Prevenção e repressão: o trabalho diário da PM para promover segurança em Campos Novos

Nem toda atuação policial termina em prisão, e grande parte dela começa antes do crime.

Estamos acostumados a ver viaturas circulando pelas ruas, policiais realizando abordagens e atendendo ocorrências. Para muitos, a atuação da Polícia Militar está diretamente ligada à prisão de infratores. Mas o trabalho da corporação em Campos Novos vai além das ações repressivas.

Antes mesmo de combater o crime, a Polícia Militar atua na prevenção. Visitas a comércios, propriedades rurais, residências, bares e empresas, orientação à população, monitoramento de áreas estratégicas e programas voltados à aproximação com a comunidade fazem parte da rotina diária da corporação.

Segundo o comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Campos Novos, major Francisco das Chagas Melo Filho, a dinâmica do trabalho policial se divide entre ações preventivas e repressivas, com foco especial em impedir que o crime aconteça. “Nós não queremos que o crime ocorra, por isso trabalhamos preventivamente. Mas, se acontecer, agimos na repressão para restabelecer a ordem pública”, explica.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela PM estão programas como a Rede de Vizinhos, Rede Rural, Rede Catarina, Patrulha Preventiva Maria da Penha e o Proerd, voltados desde a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica até a prevenção ao uso de drogas entre crianças e adolescentes.

Na prática, a prevenção também inclui orientações diretas à população. No programa de visitas ao comércio, por exemplo, a corporação auxilia empresários sobre formas de reforçar a segurança física dos estabelecimentos, reduzindo vulnerabilidades que favorecem furtos.

SEGURANÇA FEMININA E NO CAMPO

De acordo com o comandante, a Polícia Militar, por estar em contato direto com a população, busca diminuir a distância entre a corporação e os cidadãos, entendendo mais profundamente a origem de problemas sociais e criminais.

Na violência doméstica, por exemplo, o trabalho vai além do atendimento da ocorrência. Por meio da Rede Catarina e da Patrulha Maria da Penha, há acompanhamento das vítimas, monitoramento dos agressores e suporte para prevenir novos episódios de violência. “O objetivo é evitar que o crime aconteça novamente, mostrar para a mulher que ela não está sozinha e que a Polícia Militar está disponível para ajudá-la”, destaca.

O mesmo ocorre na área rural. Por meio da Rede Rural, a PM mantém praticamente toda a área rural do município mapeada e organizada em grupos de contato com produtores e moradores.

Segundo o major, aproximadamente 95% das propriedades rurais de Campos Novos já possuem cadastramento e comunicação direta com a corporação, facilitando atendimentos rápidos e fortalecendo os vínculos entre comunidade e polícia.

DESAFIOS

Com o crescimento populacional de Campos Novos, novos desafios surgem para a segurança pública. O aumento de habitações, obras e a chegada constante de novos moradores exigem adaptações na atuação policial. A PM relata que realiza visitas preventivas inclusive em canteiros de obras e novos núcleos habitacionais, orientando trabalhadores e moradores sobre cidadania, convivência e prevenção de conflitos.

Ao mesmo tempo, o baixo efetivo policial é apontado como uma preocupação.

“Campos Novos cresce, mas a contratação de policiais é uma decisão estadual. O efetivo vem diminuindo ao longo dos anos, porém não medimos esforços para continuar oferecendo segurança à população”, afirma o comandante.

SEGURANÇA PUBLICA NÃO DEPENDE SOMENTE DA PM

Embora o trabalho policial seja essencial, a corporação reforça que a segurança pública também depende da participação da comunidade.

Atualmente, os furtos aparecem entre as ocorrências que mais preocupam a Polícia Militar no município. Para reduzir esse tipo de crime, a orientação é que moradores e comerciantes adotem medidas simples de proteção, como instalação de alarmes e câmeras, reforço em trancas e cadeados, além de evitar deixar veículos destrancados ou objetos de valor expostos.

Outro ponto é a comunicação com a polícia. Denúncias anônimas, participação em redes comunitárias e organização entre moradores auxiliam no monitoramento e na prevenção de situações suspeitas. “A população não está sozinha. A segurança pública é construída em parceria”, conclui o major.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1930 de 28 de maio de 2026.

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