Psicologia e arte se unem para fortalecer a saúde mental no ambiente de trabalho

Projeto busca aposta na integração entre pessoas para melhorar o clima organizacional e fortalecer equipes em empresas e instituições.

A saúde mental deixou de ser um assunto restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço também dentro das empresas.

Edgard Andrade

O aumento dos casos de ansiedade, estresse e esgotamento emocional no ambiente de trabalho foi observando pela professora de arte Mônica de Mattia e pelo psicólogo Edgard Andrade, que uniram suas experiências para desenvolver um projeto Fortalecendo mentes e conectando equipes, que alia psicologia e arte como ferramentas para estimular o autoconhecimento e tornar os ambientes de trabalho mais saudáveis.

A proposta surgiu em virtude da a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas um olhar mais atento aos riscos psicossociais, como assédio, ansiedade, burnout e outros fatores que afetam a saúde mental dos trabalhadores.

“O objetivo vai além de atender uma exigência da norma. Queremos ajudar as empresas a desenvolver uma cultura organizacional mais humana, em que as pessoas se sintam acolhidas e valorizadas”, explica Edgard.

O trabalho acontece em duas etapas. Primeiro, o psicólogo conduz um encontro com os participantes, abordando temas como maturidade emocional, relações interpessoais, comunicação e desafios vividos no ambiente de trabalho. As palestras podem ser adaptadas conforme a realidade e as necessidades de cada empresa ou instituição.

APLICAÇÕES

Mônica de Mattia

Na sequência, a professora Mônica transforma a reflexão em vivência. Por meio da música, dinâmicas em grupo e pintura em tela, os participantes são convidados a olhar para si mesmos e para os colegas de trabalho com um olhar mais humano.

A intenção é fortalecer os vínculos, estimular a cooperação e mostrar que cada pessoa tem um papel importante dentro da equipe.

Uma das atividades utiliza a metáfora de uma orquestra. Cada participante representa um instrumento e, juntos, precisam compreender que o resultado depende da contribuição de todos. “Assim como acontece em uma orquestra, dentro de uma empresa cada pessoa exerce uma função diferente, mas todas são importantes para que o trabalho aconteça em harmonia”, explica Mônica.

Outro momento costuma ser um dos mais marcantes da experiência. Em uma roda de conversa, os participantes compartilham elogios e reconhecem qualidades uns dos outros. Ao final, os grupos produzem uma pintura que representa a identidade da equipe e os sentimentos despertados durante a vivência.

A obra permanece exposta na empresa como uma lembrança da experiência e dos valores compartilhados naquele momento.

REFLEXOS NO AMBIENTE DE TRABALHO

Embora o foco seja o desenvolvimento individual, os resultados aparecem no coletivo.

Segundo Edgard, um ambiente onde as pessoas se sentem respeitadas, ouvidas e pertencentes tende a formar equipes mais unidas e comprometidas. Como consequência, melhora o clima organizacional, reduz conflitos e favorece a produtividade. “O resultado não é apenas produzir mais. É criar um ambiente onde as pessoas se sintam bem ao executar suas atividades no trabalho.”

O psicólogo observa que muitas empresas já compreenderam essa necessidade, principalmente diante da dificuldade de manter profissionais qualificados. Hoje o salário continua sendo importante, mas já não é o único fator considerado pelos trabalhadores”, afirma o psicólogo. “Quando o colaborador encontra um ambiente saudável, onde existe respeito e boas relações, ele cria vínculo com a empresa. Isso faz diferença na permanência dos profissionais.”

Para Mônica, a arte possui um papel fundamental nesse processo por permitir que sentimentos e emoções sejam expressos de forma espontânea. Enquanto algumas pessoas conseguem falar sobre o que sentem, outras encontram no desenho, nas cores e na música uma forma mais natural de demonstrar emoções que nem sempre conseguem colocar em palavras. “A arte aproxima as pessoas. Ela permite que cada um se expresse da sua maneira e fortalece a conexão entre a equipe.”

Iniciado há poucos meses, o trabalho já vem sendo desenvolvido em empresas da região e começa a ser expandido para escolas, secretarias municipais, prefeituras e outras instituições interessadas em investir no desenvolvimento humano de suas equipes. Além das atividades, os participantes recebem um certificado que comprova a realização da capacitação.

Os idealizadores pretendem ampliar o alcance da iniciativa e contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais acolhedores. “Queremos é lembrar que, por trás de cada função, existe uma pessoa. Quando fortalecemos as relações humanas, fortalecemos também as equipes”, conclui Edgard.

Além de Edgard e Monica, o projeto também conta com o apoio da Psicóloga Caroline Fátima Rodrigues Maestri.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1938 de 23 de julho de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.