Comissão do Senado aprova novo piso salarial de médicos e dentistas

Proposta segue para a Comissão de Assuntos Sociais e pode gerar impacto bilionário nas contas municipais

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas. Segundo estimativa da Confederação Nacional de Municípios (CNM), a medida poderá representar um impacto de R$ 25,9 bilhões nos cofres municipais.

A proposta agora será analisada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A CNM alerta que a medida aumenta a pressão sobre os orçamentos municipais em um momento de avanço de projetos que podem elevar as despesas das prefeituras sem a definição de fontes permanentes de financiamento.

O texto tem origem no Projeto de Lei (PL) 1.365/2022, apresentado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB). A proposta já havia sido aprovada pela CAS, mas um recurso levou a matéria ao plenário do Senado, onde foram apresentadas quatro emendas.

Como as alterações apresentadas envolviam impacto financeiro, o projeto foi encaminhado à CAE. O colegiado aprovou uma nova versão, que prevê a implantação gradual do piso. Pelo texto aprovado, o novo valor será implementado em três etapas:

40% do valor no primeiro exercício financeiro após a publicação da lei;
70% no segundo exercício;
100% no terceiro exercício.

A proposta também estabelece reajuste anual pelo IPCA na rede privada e aumenta para 50% os adicionais pelo trabalho noturno e pelas horas extras. Atualmente, o piso previsto para a categoria é de R$ 3.636 para uma jornada de 20 horas semanais.

CNM questiona fonte de recursos

O texto aprovado prevê compensação integral pela União, por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Para a CNM, porém, a previsão não elimina o risco de impacto financeiro para os municípios. A entidade argumenta que o FNS não representa uma nova fonte de receita, mas um mecanismo utilizado para operacionalizar recursos federais destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a Confederação, permanece a dúvida sobre a origem dos recursos necessários para financiar uma despesa permanente relacionada à folha de pagamento. A entidade afirma que a situação contraria a Emenda Constitucional 128/2022, que impede a criação de despesas para Estados e municípios sem a indicação da respectiva fonte de custeio.

A aprovação do novo piso para médicos e cirurgiões-dentistas faz parte, segundo a CNM, de um conjunto de 16 propostas legislativas que estão em estágio avançado de tramitação no Congresso ou foram aprovadas recentemente. Juntas, as medidas podem representar um impacto estimado de R$ 295 bilhões para os cofres municipais, de acordo com levantamento da entidade.

Entre as propostas apontadas pela CNM estão mudanças relacionadas ao piso nacional do magistério e alterações nas regras de contratação e aposentadoria dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE).

A Confederação avalia que o avanço dessas medidas, sem a definição clara de fontes permanentes de financiamento, pode comprometer a capacidade dos municípios de manter serviços públicos e equilibrar seus orçamentos.

*INFO: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.