Em um mundo em rápida transformação, onde a busca por modelos econômicos mais justos, inclusivos e sustentáveis se intensifica, as cooperativas emergem como protagonistas de um novo paradigma de desenvolvimento. A Organização das Nações Unidas, ao declarar 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, chancelou e amplificou essa constatação: o cooperativismo é mais do que uma alternativa viável ao modelo econômico tradicional, é uma força estruturante de uma sociedade mais equilibrada, solidária e resiliente.
As cooperativas são expressão de um sistema que alia eficiência econômica e responsabilidade social. Mais do que instituições produtivas, são organismos vivos constituídos por pessoas que compartilham valores, propósitos e sonhos. Regem-se por um modelo de gestão democrática e participativa, em que cada associado tem voz e voto — um princípio que ressignifica o papel do indivíduo nas decisões estratégicas e no futuro do empreendimento coletivo. A imagem de uma assembleia geral, em que centenas ou milhares de cooperados deliberam em conjunto, traduz a essência da governança cooperativista: colaboração, confiança mútua e compromisso comunitário.
No Brasil, e em especial em Santa Catarina, as cooperativas assumem papel decisivo no desenvolvimento socioeconômico. Estão presentes nos mais diversos setores, impactando positivamente a vida de milhões de pessoas. Ao gerarem emprego, renda, inclusão e bem-estar, constroem pontes entre o crescimento econômico e a justiça social.
É preciso, portanto, fortalecer o reconhecimento institucional do cooperativismo como eixo estratégico da política nacional. Além disso, é fundamental a formulação de políticas públicas que incentivem e apoiem o cooperativismo em todas as suas vertentes. Isso passa pela ampliação da inserção das cooperativas em novos mercados, pela sua inclusão nos espaços de representação política e nos conselhos deliberativos de políticas públicas, e pela valorização de sua capacidade de gerar inovação, competitividade e coesão social.
A força transformadora das cooperativas também se revela no enfrentamento de desafios globais. O modelo cooperativista está intrinsicamente ligado à Agenda 2030 da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. As cooperativas contribuem para a segurança alimentar, para o combate à fome e para a valorização dos produtos do campo. São peças-chave na transição para uma economia de baixo carbono, seja pela promoção de práticas agropecuárias sustentáveis, seja pela adoção de tecnologias limpas e de responsabilidade ambiental.
Em um tempo em que se rediscute o papel das instituições, o sentido do progresso e os rumos do capitalismo, as cooperativas mostram que é possível crescer distribuindo riqueza, gerar resultados com equidade e inovar sem deixar ninguém para trás. Representam, enfim, um modelo de economia centrado no ser humano, na solidariedade e na sustentabilidade. Que o Ano Internacional das Cooperativas seja um marco para a consolidação do cooperativismo como vetor indispensável de um novo projeto civilizatório.
O Sistema OCESC conclama lideranças públicas e privadas, gestores, legisladores e a sociedade em geral a reconhecer e fortalecer as cooperativas como agentes transformadores da realidade hoje e no futuro.
Por: Vanir Zanatta
Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)


