Diversos tipos de animais são vistos com mais frequência e demonstram qualidade e atenção ao meio ambiente.
O Parque Estadual Rio Canoas (Paerc) é uma Unidade de Conservação administrada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) com apoio do Governo do Estado de Santa Catarina, e está localizado em Campos Novos, com uma área total de 1.228,7 hectares.
A área correspondente ao Parque Estadual Rio Canoas foi adquirida pela empresa Campos Novos Energia S/A (Enercan) e doada ao Estado de Santa Catarina como compensação ambiental decorrente da implantação da Usina Hidrelétrica em Campos Novos.
Com 20 anos de existência, o local oferece trilhas ecológicas, paisagens exuberantes, riquezas naturais, além de abrigar uma vasta diversidade de espécies da fauna nativa, incluindo várias espécies consideradas raras em muitos locais de Santa Catarina, inclusive algumas estão ameaçadas de extinção. Sendo o lar de onças-pardas, jaguatiricas, catetos, queixadas, veados, serpentes e mais de cem espécies de aves, entre muitos outros animais.
A equipe do jornal O Celeiro, conversou com a funcionária do IMA e coordenadora do Parque Estadual Rio Canoas Leila Denise Alberti, e com o ecólogo e mestre em biologia Fábio Penna Espinelli, sobre a diversidade da fauna local, com destaque para o urubu-rei, o maior e mais colorido dos urubus, uma ave rara de ser observada com características marcantes, que estão presentes no Parque.
CONTRIBUIÇÃO
A fauna do Parque desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio da floresta de araucária, que é o principal ecossistema da região. Espécies como cutia (Dasyprocta azarae) tem o hábito de enterrar o pinhão para consumir depois, e muitas vezes acabam esquecendo, contribuindo diretamente para a regeneração das árvores.
Predadores como os felinos controlam as populações de aves e outros mamíferos, evitando a superpopulação e, consequentemente, o desequilíbrio ecológico. Como por exemplo, em muitos locais no estado de Santa Catarina onde há ausência de grandes predadores como a onça-parda (a onça-pintada é considerada extinta em SC desde os anos 70), as populações de capivaras crescem sem um controle natural.
Além disso, animais herbívoros, como veados e catetos, auxiliam na dispersão de sementes ao se alimentarem de frutos, enquanto animais como as serpentes mantêm o controle sobre roedores. Dessa forma, cada espécie cumpre um papel essencial na preservação da biodiversidade e na manutenção do ecossistema da floresta de araucária.
ESPÉCIES
Na área do parque encontramos algumas espécies ameaçadas de extinção, como por exemplo o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), um felino de pequeno porte classificado como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) enfrenta ameaças devido à caça ilegal e à destruição de seu habitat natural, é considerada em perigo pela lista vermelha da IUCN, pois sua população é pequena e vulnerável, exigindo esforços contínuos para garantir sua proteção e sobrevivência a longo prazo.
Outra espécie importante é o grimpeiro (Leptasthenura setaria), uma ave que depende das araucárias para se alimentar, nidificar e viver, o que a faz uma espécie endêmica da floresta de araucária, sendo considerada quase ameaçada de extinção pela IUCN.
AÇÕES
Diversos esforços estão sendo realizados para proteger a fauna do parque, incluindo:
uMonitoramento e Pesquisa: Programa contínuo de monitoramento da fauna e a pesquisa de mestrado da aluna Giovana (UFSC) ajudam a entender a ecologia das espécies e a identificar ameaças.
- Proteção do Habitat: A conservação e a restauração da vegetação nativa, especialmente da floresta de araucária, são fundamentais para manter os habitats necessários para a sobrevivência das espécies.
- Educação Ambiental: O atendimento ao público no Centro de Visitantes do parque visa conscientizar a comunidade local e os visitantes sobre a importância da biodiversidade e as maneiras de protegê-la.
Esses esforços combinados buscam garantir a preservação da fauna e a integridade dos ecossistemas da região.
DESAFIOS
Nos dias de hoje o principal desafio enfrentado pelos gestores, biólogos, ecólogos e conservacionistas no Parque inclui o manejo das espécies invasoras, ou seja, aquelas espécies que não são nativas da região.
A presença de espécies não nativas pode competir com as espécies locais por recursos e alterar o equilíbrio ecológico.
No momento tem sido registradas duas espécies exótica invasora da flora e três espécies exóticas invasoras da fauna, uma delas é o javali, que pode causar impactos negativos no Parque, como a competição com animais nativos, a predação de sementes, a alteração da comunidade vegetal, danos ao solo e aos corpos d’água, alteração na qualidade da água, distúrbios na vegetação e no solo.
A interação equilibrada entre fauna e flora é fundamental para a saúde dos ecossistemas, pois cada espécie desempenha um papel crucial na manutenção do ambiente. A vegetação, especialmente as florestas, não apenas fornece abrigo e alimento para a fauna, mas também desempenha um papel vital na preservação da água e na regulação do clima.
URUBU-REI
O urubu-rei é uma ave imponente, com envergadura que varia de 170 a 198 cm e peso entre 3 e 5 kg, alcançando cerca de 85 cm de comprimento.
Suas características físicas mais marcantes incluem a cabeça e o pescoço nus, com cores vibrantes em tons de vermelho, amarelo e laranja.
A parte superior do corpo é predominantemente amarelo-clara ou esbranquiçada, enquanto as asas e a cauda são pretas. O lado inferior do corpo é branco, contrastando com as penas negras das asas. Essa combinação de cores e o tamanho impressionante tornam o urubu-rei uma das aves mais facilmente reconhecíveis em seu habitat.
Ave é a maior e a mais colorida entre as cinco espécies de urubu que ocorrem no Brasil.
As principais ameaças enfrentadas pelo urubu-rei incluem a contínua degradação de seu habitat, associada à sua baixa taxa de reprodução. Esses fatores têm contribuído para a diminuição da população, tornando a espécie cada vez mais rara de ser observada na natureza.
EQUILÍBRIO
O urubu-rei não caça, porém desempenha um papel crucial no ecossistema ao se alimentar de animais mortos, ajudando a prevenir a propagação de doenças. Seu nome “rei” se deve ao fato de ser geralmente o primeiro a chegar à carcaça e utilizar seu forte bico para rasgar o couro dos animais, abrindo caminho para outros animais que se alimentam de animais mortos ou cadáveres em decomposição.
O seu tamanho avantajado faz com que outras aves não costumem disputar por comida com o urubu-rei.
Embora o Parque não tenha um programa específico para a conservação do urubu-rei, a proteção da floresta e dos habitats naturais, especialmente os locais onde as fêmeas colocam seus ovos, como por exemplo o cânion do Lageado do Roberto, contribuem indiretamente para a preservação da espécie. Ao conservar estes hábitats, estamos ajudando a garantir que o urubu-rei tenha as condições necessárias para se reproduzir e sobreviver.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1846 de 12 de setembro de 2024.














