Inspiração e emoção marcaram a editoria ‘Quem Conta a História’

No ano em que Campos Novos completou 140 anos, o jornal O Celeiro prestou uma singela homenagem ao município e às pessoas que ajudaram a fazer esta história.

Foram longas e inspiradoras conversas ao longo desses meses em que o jornal ‘O Celeiro’, criou a seção ‘Quem Conta a História’, editoria especial em comemoração aos 140 anos de Campos Novos. Infelizmente muitos nomes importantes ficaram de fora e muitas histórias não puderam ser contadas. Além disso, muitos fatos deixaram de ser contados em nossas páginas, mesmo daqueles que foram entrevistados, pois eram tantas e tantas memórias, que somente um livro para registrá-las. Risos, choro, indignação, alegria, entusiasmo e muito saudosismo regaram as inúmeras conversas. As histórias de conquistas, superação e mudanças provavelmente deixaram os leitores inspirados e emocionados. Campos Novos chegou aonde chegou até aqui, devido ao trabalho dedicado de centenas de pessoas que aqui viveram e contribuíram para a transformação deste município. A individualidade construiu a coletividade formando a sociedade camponovense.

Ao todo a editoria entrevistou quarenta e duas pessoas de diversos setores que compartilharam lembranças e memórias do município

Foram 42 entrevistados, entre homens e mulheres, cada um deles repres entando um setor de relevância para Campos Novos. Agronegócio, saúde, educação, direito, construção civil, cultura, tradicionalismo, terceiro setor, política, comunicação, comércio, esporte foram temas abordados pelos entrevistados que dissertaram sobre sua história pessoal, evolução dos setores e como colaboraram para o desenvolvimento do município. Camponovenses naturais e de coração se dedicaram a esta terra e por ele nutrem um sentimento de amor, carinho, apego e admiração. Alguns continuam aqui, outros moram longe, mas os sentimentos se mantem.

Alguns lembram em detalhes como era cada canto da cidade. Mui

tos comentaram a situação das ruas e das estradas sem pavimentação. Lama, buraco e poeira era a descrição da cidade. A quantidade de médicos era mínima, e não havia postos de saúde. A agricultura era manual e lenta, sem tecnologias e sem maquinários, e a produção muito pequena. Havia poucas escolas e levou bastante tempo para Campos Novos ter uma universidade. O comércio era insignificante, e muitos moradores recorriam a municípios vizinhos para realizar suas compras.

Após 140 anos, Campos Novos vive um momento de crescimento e muitas conquistas. Quem viu a Campos Novos de outrora, surpreende-se com a guinada que o município deu. A inteligência, a sagacidade, a busca por conhecimento, mudança de mentalidade e visão, e muito trabalho deram ao município uma nova roupagem e um novo ar. Apesar de sua vocação agrícola, Campos Novos exala modernidade, inclusive no campo. Nada disso aconteceria não fosse o trabalho de muitas mãos unidas.

Selecionamos algumas falas de entrevistados para relembrar acontecimentos marcantes:

Eduardo Zortéa: “Começamos o plantio aqui e assim que colhemos as primeiras safras levávamos a um armazém perto da saída para o Rio Grande do Sul, mas eram pequenos e insuficientes. Em 1970 nós não tínhamos onde entregar, e não tinha asfalto bom para escoar, eram péssimas condições. Foi quando reunimos algumas pessoas para construir uma unidade para receber grãos”.

Riscala Miguel Fadel: “Quando ocorreu a primeira vacinação geral no Brasil a determinação era vacinar 95% das crianças. Campos Novos ainda não havia se desmembrado de outros municípios, tínhamos que ir em todos os lugares. Alguns não quiseram aceitar a vacina, tínhamos que recorrer a polícia porque a meta tinha que ser concluída”.

Vera Durli: “A Ama foi projetada para fazer a diferença na vida das pessoas com autismo e das famílias. Já somos uma referência no estado. Em breve vamos construir a nossa sede, o Centro de Equoterapia. Campos Novos só tem a se orgulhar de ter uma instituição desse porte, prestando serviço especializado”.

José Juracy dos Santos: “Campos Novos teve um salto, isso tem que ser reconhecido, principalmente a partir da instalação da Usina. Vemos um grande desenvolvimento da agricultura de Campos Novos, mas precisamos de desenvolvimento industrial, senão voltaremos a ser apenas exploradores de matéria-prima restrito a produção agrícola. É a hora de Campos Novos começar a trabalhar nisso. Que a nossa economia não seja apenas baseada no agronegócio”.

Marli Becker: “No passado as pessoas corriam para Joaçaba para fazer compras. Em meados de 2006 mudamos este cenário. A primeira iluminação de Campos Novos foi feita pelas nossas mãos. Mesmo sem dinheiros nós iniciamos as decorações das ruas, dos comércios e a iluminação da praça. As pessoas se empolgavam e deixavam suas casas bem iluminadas, assim como o comércio. Aos poucos a cidade foi se desenvolvendo e hoje temos um espetáculo na praça no natal”.

Sady Jacomel: “Participei nesta inovação e transformação do município. Os primeiros elevadores fui eu que implantei. Nós saímos do estado e voltamos com uma nova visão e novas ideias. Vimos outras cidades com a construção de edifícios e queríamos acompanhar a tendência. Nós implantamos o sistema de condomínio e edifícios maiores. Eu parti com o projeto de quatro pavimentos. A partir daí outros profissionais foram dando sequência”.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1709 de 30 de Dezembro de 2021.

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