É possível implantar meritocracia e ganhos por produtividade entre servidores públicos que já contam com bons salários, estabilidade no emprego e benefícios diferenciados da grande maioria? A resposta é sim. E temos um exemplo bem-sucedido no governo do nosso Estado – mais precisamente na Secretaria de Estado da Fazenda.
No ano de 2008, quando o mundo enfrentava uma grave crise econômica que logo chegou ao Brasil, Santa Catarina foi o Estado primeira e mais duramente atingido. Tivemos o infortúnio de assistir a uma das maiores tragédias climáticas da história catarinense, com enchentes e deslizamentos que avassalaram o Estado e deixaram, além de 128 vítimas fatais, cerca de 60% do PIB diretamente afetado. A queda brusca na atividade econômica do Estado nos meses de novembro e dezembro pintava um quadro assustador para as empresas e para a administração pública. Em dois meses, a queda na arrecadação chegou a R$400 milhões.
Foi nesse cenário que assumi pela primeira vez a Secretaria de Estado da Fazenda. Com muita vontade de acertar e apoio irrestrito do quadro de servidores fazendários – sem dúvida um dos melhores do Brasil – decidimos não nos render àquela catástrofe. Resolvemos o problema trazendo toda a inteligência da Secretaria e construindo a solução para um pleito antigo. No dia 13 de maio de 2009, o então governador Luiz Henrique da Silveira assinou, perante um teatro abarrotado de servidores de todo o Estado, o Acordo de Resultados da Fazenda. A partir dali, os ganhos variáveis dos fiscais, auditores e analistas ficavam vinculados ao desempenho da arrecadação. Quanto melhores fossem os números, melhores seriam os ganhos no contracheque. E se houvesse queda na arrecadação, da mesma forma caía o valor percebido pelos servidores. Estava plantada a semente da meritocracia, que, em seis meses, florescia com o primeiro bilhão de reais arrecadado em um mês na história. Produzimos a maior arrecadação de Santa Catarina e não o fizemos somente em cima do ICMS, mas muito em função da cobrança de valores em dívida ativa, por empenho dos profissionais contemplados pelo acordo de resultados. A diversidade e o dinamismo da indústria catarinense também colaboraram para o resultado.
De 2009 a 2014, o crescimento da arrecadação em Santa Catarina esteve sempre acima da média nacional. Chegamos a ter o maior crescimento proporcional do país e em 2014 ficamos no topo do ranking dos estados com maior crescimento na arrecadação de ICMS.
Podemos dizer que se trata de um case de sucesso. Embora ainda não meçamos o desempenho individualmente, quebramos um paradigma do serviço público. Outras áreas, como a saúde, começam a experimentar benefícios da produtividade. Com o Plano de Gestão da Saúde, a partir de 2013 os médicos de hospitais públicos estaduais passaram a receber conforme uma tabela de pontuação por procedimento. É um trabalho que está no início, mas que, por exemplo, auxiliou a produtividade do hospital Celso Ramos, em Florianópolis, a saltar de 400 cirurgias por mês em 2014 para 1,245 em março deste ano – um recorde em 50 anos de instituição.
São exemplos muito diferentes, já que o acompanhamento da produtividade deve levar em consideração a realidade de cada ramo de trabalho. Mas ambos mostram que esse caminho não só é possível, mas inevitável.
Por Antonio Gavazzoni, doutor em Direito Público e secretário de Estado da Fazenda






É uma meta interessante, mas vale lembrar, no caso citado na matéria, os Fiscais da Fazenda, realizam suas tarefas, não terceirizam, não usam de seus “Agentes”, para autopromoção. Também que metas em se falando de Polícia Civil, torna tudo muito mais complicado, pois se produzimos muito, aumentamos o número de registros de ocorrências, investigamos mais, prendemos mais, consequentemente, aumentamos a população carcerária. Se não fazemos nada disso, não investigamos muito, não prendemos muito, logo criamos a sensação de insegurança perante a sociedade. Conclusão de procedimentos que na realidade engessam todo nosso trabalho, é igualmente inútil, não produzimos dados concretos. Investigação se faz e se conclui, a maior produção da Polícia Civil está ligada diretamente na Investigação X resultados, mas esses resultados dependem de N fatores externos: MP, Judiciário, etc. Temos como implementar maneiras eficientes, efetivas e eficazes no enfrentamento à criminalidade, mas na minha humilde visão, metas só atrapalhariam, pois algumas investigações demoram um pouco mais de algumas horas e outras mais complexas, demandam meses, anos. Enfim, mas eu sou somente um Policial Civil com uma opinião sobre nossa função.
Anderson Amorim
Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina – SINPOL SC
Vice Presidente FEIPOL SUL
Vice Presidente COBRAPOL SUL
Conselheiro Nacional de Segurança Pública SENASP MJ