Planos diretores e cidades resilientes: o papel do TCE/SC na governança

Em Santa Catarina, eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a integrar a realidade das cidades. Nesse contexto, avaliar o nível de preparação dos municípios para enfrentar desastres naturais torna-se uma agenda estratégica para o desenvolvimento, diretamente relacionada à qualidade do planejamento urbano e à organização do território.

Os planos diretores municipais assumem papel estruturante na formulação das políticas públicas urbanas. Além de orientar o crescimento ordenado das cidades, esses instrumentos contribuem para a proteção de populações expostas a riscos e para a construção de ambientes urbanos mais seguros, resilientes e favoráveis ao desenvolvimento econômico sustentável.

O Tribunal de Contas de Santa Catarina desempenha função relevante no acompanhamento e na indução de boas práticas relacionadas ao ordenamento territorial e à resiliência urbana. Nos últimos anos, a instituição intensificou sua atuação junto aos municípios quanto à necessidade de elaboração e atualização dos planos diretores, elemento essencial para a consolidação de uma política urbana alinhada à sustentabilidade, à prevenção de riscos e à eficiência da gestão pública.

Levantamento realizado pelo TCE/SC identificou 163 municípios com irregularidades, sendo 40 deles sem plano diretor e 123 com instrumentos desatualizados, cenário que evidenciava fragilidades na governança territorial.

A partir da atuação do Tribunal, observou-se evolução gradual. Até março, registrou-se a regularização de 64 municípios, com redução expressiva das situações irregulares, evidenciando avanços na consolidação do planejamento urbano.

O trabalho do Tribunal, contudo, prossegue, buscando contribuir para a regularização dos planos diretores na totalidade das cidades catarinenses.
Como instituição de controle externo, o TCE/SC atua no fortalecimento das capacidades institucionais locais, contribuindo para que os municípios estejam mais preparados para enfrentar eventos climáticos extremos, promover desenvolvimento sustentável e ampliar a proteção social.

Nesse sentido, o plano diretor deve ser compreendido como instrumento estruturante da governança urbana e expressão do compromisso das cidades com o desenvolvimento sustentável e com a proteção das gerações futuras.

POR: José Nei Ascari

Vice-presidente do TCE/SC, relator dos processos sobre Meio Ambiente no Tribunal. Contato: vicepresidencia@tcesc.tc.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.