Erradicação da Poliomielite

Campanha do Rotary chama a atenção para a prevenção.

O Rotary Club de Campos Novos tem se destacado globalmente na luta contra a poliomielite, uma doença viral que pode causar paralisia em crianças. Desde 1985, o Rotary lançou a iniciativa “End Polio Now”, que visa erradicar completamente a poliomielite do mundo. Essa campanha é um exemplo de como o engajamento comunitário e a mobilização de recursos podem fazer a diferença na saúde pública.

A campanha do Rotary Club de Campos Novos, inclui esforços para vacinar crianças em áreas de risco, promover a conscientização sobre a importância da vacinação e arrecadar fundos para apoiar programas de imunização. O clube atua em parceria com organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para fortalecer as ações de combate à poliomielite.

Em Campos Novos, o Rotary Club tem promovido diversas atividades voltadas para educar a população sobre a importância da vacina. Campanhas de vacinação, palestras em escolas e eventos comunitários são algumas das iniciativas que buscam aumentar a cobertura vacinal e garantir que nenhuma criança fique sem proteção.

ENTREVISTA

O Jornal O Celeiro, entrevistou Aline Becker Costella, diretora da comissão da pólio do Rotary Club de Campos Novos.

Durante a conversa, Aline destacou a importância crucial da campanha de poliomielite e as ações que o Rotary está realizando para erradicar essa doença.

Aline enfatizou que, apesar dos avanços na vacinação, a poliomielite ainda representa uma ameaça em algumas regiões do mundo. Por isso, a conscientização e a mobilização da comunidade são fundamentais para garantir que todas as crianças recebam a vacina.
Ela ressaltou que o Rotary Club tem um papel ativo nesse processo, promovendo campanhas educativas e de vacinação.

Entre os objetivos da comissão, Aline mencionou a meta de alcançar um maior número de crianças vacinadas em Campos Novos, além de engajar a população em atividades que promovam a saúde e o bem-estar. O Rotary está planejando uma série de ações locais, incluindo eventos comunitários e parcerias com escolas e instituições de saúde para disseminar informações sobre a pólio e incentivar a vacinação.

“O Rotary Club de Campos Novos, International tem se dedicado à erradicação da poliomielite por mais de 35 anos e é um membro fundador da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite. Essa causa é a prioridade número um da organização em nível internacional”

“Um dos principais parceiros do Rotary nesse esforço é o Instituto Bill e Melinda Gates, que atua como a maior fonte privada de financiamento. Para cada dólar doado pelo Rotary, o instituto contribui com dois, até um limite de 150 milhões de dólares por ano. Até hoje, o Rotary investiu mais de 2,5 bilhões de dólares na luta contra a poliomielite, o que resultou na prevenção de 19 milhões de casos de paralisia e 1,5 milhão de mortes”

“Enquanto no Brasil a vacinação é oferecida gratuitamente pelo governo, em muitos países essa assistência não existe. É nesse contexto que o Rotary desempenha um papel crucial, garantindo que crianças em áreas carentes tenham acesso à imunização necessária para se proteger contra a doença. Essa luta é fundamental para a saúde pública global e impacta diretamente a vida de milhões” explicou, Aline.

INVESTIMENTOS

Desde o início de sua luta contra a poliomielite, o Rotary já investiu na imunização de mais de 450 milhões de crianças anualmente em mais de 60 países. Aproximadamente 150 mil agentes de saúde atuam em 70 países, realizando campanhas de vacinação. Além disso, o Rotary mantém uma vigilância ativa da doença, pois mesmo em nações onde a poliomielite não se manifesta mais, como o Brasil, existe o risco de reemergência. Essa vigilância é fundamental para garantir que a doença não retorne.

Todos os anos, especialmente em outubro, o Rotary Clube de Campos Novos realiza uma campanha em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para erradicar a poliomielite. Este ano, as atividades começarão nos dias 16 e 21 de outubro, quando os membros do Rotary estarão em duas escolas do município, em colaboração com a Secretaria Municipal de Educação. O foco será atender crianças de 6 a 8 anos.

Durante as palestras educativas, será fornecido um material explicativo para que as crianças levem aos seus responsáveis, que também será distribuído as informações nas escolas do interior, conscientizando as famílias sobre a importância de manter o calendário vacinal em dia.

“Escolhemos duas novas escolas a cada ano para garantir que um número maior de crianças seja atendido ao longo do tempo. No ano passado, visitamos Santa Júlia e Valdemar Rupp, este ano, estaremos no Jardim Bela Vista e Novos Campos. Essa parceria com as diretoras e professores é essencial para levar a mensagem da campanha” explicou, Aline.

DIA ‘D’

No dia 26 de outubro, será realizado o Dia D da Poliomielite na Praça Lauro Muller, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

O Rotary Club de Campos Novos convida a todas as crianças acompanhadas por seus responsáveis para participar.

As crianças que apresentarem a caderneta de vacinação em dia poderão aproveitar um passeio gratuito de trem pelo centro da cidade.

Para aquelas que ainda não estão com a vacinação atualizada, uma equipe de saúde estará disponível no local para realizar a imunização.

A saída do trem será sempre da Praça Lauro Miller, e as ruas do trajeto serão anunciadas posteriormente. Ao se vacinarem ou já estarem em dia, as crianças receberão um carimbo que garante o passeio.

CASOS PELO MUNDO

Atualmente, o mundo registra 50 casos de poliomielite, um aumento em relação aos 39 do ano passado. Os países mais afetados são Paquistão e Afeganistão, onde a vacinação enfrenta desafios significativos devido a questões religiosas e culturais.

A poliomielite não é mais uma realidade no Brasil desde 1986, o que significa que muitas mães com menos de 40 anos não conviveram com a doença e, portanto, desconhecem sua gravidade. Essa falta de vivência pode levar à subestimação da importância da vacinação.

A poliomielite é uma doença infecciosa sem cura, que ataca o sistema nervoso e pode resultar em paralisia ou morte. A prevenção, por meio da vacinação, é essencial para proteger as crianças.

“É fundamental educar essas mães sobre os riscos da doença e a importância da imunização, especialmente durante as fases críticas de vacinação. A vida dos nossos filhos é o bem mais precioso, e precisamos conscientizar a população sobre isso” destacou, Aline.

SITUAÇÃO NO BRASIL

O Brasil está entre os quatro países com menor cobertura vacinal do mundo, apesar de ter um dos melhores programas de imunização.

Atualmente, é classificado como alto risco para o retorno da poliomielite, devido a dois fatores principais: cerca de 80% dos esgotos não são tratados, contaminando fontes de água potável, e a baixa cobertura vacinal.

Em 2014, durante a Copa do Mundo, um foco da doença foi identificado no Aeroporto Viracopos, possivelmente trazido por um estrangeiro.

Isso ressalta a importância da vigilância sanitária, não apenas em países com casos ativos, mas também naqueles que já erradicaram a doença.

Além disso, a desinformação é um grande obstáculo que contribui para essa baixa cobertura vacinal.

“Estamos comprometidos em informar a comunidade e trabalhar para erradicar completamente a poliomielite no mundo. Apesar de não termos casos no Brasil atualmente, ainda existem dois países com 50 casos registrados este ano” informou, Aline.

A vigilância epidemiológica continua sendo fundamental para monitorar qualquer sinal de reintrodução do vírus e garantir que a população esteja protegida. A pandemia de Covid-19 afetou as campanhas de vacinação em muitos países, incluindo o Brasil.

A redução nas taxas de vacinação pode levar ao risco de reemergência de doenças já erradicadas, como a poliomielite. É fundamental que os pais acompanhem o calendário vacinal das crianças e busquem as vacinas em postos de saúde, garantindo que todas as doses sejam administradas nos prazos corretos, para evitar problemas.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1851 de 17 de outubro de 2024.

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