A dependência química costuma chamar a atenção quando aparece nas ocorrências policiais que chegam ao conhecimento da comunidade. Mas, muitas vezes, o problema começa muito antes de se tornar visível.
Por trás de cada caso existe uma história. Histórias de famílias que sofrem, de vínculos rompidos, de tentativas de recuperação e de pessoas que, em algum momento da vida, perderam o controle sobre si mesmas.
Isso não significa ignorar as consequências dos atos praticados por quem está sob o efeito das drogas. A sociedade precisa de segurança, e a lei deve ser cumprida. Mas também é preciso compreender que alguns problemas não serão resolvidos apenas pela ação policial e pela repressão.
A dependência química é um desafio que envolve saúde, assistência social, família e comunidade. Exige acolhimento, tratamento e, acima de tudo, a disposição de enxergar além daquilo que aparece nos jornais.
Problemas complexos raramente possuem soluções simples. Como mostramos na matéria de capa desta edição, há situações que passam despercebidas aos nossos olhos. Ainda que não conheçamos todos os fatos, é importante compreender que, por trás de muitos comportamentos que julgamos, existe uma dor que permanece invisível para grande parte da sociedade.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1933 de 18 de junho de 2026.


