municipal, clubes de serviço e comércios. Não estamos apenas falando de doações pontuais. Para sanar a pobreza é um conjunto de ações. A pobreza não envolve apenas a Assistência Social, mas outros setores. Todos podem fazer essa contribuição”, responde convicta a secretária de assistência social.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1700 de 28 de outubro de 2021.







