A dependência química é um problema social palpável, sendo que cada vez mais famílias são acometidas por esta problemática, considerada de saúde pública.
Quando pais e mães convivem com um filho dependente de substâncias psicoativas, eleva-se o conflito no relacionamento entre esses membros, partindo então para a desestruturação da família, bem como para a diminuição da qualidade de vida desses familiares.
Os pais são considerados responsáveis, por orientar os filhos, repassar valores, dar estrutura, ou seja, a família é considerada a base, é o meio onde se constrói um ambiente adequado para crianças e adolescentes se desenvolverem. Por este motivo quando ocorrem certos tipos de problemáticas na família como, por exemplo, a dependência química, os familiares envolvidos sentem-se envergonhados e culpados, culpam-se por ‘falhar’ na educação, ou em qualquer aspecto envolvido nesse processo.
A dinâmica familiar dessa população é descrita como exaustiva, sendo que muitas vezes os pais perdem a esperança e sofrem, pois, nesta etapa, em certos casos pode se evidenciar a não aceitação desta condição, os familiares negam para si mesmos o que estão passando.
Com toda a reviravolta na vida familiar causada pela convivência com um usuário, os pais começam a apresentar sinais, como por exemplo, vergonha, raiva, autoestima rebaixada, falta de energia para desempenhar as funções diárias, perda de vontade de viver, medo, desesperança, infelicidade, incapacidade, assim como a percepção de que a estruturação de suas famílias está completamente desorganizada e abalada.
O vínculo familiar se rompe provocando alienação afetiva entre pais e filhos, que não conseguem se entender. Os familiares não sabem como lidar nesta nova conjuntura e por conta disso começam a exibir diversos sentimentos negativos que desde o início demandam atenção. Com isso é possível perceber a importância de um olhar voltado à família do dependente químico, já que este não é o único prejudicado pela doença.
É de grande valia se pensar em grupos de ajuda, destinados a criar um espaço no qual as pessoas envolvidas no processo de dependência química de um membro de sua família ou até mesmo de um conhecido, socializem suas dificuldades, emoções, assim como as conquistas e vitórias frente a esta temática, haja vista que este tipo de grupo assegura a convivência desses familiares no meio social e atua como intermediário na troca de experiências o que por sua vez proporciona sensação de acolhimento, amparo, desabafo e alívio. Esses grupos de apoio especializados têm dentre seus propósitos, atender as demandas trazidas pelos familiares, e por meio disso, fomentar a busca de estratégias para auxiliar este familiar que se vê totalmente desamparado e sem destino.
Essas pessoas precisam estar preparadas em diversos ângulos de suas vidas, emocionalmente, fisicamente, socialmente, psicologicamente, entre outros aspectos, isso para lhes proporcionarem uma vida mais saudável, bem como para conseguirem auxiliar o usuário no tratamento da dependência química, mas para isso é imprescindível que os familiares sintam-se fortalecidos e que compreendam a situação do usuário como dependente de drogas, e não como ‘marginais’ e ‘aproveitadores’ como são vistos em meio a sociedade.
Por Daiane Rayzel
Psicóloga e integrante do Núcleo de Psicologia da Acircan – NUPSY.


