A safra recorde de grãos no Brasil em 2024/25, especialmente de milho na segunda safra, foi determinante para o desempenho do PIB agropecuário no segundo trimestre de 2025. Dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo IBGE mostram que o setor recuou apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, contrariando expectativas de analistas que projetavam queda de até 1,9%.
Na comparação anual, o resultado foi expressivo: avanço de 10,1% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo trimestre, a economia brasileira como um todo cresceu 0,4%.
Clima favoreceu a supersafra
De acordo com economistas, o resultado foi influenciado pelas boas condições climáticas que beneficiaram lavouras de milho e soja.
“O recuo de apenas 0,1% reflete principalmente a supersafra, viabilizada por um clima mais ameno, sem grandes impactos de fenômenos como El Niño ou La Niña”, explica André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica.
A Conab projeta para a safra 2024/25 uma produção de 345,2 milhões de toneladas de grãos, puxada pela soja e pelo milho. Só o milho deve somar 137 milhões de toneladas, sendo 109,6 milhões da segunda safra.
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Milho teve maior impacto no PIB
Segundo Rafael Pacheco, economista da D.A Economics, o milho foi o principal motor do desempenho do setor.
“Tivemos uma contribuição relevante nesse crescimento do PIB da safra do milho, arroz e soja, mas principalmente o milho. Apesar da leve desaceleração no trimestre contra trimestre, seguimos com o agro bastante pujante”, afirma.
Perspectivas para os próximos meses
Para o professor Maurício Nakahodo, da Faculdade Eseg, os próximos dois trimestres devem registrar retração no setor. Isso ocorre porque a produção de grãos se concentra no primeiro semestre, o que naturalmente reduz a atividade nos períodos seguintes.
Ele destaca ainda que, embora o tarifaço imposto pelos Estados Unidos possa afetar as exportações, o Brasil tem buscado redirecionar vendas para outros mercados. Mesmo assim, commodities como café, carne e açúcar podem enfrentar dificuldades adicionais.
Apesar dos desafios, Nakahodo projeta que o agro deve crescer cerca de 8% ao final de 2025, impulsionado pelo desempenho excepcional do primeiro trimestre.
“O setor agropecuário deve liderar em termos de taxa de crescimento em relação aos demais segmentos da economia”, conclui.
Fonte: exame


