Vereadores de Campos Novos criticam previsão de pedágios nas BRs 282 e 470

Audiência tratou da concessão rodoviária. Entre os trechos em debate estão segmentos das rodovias BR-153, BR-282, BR-470 e BR-480.

A audiência pública realizada em Joaçaba para discutir a concessão dos trechos das BR-282 e BR-470 que cortam Santa Catarina e passam por Campos Novos repercutiu no município.

Promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o encontro reuniu representantes de municípios da região para apresentar o projeto e colher sugestões da comunidade antes do leilão da concessão, previsto para dezembro deste ano. Estiveram presentes os vereadores Evandro Galioto, João Nilso de Oliveira e Rodrigo Pedroso.

Durante a audiência, foram apresentados os investimentos previstos para o lote rodoviário, que contempla melhorias como duplicações, terceiras faixas, dispositivos de acesso, pontes, passarelas e serviços de manutenção ao longo da concessão.

Também foi detalhado o sistema de cobrança de pedágio por meio do modelo Free Flow, em que pórticos eletrônicos identificam os veículos e calculam a tarifa de acordo com a distância percorrida.

Em Campos Novos, a proposta recebeu críticas de vereadores que acompanharam a discussão. O principal questionamento diz respeito à instalação de dois pórticos de pedágio no município, um na BR-282 e outro na BR-470, sem que estejam previstas, para a região, obras consideradas prioritárias pelas lideranças locais.

O Presidente da Câmara de Vereadores, Darcy Rodrigo Pedroso, se manifestou sobre a participação. “Para nós é importante representar Campos Novos na audiência e lá demonstramos nosso descontentamento, não só meu, mas por parte do Legislativo camponovense. Usei da palavra, ressaltando algumas situações. Temos um projeto de 30 anos para que a empresa faça as melhorias, isso é um absurdo. Sendo que na nossa região a única melhoria será para o governo. Falei também que não há nada que justifique essa situação, ainda mais três pedágios de Campos Novos a Joaçaba”.

Pedroso destcou que o trecho é importante para saúde, para transportadores e questiona: “As pessoas que vão pagar a conta?”.

O vereador também se preocupa com a população. “As pessoas muitas vezes não tem carro, ou não tem dinheiro para pagar uma consulta e agora, vai pagar três pedágios para ir e voltar? Isso também vai ‘estourar’, no preço das prateleiras. Tivemos reunião, projetos mirabolantes, temos essa preocupação. Estaremos lutando para que isso mude, mas vemos que pelo visto, tudo já foi decidido”.

O vereador Evandro Galioto afirma que não é contrário à concessão das rodovias, mas considera insuficientes os investimentos destinados ao trecho que passa pelo município. Segundo ele, faltam intervenções como duplicação, elevados, passarelas e melhorias nos principais trevos de acesso à cidade.

“O que está vindo primeiro é a cobrança. Os investimentos previstos para a nossa região são muito pequenos diante do que será pago pelos usuários. Somos favoráveis à concessão, desde que ela venha acompanhada das melhorias que garantam mais segurança para quem utiliza essas rodovias”, defende.

Na mesma linha, o vereador João Nilso de Oliveira avalia que Campos Novos ficou praticamente fora das obras estruturantes previstas no projeto. Para ele, a concessão pode representar uma solução para a gestão das rodovias, mas a cobrança de pedágio deveria ocorrer somente após a execução das melhorias.

Os vereadores também demonstraram preocupação com o impacto financeiro para os moradores da região, já que deslocamentos frequentes para cidades vizinhas poderão envolver a passagem por mais de um pórtico de cobrança.

As contribuições apresentadas durante a audiência pública serão analisadas pela ANTT antes da conclusão do edital da concessão. A previsão é de que o leilão ocorra em dezembro, quando será definida a empresa responsável pela administração dos trechos pelos próximos anos.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1937 de 16 de julho de 2026.

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