Carrapicho na soja é um risco real que pode condenar a produção

Departamento Técnico da Coocam alerta para manejo e controle da espécie infestante, com atenção máxima antes da colheita.

A presença de carrapicho nas lavouras de soja deixou de ser um problema pontual para se tornar uma ameaça concreta à comercialização do grão.

Segundo o gerente do Departamento Técnico da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam), Silvio Zanon, a equipe do departamento técnico acompanha, safra após safra, o aumento no número de cargas contaminadas.

“Todo ano temos problemas e esse problema não é pontual da Coocam. Portanto, é importante lembrar que o impacto não é apenas produtivo, mas também atinge o bolso do produtor e a credibilidade do produto no mercado”, alerta. Na prática, esse cenário pode deixar o sojicultor sem destino para a produção, gerando prejuízos imediatos e significativos.

O carrapicho é uma espécie infestante proibida por legislação. Nesses casos, as cooperativas estão legalmente impedidas de receber grãos contaminados, assim como indústrias e portos, o que resulta na rejeição imediata da carga. “Se essa soja com presença de carrapicho chega ao porto ou à indústria, a carga é devolvida. Ou seja, não podemos receber e esse grão fica sem mercado”, explica Silvio Zanon.

Além do bloqueio comercial, o carrapicho representa um risco à saúde animal e humana. Quando a soja contaminada é processada para óleo, farelo ou ração, a moagem conjunta com sementes da espécie pode causar danos nutricionais, toxicológicos e sanitários.

“Já foi identificado que, se o carrapicho for moído junto, ele traz prejuízos tanto para a saúde humana quanto para a saúde animal. O carrapicho é uma planta tóxica.”, enfatiza o gerente técnico.

Os prejuízos, no entanto, começam ainda no campo.

O agrônomo da Coocam lembra que a planta infestante compete diretamente com a soja por água, luz e nutrientes, reduzindo produtividade e rendimento.

“Onde a infestação é maior, a perda é inevitável. Ou seja, quem ignora o problema perde duas vezes: na lavoura e na comercialização. Por isso, a tolerância é zero. Não pode ter carrapicho no grão”, reforça.

MANEJO ANTECIPADO É A ÚNICA FORMA DE EVITAR PERDAS

A Coocam reforça que o manejo precisa ser antecipado e estratégico. O primeiro passo é o monitoramento constante da lavoura, especialmente em bordaduras, áreas úmidas, beiras de contenção e locais com histórico da infestação.

Havendo ocorrência, o controle pode ser mecânico, em situações pontuais, ou químico, com uso de herbicidas adequados. “O controle químico com glifosato apresenta bons resultados e custo acessível, mas precisa ser feito no momento certo”, orienta o agrônomo.

O alerta mais importante é claro e direto. Controlar carrapicho apenas na dessecação da soja é tarde demais. “Se a semente do carrapicho já está formada, ele vai contaminar a soja da mesma forma. O controle precisa ser antecipado”, enfatiza Silvio Zanon. Diante do elevado número de registros de contaminação na última safra, a Coocam intensifica esta campanha porque o risco é coletivo. Quem não realizar o manejo corretamente pode ficar sem mercado.

CAMPANHA

A Coocam iniciou nesta semana uma campanha de prevenção voltada à conscientização e ao manejo responsável no campo, reforçando seu compromisso com a qualidade da produção e a segurança agrícola da região.

O momento é estratégico, já que grande parte das lavouras de soja entra em fases decisivas de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, período em que a cultura se torna mais sensível à competição com plantas daninhas, pragas e doenças.

É agora que falhas de manejo podem comprometer diretamente a produtividade e a qualidade da colheita. Por isso, a campanha destaca a importância da atenção redobrada neste período, com foco em boas práticas, monitoramento constante e decisões assertivas no campo.

Com o slogan “Carrapicho na soja é prejuízo”, a iniciativa conta com o apoio da Syngenta, Bayer e do Jornal O Celeiro, unindo conhecimento técnico e informação de qualidade para orientar os produtores da região.

LEGISLAÇÃO É RÍGIDA E NÃO PERMITE EXCESSÕES

No Brasil, existe uma regulamentação específica sobre sementes proibidas, que inclui diversas espécies infestantes cuja presença em cargas agrícolas é vedada.

A legislação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabelece critérios rigorosos para a produção, comercialização e transporte de sementes e grãos.

A Instrução Normativa nº 46/2013 lista espécies cujas sementes não podem estar presentes em grandes culturas, justamente para evitar riscos sanitários, ambientais e comerciais. Nesse contexto, o carrapicho é classificado como uma espécie que deve ser rigorosamente evitada, reforçando que não se trata de uma regra da Coocam, mas de uma obrigação legal válida para todo o setor.

Além das exigências legais, o não atendimento a essas normas pode resultar em consequências diretas para o produtor, como a reprovação de cargas, aplicação de penalidades, restrições na comercialização e prejuízos econômicos. A presença de sementes proibidas compromete a qualidade do produto, a rastreabilidade e a credibilidade da produção regional, impactando toda a cadeia produtiva. Por isso, o cuidado com o manejo adequado da lavoura, a limpeza de máquinas e equipamentos e o uso de sementes certificadas são medidas essenciais para garantir conformidade com a legislação, segurança produtiva e sustentabilidade no campo.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1914 de 05 de fevereiro de 2026.

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