Quadro se desenvolve diante de episódios repetitivos de estresse, de exaustão e tensão.

O aumento de doenças ocupacionais pode estar relacionado ao ritmo intenso de trabalho, principalmente quando associado à intensificação do que é exigido nas funções laborais. Os altos níveis de estresse, de cobrança, de metas e as condições inadequadas do ambiente colocam o trabalhador em vulnerabilidade.
O ministério da Saúde (2002) classifica a Síndrome de Burnout como um transtorno mental e de comportamento relacionado ao trabalho. Está incluída no Código Internacional de Doenças, sendo definida como a resposta prolongada de estressores emocionais e interpessoais crônicos no ambiente de trabalho. (Organização Mundial de Saúde [OMS], 2000).
A International Stress Management Association (ISMA-BR) definiu o Brasil como 2º país do mundo com mais casos. Conforme levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), a doença atinge 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores. Ou seja, são acometidos 3 em cada 10 trabalhadores.
O que é a síndrome de Burnout?
A psicóloga Emanuele Borella explica que Burnout pode afetar diferentes profissionais de qualquer faixa etária, além de estudantes. Ela destaca que a síndrome constitui-se como um dos grandes problemas psicossociais atuais, despertando interesse e preocupação por parte da comunidade acadêmica e das entidades empresariais.
Outro fator de destaque sobre o Burnout é que não se trata de um episódio repentino. O nervosismo, sofrimento psicológico e problemas físicos são sintomas acumulativos. O maior sinal da síndrome é a exaustão emocional. “Inicialmente o paciente sente os sintomas, mas acredita que é algo passageiro e procura ajuda somente quando chega ao ápice do esgotamento”, diz Emanuele.
A psicóloga ainda informa que, a maioria dos pacientes demora a pedir ajuda por receio de perder o emprego ou por vergonha de admitir o sofrimento psicológico. ”Infelizmente, ainda é um tabu procurar a ajuda de um especialista. Principalmente quando o sofrimento não é compreendido como um agravante psicológico, por este motivo, muitos procuram a ajuda quando estão no seu limite”.
O diagnóstico é feito após a análise clínica do paciente. Profissionais como psicólogo e psiquiatra são indicados para orientar a melhor forma de tratamento, conforme cada caso.
Quais os sintomas do Burnout?
Os sintomas do Burnout podem ser de cunho psicológico, psicossomático e comportamental e geralmente produzem consequências negativas ao indivíduo. Os pacientes apresentam-se emocional e fisicamente exaustos, podendo demonstrar irritabilidade, ansiedade, baixa autoestima, dificuldade de concentração, falta de motivação e desinteresse no trabalho. Além disso, os sintomas podem ser físicos, como dores de cabeça constantes, enxaqueca, fadiga, aumento da pressão arterial, tensão muscular, palpitação, insônia, problemas gastrointestinais e gripes/resfriados recorrentes.
”O paciente expressa uma baixa autoestima em relação ao trabalho. Acredita que não consegue realizar as atividades propostas, apresenta medo de ir trabalhar e muito pessimismo em relação ao emprego, além de uma diminuição na realização pessoal”, diz Emanuele.
Como tratar Burnout?
Pequenas mudanças na rotina do trabalho são utilizadas como prevenção frente ao Burnout. Algumas estratégias devem ser elaboradas para reduzir o estresse e a pressão no trabalho, diminuindo assim, o desenvolvimento da doença.
A Psicóloga Emanuele Borella explica que, para tratar a síndrome é preciso fazer uma análise de cada caso, levando em consideração o estilo de vida de cada paciente e se tem algum outro quadro associado ao Burnout, como a depressão ou a crise de pânico.
”O paciente quando apresenta os sintomas agravados, geralmente tem algo associado ao Burnout. Costuma-se recomendar no atendimento psicológico a organização de uma rotina que auxilie o paciente a manter o equilíbrio das atividades diárias, diminuindo o desconforto e, consequentemente, gerando o bem-estar”, diz Emanuele.
O tratamento inclui o uso de medicamentos e a psicoterapia. A mudança nos hábitos e nas condições de trabalho é fundamental para trazer o equilíbrio entre o trabalho, lazer, família e vida social.
Para tratamento/prevenção da síndrome, a psicóloga indica:
- Buscar ajuda psicológica para resgatar a autoestima/autoconfiança;
- Praticar atividades prazerosas e de relaxamento;
- Ter uma boa qualidade do sono;
- Praticar atividades físicas regulares;
- Ter uma boa alimentação;
- Manter o convívio com amigos e familiares;
- Conversar com alguém de confiança sobre o que se está sentindo;
- Não se automedicar, sempre buscar atendimento/orientação médica.
Entender como pode ser prevenido e tratado o Burnout é essencial para a promoção em saúde mental corporativa. A qualidade e bem-estar no ambiente laboral são necessários para um bom desempenho do trabalhador.
Emanuele Borella é Psicóloga CRP 12/19753 e atende no Bem Viver Centro de Terapias Integrativas, o contato para agendamentos é: (49) 99805.9089 / (49) 99131.9191.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1744 de 01 de Setembro de 2022.






