Climatério e Menopausa: Ginecologista discorre sobre os sintomas, sinais e efeitos deste período

Dra. Raphaela Amaranto dá dicas de como as mulheres podem se preparar para este momento.

O termo menopausa é, muitas vezes, utilizado indevidamente para designar o climatério, que é a fase de transição do período reprodutivo, ou fértil, para o não reprodutivo da mulher. A menopausa é o nome dado à última menstruação, que geralmente acontece entre 45 e 55 anos, marcando o fim da fase reprodutiva da vida da mulher.
Para muitas mulheres, a chegada da menopausa provoca irregularidades menstruais, menstruações mais escassas, hemorragias, menstruações mais ou menos frequentes. Outros sinais e sintomas característicos como ondas de calor (fogachos), alterações do sono, da libido e do humor, bem como atrofia (enfraquecimento ou definhamento) dos órgãos genitais, aparecem em seguida.

Ao falar destes sintomas da menopausa, algumas pessoas podem encará-la como um problema de saúde. Apesar de poder apresentar dificuldades, o climatério é um período importante e inevitável na vida da mulher. Mas esta fase da vida, pode ser encarado como uma doença?

Para esclarecer esta e outras dúvidas, a Reportagem do Jornal O Celeiro entrevistou a Médica Ginecologista Dra. Raphaela Amaranto (CRM-SC 30962 / RQE 20712), como você acompanha a seguir:

  • A disfunção sexual pode ser considerada uma patologia (doença)?

A melhor definição é que a disfunção sexual, redução do impulso sexual, diminuição da libido, desejo sexual hipoativo, só vai ser considerado patológico quando ele trouxer transtorno, como angústia e sofrimento, e a partir daí iniciamos um tratamento. Vamos dizer que reduziu o seu impulso sexual, sua libido zerou, mas isso não te traz tristeza e angústia, eu não considero uma patologia.

Importante nestes momentos que a mulher se questione e entenda o que está passando, por isso é importante conversar com ginecologista, em especial, um profissional que tenha interesse no assunto sexualidade, para que ambos cheguem num consenso para tratar ou não aquela paciente.

À medida que você vai ganhando mais confiança com o seu médico, vai se conhecendo mais, e muitas vezes pode estar recorrendo a outros profissionais, como psicólogos e fisioterapeutas.

  • Como ocorre a diminuição da libido, quando devo me preocupar?

A diminuição da libido é uma redução do impulso sexual, é importante que possamos identificar quando isso ocorreu e quais foram as causas dessa diminuição da libido. Na fase do climatério da menopausa, não podemos culpar apenas a diminuição dos hormônios, principalmente o estrogênio, existem outras causas que podem estar associadas a esta fase de vida e que vai levar essa redução do impulso sexual. Neste contexto entra, fatores psicológicos, orgânicos (parte fisiológica), estresse, o tipo da relação com o parceiro entre outros.

O impulso sexual não é apenas para um casal heterossexual, as mulheres homossexuais também precisam fazer visita ao Ginecologista, principalmente mulheres que já tiveram contato sexual com homens, pois estas mulheres tiveram um passado sexual e isso pode vir à tona mais a diante e por isso temos muito o que discutir com estas pacientes.

  • Como aumentar a expectativa de vida e prolongar uma vida sexual ativa?

O estilo de vida e a prevenção de doenças podem aumentar a expectativa de vida da mulher. Se você tem uma vida saudável, se você é equilibrada psicologicamente, se consegue manter uma harmonia entre o funcionamento do seu corpo e o desejo sexual, além do aumento da expectativa de vida, você vai continuar tendo uma vida sexual ativa e prazerosa. Não é porque você entrou na menopausa que acabou o desejo e o impulso sexual foi embora, que você vai ficar de braços cruzados sem lutar para que este desejo volte, isso é possível.

  • Como definir este momento do Climatério e Menopausa?

O climatério é a fase da transição, entre o período reprodutivo e a menopausa. Ele inicia por volta dos 45 anos podendo se estender até os 55 anos. É uma fase onde a mulher vai começar a apresentar alguns sintomas, sendo que o mais característico, que vai acender a luz de alerta, é a questão da regularidade menstrual. A princípio a mulher passa a ter ciclos menstruais mais próximos e depois eles começam a ficar cada vez mais distantes.
Pode-se dizer que uma mulher entrou na menopausa quando ela fica num período de um ano sem menstruar, esse tempo é conhecido como período de menorreia. Outros sinais e sintomas vão aparecendo. O segundo mais relatado pelas pacientes é a questão do calor, da sudorese noturna, o que denomina-se fogachos.

São ondas de calor que a mulher percebe, diminuição de libido, ressecamento de pele, alteração de humor, distúrbio de sono, ou seja, é uma série de sinais e sintomas que a mulher vai percebendo. É necessário ter cuidado, por isso é tão importante ter um acompanhamento ginecológico, por exemplo, você tem 45 anos e entrou no período de menorreia e não climatério, o que significa que nem sempre a ausência da menstruação vai caracterizar a menopausa.

  • O que é feito para amenizar estes sintomas?

Isso vai depender da particularidade de cada uma, não tem uma receita, porém com algumas pacientes iniciamos com uma terapia de reposição hormonal, é um tabu, mas que traz grandes benefícios se usada de forma correta. Em outras pacientes entramos com medicações que não são hormonais, mas que atuam nestes sintomas vasomotores, e outros fatores, como atividades, estilo de vida, além de outros cuidados.

  • Quanto aos medicamentos para esta fase da vida, se tornou um tabu para as mulheres?

A terapia de reposição hormonal era vista por muitas pessoas de uma forma maléfica, no sentido de induzir o câncer de mama. Porém, hoje existem estudos que provam que isso não é verdade. Tomamos todos os cuidados pela própria dosagem que usamos hoje, medicamentos variados, é claro que existem contraindicações, mas isso vai depender de cada situação.

  • Durante as consultas periódicas, a ginecologista já deve preparar a mulher para este período?

Esse preparo é importante pois tem a questão psicológica, a mulher está entrando numa nova fase que vai implicar em outros conflitos. A pessoa vai sair daquela fase reprodutiva, tem a questão da idade, por isso é muito importante este preparo.

Outra situação faz referência à expectativa de vida da mulher, que aumentou muito nos últimos tempos, a mulher vive hoje cerca de 1/3 da sua vida na menopausa e antigamente não era assim, a expectativa de vida da mulher era bem menor. É um período muito significativo, portanto, se você puder ter mais qualidade de vida e minimizar riscos, por exemplo, de doença cardiovascular ou osteoporose, você terá uma vida extremamente ativa depois do fim da fase reprodutiva, ao contrário de antigamente, que já era vista como uma pessoa velha.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1759 de 15 de Dezembro de 2022.

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