Tecnologia permite leitura de textos, identificação de cores, reconhecimento de ambientes e outras funções que podem facilitar a rotina dos usuários.
Para uma pessoa que enxerga, descobrir a cor de uma roupa é uma tarefa tão simples que passa despercebida. Para quem não enxerga, porém, essa informação pode depender da ajuda de outra pessoa. A rotina de uma pessoa com deficiência visual apresenta muitas dificuldades.
Para facilitar a vida dessas pessoas, a Associação Catarinense de Apoio aos Deficientes Auditivos e Visuais (ACADAV) investe em equipamentos cada vez mais tecnológicos. Hoje, a entidade conta com uma nova ferramenta para auxiliar no dia a dia de quem não enxerga: óculos equipados com recursos de inteligência artificial.
A equipe do jornal O Celeiro foi conhecer de perto como funciona essa tecnologia e conversou com o psicólogo Alisson Gomes e o professor de Tecnologia Inclusiva Célio Barbosa, que explicaram como os óculos funcionam.
Ao apontar o dispositivo para uma peça de roupa e utilizar um comando, é possível obter informações sobre a cor e detalhes do objeto e do ambiente. A tecnologia também pode auxiliar na leitura de textos, identificação de produtos, reconhecimento de ambientes e localização de estabelecimentos.
As possibilidades oferecidas pelos óculos vão muito além da identificação de cores. Por meio da câmera e da inteligência artificial, o equipamento pode realizar a leitura de textos impressos e reconhecer pessoas. Também é possível utilizar comandos de voz para buscar determinadas informações.
A tecnologia também pode ser utilizada para auxiliar na locomoção e na compreensão do ambiente.
Os recursos também podem ser aproveitados por estudantes e profissionais. A leitura de materiais impressos e documentos pode facilitar o acesso a conteúdos escolares e acadêmicos, enquanto, no ambiente de trabalho, o equipamento pode auxiliar em atividades que envolvam informações visuais.
De acordo com o professor de Tecnologia Inclusiva da ACADAV, Célio Barbosa dos Santos, a instituição acompanha a evolução dos recursos tecnológicos e procura identificar ferramentas que possam ser incorporadas ao trabalho desenvolvido com as pessoas com deficiência. A chegada da inteligência artificial ampliou as possibilidades. Ao perceber o potencial dos dispositivos de visão artificial, a instituição passou a buscar formas de viabilizar a aquisição.
O investimento foi possível por meio de uma combinação de recursos e parcerias. Parte dos equipamentos foi adquirida por meio de projetos apresentados a instituições financeiras e outras instituições privadas.
Também houve participação do poder público, por meio de emendas parlamentares e parcerias institucionais. Atualmente, a ACADAV possui sete dispositivos, sendo quatro do modelo mais recente, desenvolvido em parceria entre a Ray-Ban e a Meta, e três equipamentos OrCam.
A instituição também aguarda a chegada de mais cinco equipamentos, que deverão ser distribuídos aos usuários. Os valores variam de acordo com o modelo. Os equipamentos OrCam adquiridos anteriormente custaram aproximadamente R$ 15 mil cada. Já os modelos mais recentes têm valor aproximado entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil.
A ACADAV atende atualmente entre 60 e 70 pessoas com deficiência visual, incluindo pessoas cegas e com baixa visão, de diferentes idades.
*Reportagem Publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1944 de 02 de setembro de 2026.







