Pré-Natal: Que cuidados uma mulher deve tomar ao descobrir a gravidez?

Preconizado pelo MS, o pré-natal é imprescindível para a manutenção da saúde da mãe e do bebê.

Garantir uma gestação saudável, diagnosticar e tratar precocemente possíveis complicações através de consultas e exames periódicos. Este é o principal objetivo do pré-natal. É o cuidado de saúde recomendado para todas as gestantes pelo Ministério da Saúde e oferecido gratuitamente pelo Sistema único de Saúde. O pré-natal não é opcional, é uma obrigação de toda gestante. Esta é a definição genérica deste processo. Contudo, mais do que um protocolo, é possível afirmar que o pré-natal salva vidas e prepara as gestantes física e emocionalmente para os meses de tantos desafios.

Quem já passou pela experiência de gerar uma vida sabe que é um processo longo, difícil e transformador. Não é um paraíso como muitos dizem, e pode ser ainda mais complicado para quem não se programou ou não desejava ser mãe. No entanto, independentemente do desejo, o fato de estar gestante requer cuidados reais. Jaqueline Vicente, enfermeira especialista em Ginecologia e Obsterícia, Mestre em Biociências, Doula e Consultora de Aleitamento Materno, tem uma vasta experiência no acompanhamento de mulheres antes e após a criança nascer. Em entrevista ao jornal o Celeiro ela falou sobre o processo de gestação e sobre a importância de levar a sério os cuidados. Jaqueline inicia relatando que a gestação provoca inúmeras mudanças. Entender e aceitar o processo vai fazer a diferença na qualidade de vida da mulher e o pré-natal também faz parte deste autoconhecimento.

Que transformações acontecem durante a gravidez? “São muitas”, diz a profissional de saúde, citando o medo e a ansiedade como um dos primeiros fatores que afetam o emocional da gestante. “Existe a depressão do pré-natal, ou seja, quando a mulher descobre a gestação. Às vezes é uma gestação indesejada, ou veio antes do tempo previsto. Há um estereotipo de que o momento da gravidez é sublime e um mar de rosas, mas há muitas dificuldades. Nem sempre é publicado nas redes sociais as dores, angústias e desafios. Não é preciso se culpar, é precioso apenas aceitar e cuidar para que tudo fique bem. Se a aceitação demorar a acontecer é importante buscar ajuda médica e psicológica. Muitas também ficam com dúvida quanto a se conseguirão dar conta de cuidar do recém-nascido. No pré-natal preparamos a mulher para este período em que ela será o ambiente do bebê. Ao entender este processo podemos ajudar a melhorar a questão do medo e ansiedade”, diz Jaqueline.

O medo e a insegurança são apenas um dos problemas desta fase, há ainda as mudanças fisiológicas. Jaqueline lista algumas delas: “Entre as primeiras coisas que acontecem é a ausência da menstruação. O corpo vai se abrir para dois organismos. Ocorre o aumento da vascularização e podem surgir edemas. A questão hormonal também provoca mudanças na pele, queda de cabelo. As mudanças são físicas e emocionais. Algumas ficam mais emotivas, com mais raiva. Vômito, mudança de humor, insônia. Há uma baixa de estrogênio, progesterona, prolactina. Há uma oscilação de hormônios”, relata. Em cada trimestre surgem sintomas específicos. No entanto, há casos em que a mulher pode não sentir muitos dos sintomas citados. Algumas podem até passar a gestação inteira sem sentir nenhum deles. Cada organismo vai responder de um jeito.

Além de tudo, neste período é muito o surgimento de algumas doenças, como anemia, pré-eclâmpsia, diabetes e hipertensão gestacional. Diante de tantos acontecimentos que ocorrem em nove meses, não é possível viver tudo isso sem o acompanhamento especializado. Por tantos motivos, a enfermeira obstetra ressalta a urgência em buscar o pré-natal no início da gestação. “A fase inicial da gestação é muito importante, por isso é essencial começar o pré-natal o quanto antes. O pré-natal é para cuidar do bem-estar da mãe e do feto. Por meio dele é possível investigar as comorbidades e riscos da gestação. Serão realizados exames físicos e obstétricos. Este é o momento para orientar a mulher. Deve ser iniciado logo ao descobrir a gravidez. Quanto mais precoce começar, melhor. O MS preconiza no mínimo seis consulta durante a gestação. No pré-natal é possível classificar os riscos da gestação. Problemas de saúde, histórico da mulher, e idade são fatores que podem determinar se o risco é baixo, médio ou alto”, explica a profissional.

Apesar de ser uma obrigação da gestante, às vezes há negligência na realização do pré-natal. Quais os riscos de não fazer este acompanhamento corretamente? “Isso pode levar a morte fetal ou da mãe. Pode ocorrer a morte fetal na barriga e a mãe não conseguir identificar. A mulher precisa conhecer seu corpo e entender quais os sinais de alerta. Uma gestação bem sucedida é de responsabilidade da mulher e do profissional de saúde. No pré-natal a mulher recebe a indicação para demais tratamentos, inclusive se é indicado exercícios físicos, apoio psicólogo e nutricional. Independentemente do sentimento por trás da gestação, é importante que a mãe cuide do bebê enquanto o bebê está dentro dela”, reforça Jaqueline. Toda mulher tem direito e responsabilidade de realizar o pré-natal, independentemente da situação econômica. O SUS dá o suporte para que a mulher tenha acesso gratuito a este atendimento.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1736 de 30 de junho de 2022.

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