Pediatra Dra. Graciela Dahmer destaca a importância do aleitamento materno e reforça que orientação e acolhimento fazem diferença para mãe e bebê.

O aleitamento materno é uma das formas mais completas de alimentar e proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação, a pediatra Dra. Graciela Dahmer chama atenção para um ponto fundamental: além de informação, as mães precisam de orientação e apoio para enfrentar os desafios que podem surgir desde os primeiros dias.
Segundo a médica, um dos principais desafios está no início do aleitamento, quando mãe e bebê ainda estão aprendendo juntos. A frequência das mamadas, o choro e a perda de peso após o nascimento podem gerar insegurança e alimentar um dos mitos mais comuns relacionados à amamentação: o de que existe “leite fraco”.
Dra. Graciela, que também é uma mãe lactante, relata sua experiência também como mãe e diz que na prática, toda mãe passa pelos mesmos momentos de dúvida e ansiedade.
“Na teoria eu sabia de tudo que iria acontecer e que tudo fazia parte do processo. Mas, quando você está ali como mãe e vê seu bebê chorar, mesmo sabendo que ele pode estar chorando por vários outros motivos, surge aquela sensação: será que ele está com fome?”, relata.
A experiência reforçou para a pediatra algo que já fazia parte de sua atuação profissional: os primeiros dias de amamentação são um período de aprendizado para mãe e bebê e, principalmente, de necessidade de apoio.
NÃO EXISTE ‘LEITE FRACO’
Um dos principais mitos relacionados à amamentação é o chamado “leite fraco”. Segundo Graciela, a crença é especialmente comum nos primeiros dias, quando o bebê mama com frequência, pode chorar mais e apresenta uma perda de peso que, dentro de determinados limites, é esperada após o nascimento.
Nesse período, o organismo materno produz o colostro, o primeiro leite. Ele aparece em pequena quantidade, mas isso não significa que seja insuficiente. Pelo contrário: sua composição é especialmente importante para o recém-nascido.
“O colostro é produzido em pequena quantidade, mas é extremamente importante para o desenvolvimento inicial do bebê, porque é exatamente a quantidade que ele precisa naquele momento. Apesar de ser pequeno em volume, é muito rico em componentes de proteção”, explica.
O leite materno, aliás, vai muito além de fornecer nutrientes e energia. Ele contém anticorpos, hormônios e outros fatores que contribuem para o crescimento, a proteção contra infecções e o amadurecimento do organismo. Também favorece a formação das chamadas bactérias boas do intestino, importantes para a saúde do bebê.
Outro aspecto destacado pela pediatra é que o leite materno não é estático. Sua composição muda ao longo do tempo, acompanhando as necessidades da criança.
PEGA CORRETA FAZ DIFERENÇA
A pega inadequada é outro desafio frequente no início da amamentação. Quando o bebê não consegue fazer a pega corretamente, a mãe pode sentir dor, desenvolver fissuras e, consequentemente, ter ainda mais dificuldade para manter o aleitamento.
Por isso, Graciela reforça que a mãe não precisa enfrentar esse processo sozinha. O acompanhamento de profissionais capacitados pode ajudar a avaliar a mamada, corrigir a pega, acompanhar a saúde do bebê e orientar a família. “Informação e apoio nessa hora fazem muita diferença”, afirma.
A recomendação atual é de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Nesse período, se o bebê estiver mamando adequadamente, não há necessidade de oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos. A partir dos seis meses, começa a introdução alimentar complementar, mas a amamentação continua sendo importante e é recomendada por, no mínimo, até os dois anos de idade.
BENEFÍCIOS TAMBÉM PARA A MÃE
Os benefícios da amamentação não se restringem ao bebê. Durante o processo, o organismo materno libera hormônios, entre eles a ocitocina, que auxilia na contração do útero após o parto e contribui para a redução do risco de hemorragias e outras complicações.
A ocitocina também está relacionada ao vínculo entre mãe e bebê, sendo frequentemente associada à sensação de conexão e interação entre os dois. Assim, além dos benefícios físicos, a amamentação pode favorecer momentos de proximidade justamente em uma fase de intensas mudanças para a família.
Embora a experiência pessoal não substitua a orientação médica, viver a maternidade também permitiu que Graciela enxergasse ainda mais de perto as inseguranças que acompanham muitas mulheres. Ela conta que se preparou para amamentar desde a gestação, por meio de informações e leituras, mas percebeu na prática que conhecer a teoria não elimina todas as dúvidas.
“Para mim, a amamentação tem sido principalmente uma experiência de muito aprendizado e, acima de tudo, de paciência: aprender a respeitar o tempo do bebê e confiar no processo foi muito importante”, conta.
A experiência pessoal também mudou a forma como ela enxerga as mães que chegam ao consultório com dúvidas. Muitas vezes, elas conhecem as orientações, mas estão cansadas, inseguras e precisam mais do que informação: precisam de alguém que as ajude a atravessar aquela fase. “Hoje, além de falar como pediatra, eu consigo falar também como mãe. Nos primeiros dias, exigem muita paciência, informação, mas principalmente apoio. Ter alguém que diga ‘está tudo bem, vamos avaliar junto, vamos passar por essa fase’ pode fazer toda a diferença para que uma mãe consiga manter a amamentação”, destaca.
Essa vivência reforçou uma mensagem que a pediatra considera essencial no Agosto Dourado: incentivar o aleitamento sem transformar a amamentação em uma fonte de culpa. Para ela, informação de qualidade, acompanhamento profissional e acolhimento são fundamentais para que cada mãe consiga atravessar esse período com mais segurança.
“Amamentar pode ser uma experiência linda, mas também pode ser desafiadora. Algumas mães vão conseguir amamentar exclusivamente, outras vão precisar complementar com fórmula, e cada história merece ser acolhida e respeitada.”
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1942 de 20 de agosto de 2026.






