ANIMAIS: Perigos e Responsabilidades

Conscientização da população e do Poder Público é importante para que os animais recebam um tratamento adequado.

Violência, crueldade, maus tratos, abandono, prática de rinhas e zoofilia são ações agora previstas em lei que se configuram como crime de acordo com o Código Estadual de Proteção Animal, sancionado pelo governador Moisés no mês de maio de 2021. Esta lei foi motivo de comemoração para quem gosta e respeita os animais. Pórém, mesmo com um código novinho, que aumentou as multas em até R$ 20 mil, alguns ainda não se conscientizaram que os maus tratos aos animais é coisa séria. Caso recente ocorrido em Campos Novos, aonde um cachorro foi atropelado por um condutor que pareceu atropelar de forma consciente, trouxe à tona a importância deste tema. O acidente que viralizou nas redes sociais revela que está faltando respeito aos animais. Ninguém é obrigado a gostar de animal, mas respeito e políticas públicas devem ser pensadas para a proteção deles. Não devemos tratar o animal com crueldade. Foi importante esse caso viralizar para que as pessoas compreendam que hoje os maus tratos é crime.

A reponsabilidade pelos animais é um dever da sociedade e do Poder Público e todo devem ajudar. Quem adota um animal deve entender que é necessário cuidar bem de seus pets. Um animal exige cuidados, recursos e tempo por parte do tutor. Os animais de rua também são de responsabilidade da comunidade e do Poder Público. É preciso refletir sobre esse assunto, pois quem não agir motivado pelo amor, certamente irá agir motivado pelo bolso. As multas são pesadas, e toda a comunidade é incentivada a denunciar a crueldade praticada por má fé.

Em Campos Novos ainda vemos muitos animais sendo abandonados ou não recebendo os cuidados necessários. As ruas estão cheias de animais, alguns em fase reprodutiva. A castração tem sido apontada como um grave problema. Na tentativa de minimizar os problemas e ajudar os animais, entidades tem se mobilizado para, além de ajuda, oferecer conhecimento para conscientizar a população sobre o bem estar animal. A reportagem do jornal ‘O Celeiro’, conversou com a ANA Campos Novos, associação que ampara e orienta as pessoas para ajudar os animais, e com a vereadora Celina Manfroi Cassiano, que tem pensando ações dentro da Câmara de Vereadores.

Conversamos com uma voluntária da ANA, que alertou a população sobre o conceito errôneo que muitos tem em relação ao trabalho das associações. “Alguns querem se desfazer de seus animais e nos procuram. Não recolhemos, e não temos lar temporário, nem canil. As pessoas que ajudam são voluntárias e fazem por amor. Nos amparamos as pessoas quando algum animal de rua precisa de ração, castração ou doação. Também doamos casinhas. Queremos amparar as pessoas para que elas amparem os animais”, explicou a voluntária.

Sobre algumas dificuldades, a voluntária aponta alguns problemas. “Nossa dificuldade é ter um lar temporário e as pessoas entenderem que precisamos da ajuda delas. Quando ajudamos um cachorro acidentado não temos onde colocá-lo, não temos este amparo. O cachorro atropelado no Bairro Aparecida ficou cerca de meia hora no local do acidente, ninguém socorreu. Quando fomos buscá-lo, o trouxemos para a clínica, mas ele não resistiu. O Poder Público ainda falta fazer muita coisa para o bem estar dos animais. É preciso castrar os animais. Por mais que vivam soltos, eles precisam estar castrados. Nosso objetivo á castrar esses animais. Se ofereça para ajudar se você ver algum animal mal tratado. Nós recebemos muitas denúncias, ao invés disso essa pessoa poderia ajudar o animal. Dê condição para o animal. Nosso CNPJ saiu em julho e agora vamos começar a divulgar mais informações. Já fomos chamados pela escola Auxiliadora para fazer uma palestra. Nem todas as pessoas maltratam porque querem, as vezes é falta de conhecimento. Mas o aprendizado é importante”, alertou.

Com tantos animais na rua, a entidade não vê a construção de um canil como forma de melhorar os problemas. “A ideia de um canil não é o melhor caminho, pois muitas pessoas poderiam se aproveitar e deixariam seus animais por lá. Precisamos de ajuda para promover a castração, pois vemos como a melhor maneira de prevenir animais na rua”, reforça. Para a entidade, as leis são um passo importante dado para garantir que os animais sejam tratados devidamente. “As leis ajudam, as coisas eram piores. Antes bicho era bicho e ponto. Essas coisas tendem a mudar. Hoje as pessoas estão olhando para os animais com mais compaixão. A denúncia não é para as ongs e as associações, mas para a Polícia”, concluiu.

A vereadora Celina levou a Casa Legislativa alguns projetos voltados para este setor, inclusive um deles gerou mal-estar entre os parlamentares. “Apresentei algumas indicações que foi a possibilidade de criação de uma contribuição facultativa e anual para quem quer ajudar a causa animal. Os interessados podem optar pela contribuição através do IPTU É uma alternativa para ajudar. E também pensamos em um centro de recuperação temporário de animais. A causa animal importa várias linhas de atuação e todas tem direta relação com a obrigação do Poder Público e com o envolvimento dos cidadãos. A arrecadação de 2020 foi mais de R$ 156 milhões que vieram por meio de impostos e diversas fontes. Se deixar uma pequena porcentagem para esta causa vamos gerar fortalecimento da saúde pública. Fiz uma emenda para ter uma rúbrica voltada para esta causa. Sugerimos R$ 100 mil para a proteção animal”, relatou Celina.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1698 de 24 de outubro de 2021.

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Jornal Celeiro
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