Santa Catarina recebeu no Sapiens Parque, em Florianópolis, uma delegação oficial da República de Ruanda, composta pelo embaixador do país no Brasil, Lawrence Manzi, por sete autoridades governamentais e por 26 empresários ruandeses. A delegação busca fornecedores, fabricantes e parceiros catarinenses de bens de capital e tecnologia, com interesse especial em máquinas e mecanização agrícola, agroprocessamento, pecuária e proteína animal, vestuário e têxtil, construção e mobiliário, saúde, tecnologia da informação, energia renovável e mineração. A recepção, realizada durante toda a manhã, marcou a abertura da missão internacional que segue até quarta-feira por Jaraguá do Sul, Blumenau e Chapecó.
O encontro começou com as boas-vindas do presidente do Sapiens Parque, Eduardo Vieira, que apresentou aos visitantes o masterplan do parque de inovação e ressaltou as semelhanças entre o trabalho desenvolvido em Santa Catarina e o modelo da Kigali Innovation City, em Ruanda.
Em seguida, a vice-governadora Marilisa Boehm falou sobre a relevância do encontro para o Estado: “É uma honra estar aqui hoje, recebendo essa delegação de Ruanda. Para nós é muito importante a presença de vocês em nosso estado de Santa Catarina para trocarem informações e conhecerem nossas oportunidades.”
A secretária de Articulação Nacional, Vânia Franco, apresentou a estrutura mobilizada pelo
Governo do Estado para apoiar a missão:
“Aqui temos todas as áreas: agricultura, ciência, tecnologia e inovação, a Polícia Civil, dirigentes da Celesc, da Epagri e da InvestSC, um grande time para apoiar Ruanda em sua busca. Esperamos que voltem muitas vezes mais para negócios e turismo, e que nós possamos prosperar juntos.”
O secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, situou o encontro na estratégia de aproximação do Estado com o continente africano: “A África tem sido objeto de uma aproximação através de Ruanda, que tem se transformando num ponto de encontro no continente. Vocês estão conectados com Santa Catarina, o estado com a indústria mais desenvolvida do Brasil, e o
Estado os recebe de braços abertos.” Ruanda busca tecnologia e parcerias para modernizar sua produção. O embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, afirmou que a missão marca o início de uma parceria construída para o futuro dos dois povos: “Trouxemos os melhores produtores e pioneiros da nossa indústria para este encontro. Ruanda busca tecnologia e know-how para modernizar sua produção agrícola e industrial, e Santa Catarina tem exatamente isso a oferecer. É aqui que o negócio se constrói.”
Já a chefe da delegação ruandesa e representante do Ministério do Comércio e Indústria, Chantal Tuyishimire, reforçou o interesse de Ruanda em aprofundar o intercâmbio com o Estado: “Nosso engajamento hoje busca mais diversidade de negócios: viemos com representantes do agronegócio, da tecnologia e de diversos setores em busca de parcerias concretas com Santa Catarina. Ruanda tem prioridades claras, e sabemos que não é possível avançar nesta era sem tecnologia.”
Após a recepção no Sapiens Parque, a agenda seguiu com um almoço de trabalho na Cantina Zabot, em São José, reunindo a delegação ruandesa, o governador Jorginho Mello, a vice-governadora Marilisa Boehm e representantes do Governo do Estado e de entidades como Fiesc, Facisc e Fecomércio. O encontro contou com falas do embaixador Lawrence Manzi e de lideranças empresariais catarinenses, seguidas por apresentações institucionais da Fiesc, da Facisc e de representantes do setor privado e de desenvolvimento de Ruanda.
A programação do dia se encerrou com uma rodada de negócios (B2B), com 15 mesas de reuniões entre empresários catarinenses e a delegação ruandesa. A missão continua, com passagens técnicas por Jaraguá do Sul, Blumenau e Chapecó, incluindo WEG, Hering, Aurora Alimentos e BRF.
Sobre o país e as relações comerciais com SC
A República de Ruanda, localizada na África Oriental, tem Kigali como capital e cerca de 13 milhões de habitantes. O país é uma república presidencialista liderada por Paul Kagame desde 2000, marcada por estabilidade institucional e crescimento econômico acelerado desde a reconstrução que se seguiu ao genocídio de 1994.
As relações diplomáticas entre Brasil e Ruanda foram estabelecidas em 1981 e se intensificaram a partir dos anos 2000, com a política brasileira de maior engajamento com países africanos. Já a relação entre Santa Catarina e Ruanda ainda é modesta, mas em expansão: em 2025, o Estado exportou US$ 475,61 mil ao país africano, alta em relação aos US$ 165,73 mil de 2024, com saldo comercial positivo de US$ 468,84 mil. Hoje, os produtos mais exportados por Santa Catarina para Ruanda são farinhas de carnes, peixes e miúdezas (80,06%), papel Kraft (18,89%) e máquinas para seleção de minério (1,05%); do lado ruandês, o transformador elétrico responde por 100% das importações catarinenses
O potencial de expansão, no entanto, vai além desses itens. A missão também apresentou à delegação ruandesa a força do setor têxtil catarinense, o segundo maior produtor do país, responsável por 18,5% da produção nacional e líder em malharia, vestuário de malha e artigos do lar. Para Ruanda, que busca diversificar sua economia, a indústria de vestuário é vista como uma porta de entrada estratégica para a industrialização, com potencial de geração de empregos e parceria direta com Santa Catarina.
*INFO: ASCOM/Bonassoli






