O calendário marcou o início de fevereiro e, com ele, desperta o tradicional “Leão”. No entanto, a temporada do Imposto de Renda de 2026, referente aos ganhos do ano-calendário de 2025, traz um fôlego inédito para milhões de brasileiros e um desafio tecnológico renovado para os demais. Após anos de defasagem, a nova tabela progressiva finalmente entra em cena com força total, consolidando a promessa de isenção para quem recebe até dois salários mínimos — agora ajustada para o patamar de R$ 5.000,00 mensais.
A principal mudança deste ano é, sem dúvida, a nova faixa de isenção. Em 2025, o ajuste gradual permitiu que cidadãos com rendimentos tributáveis de até R$ 5.000,00 ficassem livres da retenção na fonte. Isso significa que, na declaração de ajuste anual que entregamos agora em 2026, uma vasta parcela da classe média baixa não terá imposto a pagar e, em muitos casos, terá uma restituição mais gorda de impostos retidos indevidamente no início do ano anterior.
Essa mudança não é apenas um alívio no bolso; é uma simplificação burocrática. Estima-se que mais de 10 milhões de contribuintes foram desobrigados de declarar este ano, caso não se enquadrem em outros critérios, como a posse de bens acima de R$ 800 mil ou ganhos em bolsas de valores.
Se por um lado o Fisco “perdoa” os menores rendimentos, por outro, ele nunca foi tão eficiente em monitorar os maiores. Em 2026, a Receita Federal consolidou a Declaração Pré-Preenchida como a ferramenta padrão. Graças à integração em tempo real com bancos, imobiliárias (via DOI e CIB), clínicas médicas e operadoras de cartão de crédito, o contribuinte já inicia o processo com quase 80% das informações preenchidas.
A margem para o “esquecimento” de um rendimento de aluguel ou de uma consulta médica diminuiu drasticamente. O cruzamento de dados agora utiliza algoritmos de inteligência artificial que detectam variações patrimoniais incompatíveis com a renda em milissegundos. Portanto, a recomendação para este ano é clara: confira os dados da pré-preenchida com lupa, mas saiba que o Leão já sabe quase tudo.
Para os investidores, 2026 é o ano da consolidação das regras de ativos digitais. Esqueça a época em que as criptomoedas eram uma “zona cinzenta”. Agora, a discriminação de tokens, NFTs e stablecoins deve ser minuciosa, seguindo as normativas de transparência que o Brasil lidera globalmente. Da mesma forma, os rendimentos em offshores e trusts, reformulados pela legislação recente, exigem um cálculo de tributação anual que não permite mais o diferimento indefinido.
A lógica da prioridade nas restituições continua premiando a modernização. Quem utiliza a declaração pré-preenchida e opta por receber a restituição via PIX (chave CPF) entra automaticamente nos primeiros lotes de pagamento, logo após os grupos prioritários (idosos e professores). Em um cenário de juros ainda relevantes, receber o dinheiro de volta logo nos meses de maio ou junho faz uma diferença estratégica no planejamento financeiro familiar.
O Imposto de Renda de 2026 reflete um Brasil que busca justiça fiscal através da tecnologia. Enquanto a base da pirâmide é desonerada com a faixa de R$ 5 mil, o topo é chamado a uma transparência absoluta. O segredo para não cair na malha fina este ano não é mais a “astúcia”, mas a organização. Com o Fisco operando em 5G e inteligência artificial, a melhor estratégia é a honestidade guiada pela tecnologia. O prazo começa em 15 de março; não deixe que a pressa do último dia apague os benefícios de uma declaração bem feita.
Por: Douglas Rayzer
Contador . RB Inteligência Corporativa – Contato: (49) 99907.8738
*Coluna ‘Evoluir Empresarial, publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1914 de 05 de fevereiro de 2026.


