Mercado do milho: É necessário haver um pacto entre produtor e consumidor

João Carlos Di Domênico, Presidente da Coocam, acredita que somente com a união e valorização do produtor, é que o mercado vai receber o cereal. Fecoagro apresenta programa para fomentar plantio na safra 2016/2017.

JOAO CARLOS DIDOMENICO
Presidente da Cooperativa Agropecuária Camponovense – Cooocam, João Carlos Di Domênico

A escassez de milho preocupa a todos os consumidores e o mercado de carnes, principal atingido pela falta do cereal, procura respostas para o momento chamado de supervalorização do produto. Porém, para o consumidor, o preço de um saco de milho, no atual momento, se não é ideal, é fundamental para que se continue a investir no produto.

Para o Presidente da Cooperativa Agropecuária Camponovense – Cooocam, João Carlos Di Domênico, a diminuição de área plantada de milho na região, por exemplo, está relacionada ao preço do milho frente à soja. “Na verdade, se o milho não valer a metade que vale o soja, desmotiva o produtor a plantar. Essa é a realidade, então se a soja está a R$ 80,00 no mercado futuro, no milho se tem que trabalhar a R$ 35,00 a R$ 40,00”, lembrou João Carlos.
O custo de produção, principalmente de carnes, foi atingido em cheio pela falta de milho e assim, valorização do cereal, porém, João Carlos acredita que é preciso que estes consumidores, se adaptem a valorização do produto no mercado internacional. “O produtor não planta pela baixa valorização. As exportações de milho do norte, por exemplo, com a abertura da calha norte, atingiu o mercado, porque antes não se tinha isso, aí mudou tudo e se exportou mais o produto e assim, o mercado interno sofreu esse impacto”.

Como agricultor, o Presidente da Coocam, reforça que a diminuição de área está associada à lucratividade. “Como plantador de milho, vejo que a diminuição de plantio é relacionada diretamente a lucratividade. Até o ano passado, o consumidor comprava milho muito barato e nós como produtores, vendíamos a R$ 22,00 o saco, e o soja, vendíamos a R$ 55,00 e é uma questão lógica de ver que o soja é muito mais lucrativo. Hoje com o milho valorizado, está começando a se ter um ciclo melhor, mas esse estoque será ajustado nos próximos dois anos se não tivermos nenhum problema de clima, por exemplo”, reforçou.
João Carlos destacou que mesmo assim, o consumidor e as grandes indústrias vão pagar mais pelo cereal. “Essas indústrias, o consumidor, vão pagar mais caro pelo milho.

Eu acredito que o milho em nível de consumidor a menos de R$ 40,00 será muito difícil. O que vejo e o que precisa em nosso estado é um pacto entre o produtor de milho e os consumidores. Porque o produtor não tem hoje responsabilidade nenhuma de produzir um milho mais barato, porque quando ele precisava do consumidor, o consumidor deu as costas, não deu atenção nenhuma. Ficamos muito tempo vendendo milho abaixo do custo de produção. Agora está se dando o troco, mas essa gangorra não é boa para ninguém, porque desmotiva o plantio e aquele produtor que deseja semear, deve investir em alta tecnologia, para produzir, pois quem plantar para produzir menos que 200 sacos/ha está praticamente fora do negócio”, avalia o presidente da Coocam.

Custo maior para manter sanidade do milho

O custo de produção das lavouras não deve aumentar significativamente, porém, para o Presidente da Coocam, o maior custo é de clima e sanitário, principalmente no milho. “Antes nós não tínhamos, por exemplo, a preocupação de utilizar fungicida em milho e hoje é preciso realizar duas aplicações com um custo de 7 sacos/ha por aplicação, então é muito alto esse custo e aí altera todo o planejamento e por isso, o produtor é receoso em plantar o milho”.

A falta de equipamentos para a realização destas aplicações, em muitos casos impede que o pequeno produtor invista na cultura do cereal. “Pra se fazer aplicação aérea, se tem diversos problemas e faltam máquinas grandes para evitar um amassamento das plantas na realização dessa aplicação e com isso, se tirou o pequeno produtor da cultura, porque na soja se tem a facilidade de manejo e as aplicações são mais fáceis de serem realizadas”, afirmou João Carlos.

Programa para estimular plantio do milho

Programas para estimular o plantio foram lançados, como o Programa de Incentivo ao Plantio de Milho em SC, desenvolvido pela Fecoagro a pedido do Governo do Estado, que disponibiliza um pacote completo para o produtor semear o milho. “Esse programa da Fecoagro pode estimular muito o plantio, porque existe um financiamento disponível e o produtor vem até a cooperativa e leva o pacote completo, com sementes de alta tecnologia tratada, todos os insumos, como fertilizantes e agroquímicos, seguro rural, tem o Funrural (Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural), embutido e tudo isso, com um custo de 80 sacos/ha. Isso estimula o plantio, porque se o produtor colher 160 sacos/ha ele vai ter 100% de produção para pagar outras despesas e assim, um lucro viabilizado”, finalizou o presidente.

*Reportagem Publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1432 de 09 de Junho de 2016.

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