IA já está em 25% das prefeituras, mas falta capacitação impede avanço

Pesquisa mostra crescimento da tecnologia nos municípios, porém com forte desigualdade regional e pouca preparação das equipes.

Uma em cada quatro prefeituras no Brasil já adota Inteligência Artificial, segundo a Pesquisa TIC Governo realizada em 2025 e divulgada neste mês pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento mostra que a tecnologia deixou de ser restrita a poucas administrações e começa a ganhar espaço no setor público municipal.

Apesar desse crescimento, a adoção ainda ocorre de forma desigual entre os municípios. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, a IA já está presente em 85% das prefeituras, enquanto nos municípios com até 10 mil habitantes o índice cai para 22%.

Entraves

O maior entrave para ampliar o uso da tecnologia é a falta de treinamento das equipes, citada por 40% dos municípios. Em seguida aparecem a falta de prioridade política, a percepção de ausência de necessidade, a baixa qualidade dos dados disponíveis e os custos elevados.

O estudo também mostra que apenas 14% das prefeituras oferecem treinamentos na área e somente 10% elaboraram guias ou manuais para orientar os servidores sobre o uso responsável dessas ferramentas. A IA generativa, por sua vez, ainda é usada de forma limitada no atendimento direto ao cidadão e em processos internos.

No atendimento ao cidadão, o destaque é o crescimento do uso de WhatsApp e Telegram como canais de comunicação com a população. A presença dessas ferramentas subiu de 56% em 2023 para 64% em 2025, consolidando seu espaço nas rotinas administrativas.

Mesmo com avanços como a emissão de Nota Fiscal Eletrônica em 83% das prefeituras e a oferta de documentos online em 69%, a maioria ainda tem dificuldade para avaliar a experiência do usuário. Apenas 30% monitoram estatísticas de uso e só 22% medem a satisfação dos cidadãos.

Desigualdade federativa

A CNM destaca que os dados reforçam a desigualdade federativa e orçamentária no país. A adoção de IA em processos internos chega a 65% no governo federal e a 56% nos estados, patamares muito superiores aos observados nos municípios.

Segundo a entidade, essa diferença está ligada principalmente ao maior investimento em qualificação, além da migração para a computação em nuvem e de outras etapas da transformação digital. Para a CNM, os municípios precisam de apoio técnico e financeiro para acelerar a modernização dos serviços e reduzir o abismo tecnológico no Brasil.

*INFO: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

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