Estamos acostumados a querer resolver a dor do outro com frases de efeito: “Pense positivo.” “Tudo vai passar.” Palavras que, muitas vezes, nascem de uma boa intenção, mas que nem sempre conseguem alcançar quem está vivendo um sofrimento profundo.
O Setembro Amarelo cumpre um papel importante ao colocar a prevenção ao suicídio em evidência. Mas talvez uma das maiores contribuições da campanha seja nos fazer perceber que o assunto precisa ser mais do que uma modinha de cores.
O sofrimento emocional não começa em setembro e não termina quando outubro chega. Nem sempre teremos a frase certa para dizer e nem sempre é preciso dizer alguma coisa. Ouvir e acolher pode ser mais importante do que falar.
Também precisamos ter cuidado para não transformar uma questão tão séria em espetáculo. Quanto mais o tema é tratado com responsabilidade, informação e respeito, maiores são as possibilidades de reduzir o estigma que ainda existe em torno da saúde mental.
Que a mensagem deste mês permaneça nos outros onze: menos frases prontas, menos julgamentos e mais escuta. Mais informação, mais acolhimento e mais disposição para ouvir.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1947 de 24 de Setembro de 2026.







